Fantasmas
Lembro-me de uma situação de medo da minha infância que
perpetuou por vários anos.
Quando eu tinha uns 5 anos, fomos, meus pais e eu, ver um
espetáculo circence.
Em certo momento apareceram uns palhaços vestidos de fantasmas.
Isso foi muito pra mim. Passei a sonhar com aquilo. E, então, pra conseguir
dormir, eu tinha que perguntar pra minha mãe:
- Eu não vou sonhar com coisa
feia?
E a coitada, toda noite, tinha que me responder que não. Enquanto ela não
me respondia eu não parava de perguntar.
Isso durou uns 2 anos.
Só parei, quando viajei com meus tios
pra Águas da Prata e fiquei com vergonha de perguntar.
Máscaras de carnaval
Quando o Fábio tinha 2 anos e meio, fomos passar uma semana
em Itanhaém. No dia da chegada, estava um calor infernal. Pras crianças dormirem tivemos que
abaná-los. Durante a noite mudou o tempo, começou a chover e aquela chuva durou
a semana toda.
O Mauro tinha só 6
meses, mas o Fábio arranjou amiguinhos e se divertiu mesmo sem poder sair de dentro do hotel. Houve várias brincadeiras e ele participou bastante.
Como o Carnaval estava chegando, alguns meninos mais
velhos colocaram umas máscaras. Aquilo assustou, tremendamente, o Fábio que veio
chorando, desesperado, pra mim. E, ele que já havia deixado as fraldas,
passou a fazer xixi na cama.
Ainda sobre máscaras
A Isa, minha amiga, lendo o
blog, me mandou essa história, sobre a Isabella, filha dela, que hoje já é mãe
de duas crianças:
A Isabella, quando pequena, tinha muito medo de máscaras,
bruxas e afins.
Quando tinha uns 3 pra 4 anos,
estavam no elevador do prédio da mãe da Isa, quando entrou uma senhora
muuuuuuuuuuuito feia.
A Isabella grudou na perna da mãe e falou
choramingando:
- Mãe ela é feia assim ou está de máscara?
Imaginem a cara da Isa.
Estrelinha
A explicação que demos pra Júlia sobre a morte é que a
pessoa virou estrelinha.
Ela estava comigo quando recebi a notícia da morte de uma
grande amiga. Não pude evitar de chorar e ela quis saber porque a vovó estava
chorando. Explicaram pra ela que minha amiga tinha virado estrelinha e eu
estava triste. Ela era muito pequena.
Últimamente, temos observado que ela não quer se separar dos
pais, pra dormir na minha casa, nem na casa da outra avó. Estivemos, ano
passado, num hotel fazenda e ela tinha muita dificuldade pra dormir, à noite,
por estar longe dos pais. Chegou a falar do medo que ela tinha de eles (pais)
ou de nós (avós) virarmos estrelinha.
E, semana passada, ao se despedir da bisa que voltava pra
Bahia, chorou muito e disse que não queria que ela se tornasse uma estrelinha.
Filme de terror
O Mauro só se lembra
que tinha medo de ver filmes de terror. Então, quando passava propaganda de um
desses filmes, pra não ouvir nada, ele tapava o ouvido e cantava bem alto.
Carranca
A gente não avalia muito,
o que pode assustar uma criança.
Nós tínhamos na parede do quarto de TV uma carranca
esculpida em madeira, que trouxéramos do nordeste.
Lá, havia um sofá cama, onde dormiam os visitantes.
Certa vez, e eu acho que ele nem se lembra disso, o Maurício, meu sobrinho, veio dormir em casa. Teria,
nessa época, uns 10 anos, talvez. No dia seguinte, ele falou que tinha ficado
com muito medo da carranca.
Perda
Quando criança, a Carol
tinha medo de se separar dos pais.
Eles moravam numa casa relativamente grande, que possuía um
porão, onde funcionava a firma do pai dela.
Muitas vezes, à noite, quando ela chamava os pais, eles não a
escutavam e ela ficava desesperada, achando que eles tinham saído pra sempre.
Então, sempre que a mãe a levava pra cama ela perguntava:
- Você não vai sair?
E como o jardim era grande, também, ela emendava:
- Você não vai lá fora?
E perguntava ainda:
- Você não vai no porão?
E, de tanto fazer as 3 perguntas, ela decidiu encurtar a
história e passou a perguntar:
- Você não vai três
coisas?
Durante muitos anos ela fez essa pergunta, todas as noites, antes
de dormir.
A Karin, mãe da Carol,
até hoje brinca com ela, perguntando:
- Você não vai três coisas?...
cachorro
A Ulli passava sempre férias em Itaparica com as primas.
Um dia, uma delas, Mila, foi mordida por um cachorro.
Quem a socorreu foi a babá da Ulli, que pegou a bicicleta,
colocou Mila na garupa e se mandou em busca de socorro.
A Ulli não teve dúvidas, pegou sua mini Monark e saiu atrás
delas, vendo o sangue escorrer.
Desde então, as duas ficaram com muito medo de cachorro e
cada vez que passavam por um, davam o braço, uma pra outra, apertavam o passo e falavam o versinho que Vó Nini ensinou: São Roque, São Lázaro, São Roque, São Lázaro,
São Roque, São Lázaro, até que o cachorro passasse.