Quando alguém querido se vai, nos lembramos de tanta coisa que estava arquivada.
Momentos que tivemos, acontecimentos sérios e divertidos, Parece que passa um filme.
Lembro de quando você, Mélia, estava pra nascer. Estávamos na casa da sua vó Yolanda, de quem éramos vizinhos, e meu pai chegou com uma boneca, que minha madrinha tinha trazido de Buenos Aires e disse:
- Olha o bebê da Maria!
Todos riram. Vejo a cena. Eu tinha quase 7 anos.
Sempre estivemos próximas. Mesmo com essa diferença de idade. Depois de adultas, a diferença deixou de existir.
Trocamos confidências, torcemos uma pela outra, estivemos juntas em momentos alegres e tristes.
Eu, como mais velha, chamava sua atenção, quando achava que devia. Você nunca me respondeu. Mesmo que não concordasse, ouvia e respeitava.
Foi minha madrinha de casamento. Curtiu meus filhos e netas.
Eles têm grandes lembranças de você, a Memé.
No casamento do Fábio serviu de intermediária entre aquele padreco e o noivo enraivecido...
Obrigada, querida pelo carinho, pela amizade, por tudo. Você vai deixar muita saudade.