Toninho Paes fala sobre "Dois Pastel e Um Chopps"


"Em mil novecentos e noventa e oito, se não me falha a memória, não mais existia o Gente Humilde.
Foi quando o de Guide, último saxofonista que passou pelo grupo, me ligou. Disse que tinha um amigo que tocava violão e convidou-me para compor um trio para ensaiar e, quem sabe, se apresentar por aí, mas sem grandes compromissos.
Achei a idéia legal. Eu sentia muita falta do Gente Humilde, afinal dei o ar do meu ritmo por uns 10 anos nesse inesquecível grupo de amigos.
A idéia era meio que dar continuidade ao que fazíamos, uma vez que o de Guide queria reativar as partituras do Zé do Cavaco, o nosso maestro no Gente Humilde.
Passamos a ensaiar: de Guide no sax e clarinete; Marcos Borges, violão; e eu alternando entre pandeiro e timbatera. Além das partituras do Gente Humilde, mantivemos a tradição dos ensaios nas noites de quinta feira com presença garantida da tradicional cachacinha .
Outro detalhe: perpetuou-se sobretudo o hábito de dedicar os intervalos entre as músicas a toda sorte de piadas, chistes e gracejos, o que sempre deu um clima de mesa de boteco muito legal aos encontros.
A exemplo do que aconteceu no “Gente”, isso funciona como um lembrete permanente de que estamos ali para tocar e nos divertir. Tudo na base do deixa o estresse lá no escritório e vamos nos divertir ensaiando. Dá-se muitas risadas nos ensaios, aliás. E para que nem tudo vire piada, há sempre uma alma bem informada para enriquecer a cultura musical da turma discorrendo sobre a história de um chorinho, um compositor, uma curiosidade sobre um samba ou uma bossa. Ou mesmo para revelar a descoberta de algum talento perdido nos recônditos do país e relegado ao ostracismo pela midia.

Como o de Guide no incio do “Dois Pastel...” era editor do jornal da tv Cultura, ensaiávamos em um auditório da emissora, logo que encerrava o jornal, a partir das 22 horas. Assim, montamos o primeiro repertório – sem cachacinha, claro, que só foi adotada quando passamos a ensaiar na minha casa.
O grupo, ainda sem nome, marcou a sua primeira apresentação no bar do Mauro, filho da Ledice e do Pereira. Passamos a tocar com uma certa regularidade naquele espaço em Pinheiros. O bar contava com um ótimo astral, serviço competente, público interessado. A bem da verdade, passamos a carregar uma platéia cativa integrada por jornalistas e tecnicos do jornal da Cultura. As vezes, enquanto tocava, eu fazia um esforço danado para segurar o riso quando surpreendia o casal de apresentadores do jornal lado a lado na mesa do bar tomando uma cerveja. Parecia que a qualquer momento eles iam dizer “boa noite” e sumir da minha frente.

Por mais ou menos 10 anos o trio se apresentou em bares, com alguns intervalos, muitas vezes longos por não arranjar tempo para os encontros. Tivemos inclusive a presença de um baixista, o André Santana, musico amador e escritor profissional que ficou por pouco tempo no grupo. Depois, ainda, veio um excelente trompetista, o Sergio, que soprou o seu instrumento por uns dois anos no “Dois Pastel...”.

Atualmente contamos com o Tuca no baixo, o Haroldo no cavaco e a Ângela Lyra na voz. Mais recentemente chegou outro acepipe musical ao “Dois Pastel...” : o percussionista e meu amigo de infância Luizão. Parece que essa nova formação se sedimentou. Virou o “Dois Pastel, Um Chopes e Uma Porção de Amigos”

Texto mandado pelo Toninho Paes, em 08/09/2010.
 
- Muito legal, Toninho. Obrigada por participar do blog da Lê. Abração