quinta-feira, 28 de outubro de 2010

SECRETÁRIAS DO LAR


OU SE PREFERIREM, DOMÉSTICAS

Durante esses anos todos colecionei alguns ‘causos’ que envolveram pessoas que trabalharam como doméstica em casa, na casa dos meus pais, dos meus avós, por entender que,futuramente, poderia escrever a respeito.
Não seguirei a cronologia dos fatos, mas contarei conforme os mesmos vierem à lembrança.

1 - Uma vela na TV

Eu tinha uma ajudante jovem que dormia em casa. O quarto dela ficava ao lado da cozinha e perto do tanque.
Certa noite faltou luz em casa e ela simplesmente pegou uma vela e colocou-a sobre a televisão do seu quarto.
Dormiu.
Acordou com a TV pegando fogo.
Não sei com que pano pegou a televisão e colocou-a no tanque, abrindo a torneira.
Quando acordamos, no dia seguinte, vimos apenas o esqueleto do que fora,um dia,um aparelho de TV, comprado com sacrifício quando nos casamos e que tínhamos colocado no quarto de empregada, para que ela tivesse uma distração.
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2 - O vício de Cândida

Quando eu ainda era solteira, tivemos uma empregada que havia sido criada pela tia de uma amiga da minha mãe.
Era uma moça culta. Inclusive sabia falar francês.
Fez um péssimo casamento, o marido bebia muito e ensinou-a a beber.
Era muito feia. Mas caprichosa e eficiente, quando sóbria.
Fazia um purê de batatas, que não consigo esquecer de tão cremoso e gostoso.
Minha mãe começou a perceber algo estranho no comportamento dela até que descobriu uma garrafinha de guaraná debaixo da cama dela com cheiro de pinga.
Conversou com ela. Deu outra oportunidade e ela jurou que não beberia nem mais um gole.
Mas, a gente sabe que vício é vício.
Foram várias as vezes que chegávamos em casa, eu da escola, meus pais do trabalho, e encontrávamos tudo por fazer. Pia cheia de louça, casa em desordem.
Minha mãe deu várias oportunidades a ela. Tinha pena. Ela tinha dois filhos adolescentes, que viviam com a pessoa que a criou.
Certo dia de chuva, cheguei da escola e, como estava com os pés muito molhados, pedi pra ela pegar um chinelo no meu quarto, enquanto eu tirava os sapatos e sacudia o guarda-chuva.
Ela entrou pro meu quarto e não voltava mais.
Resolvi entrar e ver o que estava acontecendo.
Ela estava com a cabeça encostada na porta do meu quarto, absolutamente, sem condições de andar, falar ou pensar.
Sugeri que ela fosse pro quarto dela e comecei a arrumar a bagunça da casa. Louça por lavar, quartos desarrumados, me pondo a fazer o jantar.
E quando minha mãe chegou,  contei  a ela o que havia acontecido.Chegamos à conclusão que não dava mais.
Mamãe teve que dispensá-la.
Num sábado, quando eu estava almoçando, na cozinha, ela veio pegar as coisas dela.
Nós tínhamos percebido que, pra vencer a timidez, ela necessitava de uns goles.
Deve, antes, ter passado pelo bar, porque chegou toda corajosa, me encarando, deu um rodopio e falou pra mim:
- Amiga da onça, hein?!?!?!  
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3 - Neide, a atriz

A Neide era uma jovem bonita, inteligente, sabia cozinhar. Fazia uma maionese que o Fábio, pequenininho, adorava. Colecionava posters de artistas e cantores, os quais pregava nas paredes do quarto.
Quando foi contratada, mais ou menos em 1976,  me disse que toda tarde de quarta-feira teria que  visitar o irmão, hospitalizado no Hospital das Clínicas.
Então isso ficou acertado.
Certa quarta-feira, eu ia receber um casal de amigos pro jantar e quando ela saiu pedi que não demorasse, porque eu ainda teria que ir ao açougue buscar a carne para fazer um ‘strogonoff’, prato muito em moda, à época.
Mas a hora foi passando e nada dela chegar. Tive que pedir à vizinha pra ficar um pouco com os meninos para eu poder ir ao açougue, a pé.
Vendo que teria que contar comigo mesma, cheguei em casa e me pus a preparar o jantar: cortar a carne, descascar as batatas para fritar e fazer o arroz, enquanto cuidava dos meninos.
As visitas chegaram e, enquanto o Walter fazia as honras da casa, eu preparava o jantar, ao mesmo tempo que cuidava das crianças.
Quando a Neide chegou, já bem tarde, fui ver o que tinha acontecido e ela se pôs a chorar copiosamente e me contou que o irmão falecera.
No dia seguinte ela teria que ir a Minas Gerais para dar a notícia, pessoalmente, à mãe.
Fiquei com muita pena. Claro que não fiz objeção dela viajar.
Dias depois, a empregada da minha mãe me contou que ficou sabendo que a Neide tinha ido pro Rio de Janeiro.
Acontece que  ela não tinha nenhum irmão. Nas tardes de 4ª feira ela fazia figuração nos programas de auditório da TV Tupi, no Sumaré e, por alguma razão, foi convidada pra fazer parte de alguma caravana que iria para o Rio de Janeiro.
Quando ela voltou, depois de quase uma semana, eu estava com as contas dela prontas e a fechadura do portão trocada.
Uma coisa não posso negar. Ela era uma verdadeira artista. Conseguiu nos enganar direitinho.
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4 - Deja e seu mal-estar

A Deja era prima da empregada de uma amiga.
Alta, magra, divertida. Os meninos gostavam dela.
Na época dela o Walter e eu viajamos por um mês e as crianças ficaram com a Deja e as avós.
Quando voltamos da viagem, minha sogra me falou que notava algo estranho nela. Uns enjoos, uns frequentes mal-estares.
Tentei conversar com ela pra descobrir o que estava acontecendo, mas ela não se abriu comigo.
Um belo dia, ela começou a passar mal em casa. Liguei pra um amigo médico, contei de nossas suspeitas e ele me aconselhou a ir ao Pronto Socorro Municipal da Lapa.
Passamos horas lá. Depois ela foi transportada de ambulância para o Amparo Maternal.
Liguei no dia seguinte para ver como ela estava e fui informada que ela estava bem, mas a criança apresentava um problema.
Achei que havia um mal-entendido. Que criança. Não havia barriga nenhuma, onde estava essa criança. Mas eles me confirmaram que ela tinha tido alta e que eu podia ir buscá-la, embora a criança fosse permanecer lá, por necessitar de cuidados médicos.
Lá fui eu pro Amparo Maternal. Trouxe a Deja, que chorava muito. Cuidei dela.
Após alguns dias, ligaram do hospital avisando que a nenê havia falecido.
Jamais esquecerei daquela cena. Ela e eu, seguindo um caixãozinho branco, até o cemitério de Vila Formosa, com aquela criança que, talvez por ter sido tão escondida, não teve forças pra viver. A família dela nunca ficou sabendo do ocorrido e, por sentir-se envergonhada, ela pediu demissão. 
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4 - Quiqui, a eterna criança

A Quiqui trabalhou conosco um bom tempo. Tinha um desenvolvimento psicológico de criança, embora tivesse quase 40 anos. Pernambucana, passou muita fome quando criança. A mãe abandonou os filhos e o pai. A nova mulher do pai judiava dela.
Ela contava, que quando chegava em casa, depois de trabalhar na lavoura o dia todo, comia apenas um prato de feijão, que a madrasta guardava pra ela, no forno.
Tinha rompantes de raiva, de tristeza, intercalados com momentos tranquilos e de veneração por mim.
Não podia deixar de tomar os medicamentos receitados pelo psiquiatra.
Num Natal, um primo meu vestiu-se de Papai-Noel. Ela até ajudou ele a se vestir, mas na hora que ele apareceu pras crianças, ela realizou sua fantasia. Naquele momento,  acreditou, ou quis acreditar, que aquilo estava acontecendo de verdade. 
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5 - A ajudante de enfermagem

Quando minha mãe teve um AVC, voltou pra minha casa numa cadeira de rodas. Depois com fisioterapia e acompanhamento médico feito no SESI, voltou lentamente a caminhar.
Tive que arrumar uma ajudante de enfermagem pra cuidar dela. Não me recordo o nome, mas era uma jovem, bonitinha, que cumpria, razoavelmente, o papel de cuidadora.
Não sei dizer onde foi preparada pra isso, mas achava que devia contar histórias infantis pra minha mãe, que deixava ela contar pra passar o tempo.
Numa véspera de feriado prolongado, ela, muito gentilmente, se ofereceu pra ajudar a empregada na limpeza da casa.
O Fábio havia recebido, orgulhoso,  seu primeiro salário como estagiário, guardando-o todo na gaveta do guarda-roupa.
Ela ajudou tanto no serviço da casa que terminando tudo que devia com certa antecedência, pediu pra sair mais cedo.
O Fábio, ao chegar, mais cedo e com viagem marcada, deu pela falta de todo seu salário.
Cheguei a ir a uma delegacia, mas resolvi não denunciá-la.
Ela ainda veio trabalhar após o feriado. Eu, que já estava com as contas dela prontas,  apresentei o recibo que ela se recusou a assinar.
Dia seguinte ligou-me um “advogado”, me ameaçando e dizendo que eu não estava fazendo as contas corretamente.
Encarei o homem e disse que estava me segurando para não denunciá-la na delegacia e que ela sabia por quê.
Diante disso, ela resolveu assinar tudo direitinho na presença das duas testemunhas que chamei: meu vizinho e meu cunhado.

A história não acaba aí.
Como o Walter recebia muitas revistas, como publicitário, nós distribuíamos as revistas para mãe, sogra, cunhada, prima, enfim. Costumávamos deixar essas revistas na área de serviço.
Tempos depois, lendo uma dessas revistas, minha cunhada encontrou alguns dólares ali dentro.
Deduziu, na hora, que alguém havia escondido ali.
Nós guardávamos uns dólares, sobra de viagens, num copo bico de jaca, que ficava num barzinho que havia na copa.
Concluímos, então, que eles foram guardados ali para fazer companhia ao salário do Fábio, mas como foi despedida, não deu tempo dela levar. 
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6 - Lídia e o pós operatório

Uma das empregadas domésticas, que tivemos, era uma negra muito bonita, mas tinha um defeito grande em uma das pernas, que a fazia mancar bastante.
Em consulta no Hospital das Clínicas foi verificado que seria caso de cirurgia para uma recuperação completa.
Foi internada nas Clínicas e assim que foi liberada a visita, após a cirurgia, eu fui visitá-la algumas vezes.
Aproveitava para ajudar as companheiras de enfermaria que necessitavam de ajuda.
Depois de uns vinte e poucos dias a ambulância trouxe-a para minha casa, engessada desde a cintura.
Eu a servia no café da manhã, almoço e jantar.
Ela tinha uma prima que a visitava sempre, mas não tirava um prato do quarto pra ajudar.
Era uma época em que as crianças eram pequenas e necessitavam de cuidados permanentes.
Nas vezes em que ela teve que retornar ao hospital, consegui com uma vizinha que tinha uma perua, carona pra levá-la na consulta.
As vizinhas ajudavam também a carregá-la e colocá-la no carro.
Nós a levávamos e a ambulância trazia de volta.
Cheguei a ficar doente, tal a correria a que fui submetida.
Quando ela tirou o gesso maior, reduzido apenas para a perna, começou a ajudar a descascar uma batata, cortar um legume, atividades que podia fazer sentada.
Quando finalmente tirou o gesso todo, após uns quatro meses, passou a andar quase normalmente. Aí, ela,um dia, me informou que iria embora.
Sem comentários. 
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7 - As inesquecíveis

Não poderia  deixar de registrar aqui, que tivemos duas pessoas das quais jamais esqueceremos
A Elvira, (na verdade Alzira), baiana, casada com o Valmir, veio trabalhar na casa da minha mãe em 1969 e foi muito boa. Sabia trabalhar bem, fazia uma comidinha deliciosa, acompanhou minha vida desde que casei, o nascimento dos meus filhos, que ela amava muito e esteve sempre pronta a nos ajudar no que fosse preciso.
Ela tinha vergonha de dizer que era analfabeta. Guardava as receitas na cabeça. Me chamava de Aledice, acho que porque minha mãe, como boa paulista, dizia: A Ledice fez isso, a Ledice fez aquilo.
Pena que o Valmir, que era esquisofrênico, fez ela ir pra Itabuna, vendeu tudo que tinham, gastou toda a poupança que ela conseguira juntar,  pra iniciar uma vida lá, cheia de ilusões e privações.
Ela faleceu depois de ficar muito tempo doente. Querida Elvira, que saudade.
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A outra pessoa muito querida que veio pra minha casa com 17 anos foi a Raquel.
Admiro muito a família dela. Todos responsáveis, honestos, trabalhadores.
Ficou fazendo parte da família. Protegia o Mauro, quando ele aprontava alguma coisa, escondendo de mim.
Estudou no Rainha da Paz e no Santa Cruz, onde se formou no 2º grau. Saiu daqui depois de 13 anos, para abrir um salão de beleza.
Casou-se com um cara muito legal, o Eduardo e hoje eles têm uma filhinha, a Maria Eduarda, uma fofa.
Eles merecem ser muito felizes.  E eu torço por eles.
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Segue abaixo o que o Clovis, nosso amigo, mandou pra eu colocar aqui no blog.

"CERTA OCASIÃO QUE ALMOÇAVA NA SUA CASA E A RAQUEL FAZIA AQUELES ALMOÇOS CAPRICHADOS, O MAURO DESCEU COM CARA DE SONO E VEIO ALMOÇAR CONOSCO. 
QUANDO  VIU A MESA POSTA, ELE ME CHAMOU E DISSE:  
-  CLOVÃO VC PODERIA VIR MAIS VEZES ALMOÇAR AQUI;
 EU RESPONDI:
- VENHO NOS IMPOSTOS DE RENDA E ALGUMAS OUTRAS VEZES,  MAS POR QUE?
 - É QUE A RAQUEL CAPRICHA QUANDO VC VEM. VEM  MAIS VEZES,  VEM."






segunda-feira, 25 de outubro de 2010

UMA COISA É UMA COISA, OUTRA COISA É OUTRA COISA


Quando estávamos pra casar, compramos um apartamento na Cardeal Arcoverde, no 3º andar de um predinho sem elevador.
Fizemos muito exercício lá, subindo 7 meios lances de escada, para cima e para baixo, com carrinho de feira, de criança, ou com os dois.
Mas era um apartamento muito gostoso e moderninho.
O problema é que demorou 1 ano, além do prazo estipulado, pra ficar pronto. E nós casamos e tivemos que morar no apartamento dos meus pais por seis meses.

Bem, mas não é isso que quero contar.

Eu acompanhava a obra quase que diariamente, principalmente quando estavam realizando os acabamentos.
Havia um mestre de obras lá, Seu Sebastião, muito solícito sempre. E competente.
Nós havíamos chegado à conclusão de que no box do chuveiro, se fosse  construída uma paredinha do lado esquerdo, eliminaríamos uma porta de box mais complicada, em L. Gastaríamos menos com uma simples portinha.
Então lá fui eu conversar com o Seu Sebastião:

- Seu Sebastião, haveria possibilidade de se construir uma paredinha deste lado do box?
E ele:
- Não, não há possibilidade nenhuma. A gente pode fazer.


Moral da história: "Seje simpres, não sostifique"



domingo, 24 de outubro de 2010

Fernando Prado, o nosso querido "Batata"


Parabéns, Batata, por todos os prêmios que tem recebido como designer. Você merece.
"O designer Fernando Prado ensina a encontrar o encaixe perfeito entre lâmpadas, luminárias e ambientes

Camila Hessel, REPORTAGEM
Fernando Prado construiu sua carreira fazendo luz. Formado em desenho industrial pela Faap, trabalhou com light design em um escritório de arquitetura e, em 2002, desenhou sua primeira luminária para a Lumini, marca especializada no setor de iluminação, da qual é hoje coordenador de produção.
"A experiência, tanto na área de projetos quanto na de produção, faz com que, quando desenho uma luminária, una os aspectos técnicos aos decorativos quase que inconscientemente", diz Prado. Na entrevista a seguir, ele dá dicas para escolher as lâmpadas e luminárias certas para cada ambiente - e suas diferentes situações de uso.
 Lift - premiada este ano com o IF Design Award
Qual a melhor lâmpada para uso doméstico?
Cada aplicação pede uma lâmpada diferente. Sou um pouco contra a proibição geral das incandescente, por exemplo. São as mais indicadas para o living e ainda não existe uma opção que proporcione o mesmo conforto visual e aconchego. Como passam uma média de três horas diárias acesas, não chegam a prejudicar a eficiência energética de uma casa que utiliza opções mais econômicas nos ambientes onde o tempo diário de utilização é menor.
E os LEDs?
Não é viável fazer uma casa inteira com LEDs. São só mais uma fonte de luz, que não substitui as outras. Mas já começam a aparecer boas opções para iluminação pontual, em substituição às dicróicas. Os LEDs também são a melhor alternativa para ambientes onde o tempo de utilização é grande (como em corredores) ou onde a manutenção é complicada (em jardins, por exemplo). O custo inicial é muito alto, então há contas a serem feitas.
Como escolher, então?
A escolha pode se guiar pela tentativa de reproduzir o ciclo de luz natural. As incandescentes, mais parecidas com a luz do dia, devem ser colocadas em ambientes onde a principal atividade é relaxar, como a sala e o quarto. Na cozinha e no banho, onde o conforto é determinado por uma sensação de frescor, luzes frias são as mais indicadas. E nos lugares onde é preciso ser mais produtivo, como o escritório ou o espaço reservado aos estudos em um quarto, recomendo as luzes brancas ou azuladas, que são excitantes e nos mantêm alertas.
Como escolher a luminária que melhor combina com um determinado décor?
Privilegiando a simplicidade. Em geral, as luminárias contemporâneas combinam com tudo. De linhas mais modernas, facilitam as composições de espaço, sem perder sofisticação. Pessoalmente, gosto de mesclar objetos antigos e modernos, mas reconheço que não é fácil acertar. O melhor mesmo é escolher peças atemporais.
A luminária batizada de Led it be
Quais as novas tendências do setor?
Tenho um pouco de preconceito com tendências. Acho que elas engessam o processo criativo. De todo modo, tenho observado dois aspectos mais fortes: um retorno ao vintage, de luminárias com toque retrô, e a miniaturização. Os arquitetos gostam bastante de luminárias sem abas, que podem ser inseridas em furos no gesso.
E quanto aos materiais utilizados, há novidades?
Há uma busca por caminhos mais sustentáveis, por materiais de fácil reciclagem. O alumínio e o plástico, muito usados hoje, são obtidos a partir da extração de recursos não-renováveis, como a bauxita e o petróleo. No futuro, o uso da fibra de bananeira, que pode ser replantada, e os bioplásticos, derivados de plantas, deve crescer bastante. A madeira de extração certificada também deve ganhar mercado. Mas a influência da sustentabilidade não se limita ao meio ambiente: ela também deve pautar inovações que proporcionem bem-estar às pessoas.

sábado, 23 de outubro de 2010

IGUAPE - PEQUENA CIDADE, GRANDES HISTÓRIAS

Passo a seguir um site que recebi por e-mail, de uma amiga nascida em Iguape e do qual gostei muito. Inclusive, no rodapé, há vários sites interessantes para serem acessados. Tem material ali pra entretenimento de vários dias.
É muita coisa pra ler e se deliciar, aprendendo sobre essa região, a influência indígena e tantas curiosidades. 
Não deixem de ver.


http://www.almanaquebrasil.com.br/viva-o-brasil/pequena-cidade-grande-historia/




segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Pra Júlia em julho de 2006




Que sensação incrível a de ser avó.
Jamais supus que esse amor teria tal intensidade.
Chega a doer o que sinto por você, minha pequena Júlia.
Tão forte o sentimento que vem parece que de dentro da alma.
Achava que o amor de mãe era o mais forte que existia.
Mas seu nascimento veio provar que num coração de avó existe tanto ou mais amor.
(Se é que é possível)
Peço sempre a Deus muita proteção a você.
Ao  mesmo tempo que agradeço a sua vinda. A sua saúde. A sua perfeição.
Que Deus possa prolongar a minha vida tanto, que eu possa vê-la atingir seus objetivos todos. Ou, ao menos, muitos.
Seja muito feliz, minha pequena.
Vovó Lê

São Paulo 29 de julho de 2006.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

HISTÓRIAS DE VIAGEM

Quem não tem uma boa história de viagem pra contar?

Vou iniciar aqui e deixar espaço pra que vocês contem também passagens divertidas, que aconteceram durante viagens.
Num café da manhã, em Paris, coloquei na bolsa algumas embalagens de biscoito, geléia, requeijão, enfim, acepipes que não conseguimos comer e que poderiam ser de grande utilidade, mais tarde.
O Walter chamou minha atenção, e mostrou que, na mesa ao lado, estavam olhando pra mim.
Achei que eram brasileiros e disse, fazendo gesto com as mãos:
- é pra depois...
E, ao perceber que a língua que falavam era árabe, ou coisa que o valha, traduzi ao pé da letra:
- it’s for after...
É lógico que o Walter me alugou e contou pra todo mundo.
Desde então, em toda viagem, adotamos o termo “forafter” para nos referirmos a tudo que guardamos para comer mais tarde.
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Durante uma viagem pela Espanha, paramos num café, e, enquanto o Walter ia ao banheiro (ele que habla bien el español) resolvi comprar umas balas de hortelã, que estavam penduradas no fundo do balcão.
O Walter costuma dizer que quando eu digo “Por favor” com sotaque espanhol, lá vem bomba. Não deu outra.
Apontei para as balas penduradas ao lado de várias outras coisas e pedi ao rapaz, que estava atendendo:
- Por favor, balitas.
Ele não entendeu, pegou amendoim.
- No, no, balitas (e, novamente apontei para as balas)
Ele me deu batatas fritas.
- Oh, no. (e eu insisti, no meu melhor castelhano) Yo queria balitas de hortelana.
Ele resolveu chamar um português que trabalhava ali, que me explicou que o que eu queria era Caramelos de menta.
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Estávamos em Buenos Aires, o Walter, Fábio, Mauro e Eu.
O pacote de viagem oferecia um city tour e o guia, que nos transportou do aeroporto ao hotel, avisou que viriam nos buscar por volta de 9 horas.
Dez pras 9, nos colocamos no hall do hotel, a fim de aguardar o ônibus que nos levaria a conhecer a cidade.
De repente, entrou um grupo de turistas acompanhados de um guia, que falou qualquer coisa de Voucher.
E eu:
- Walter, Walter aquele cara tá te chamando.
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E ainda teve o dia que eu queria ler notícias do Brasil e fui à banca de jornais comprar Él Globo.
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Ainda bem que minha nora também entrou numa loja em Buenos Aires pediu para ver algumas coisas e como resolveu não comprar disse à balconista no seu castelhano caprichado.
- Yo voy, pero yo vuelto.
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Numa excursão que fizemos de Madrid para Andaluzia, nos colocaram num hotel com um casal de americanos de Ohio, um casal de filipinos que morava nos Estados Unidos, um casal de argentinos de certa idade e nós, brasileiros.
A americana de Ohio, falava um pouquinho de espanhol, mas o marido falava apenas inglês (de OHIO), rapidinho e sem piedade. Achava que todo mundo o entendia.
Os filipinos falavam espanhol e um inglês que eu entendia.
Os argentinos falavam “portenho” e quem quisesse que os entendesse, inclusive o velhinho americano.
No jantar, os organizadores da excursão reservaram uma mesa de oito lugares para nós. Muito simpáticos, não?
Resultado: No final do jantar eu estava cansada e vesga de tanto tentar entender o que todos falavam.
Houve uma passagem hilária:
A americana, num dado momento, e não sei por que cargas d’água, começou a falar de “parriot” (papagaio).
Eu mais perdida do que cachorro abandonado, achei que ela estava falando “parents”.
Ela se referiu a “loro”
E eu resolvi entrar no papo:
- My old son is “louro”
Ela deu uma risadinha. O que será que ela entendeu?
O Walter quase me matou:

-Lê, ela está falando pa-pa-gaio.
Eu que, àquela altura,  estava exausta com aquele papo trilíngue numa mesa de “babel” respondi:
-Ah! Ela deve ter achado que eu quis dizer que o meu filho tinha um papagaio...
Depois demos muita risada.
No dia seguinte, no café da manhã, sentamos com os filipinos e deixamos os argentinos sentarem-se com os americanos.
Ficamos só observando. Os dois homens falavam sem parar. O que será que entenderam.


Da esquerda pra direita, os argentinos, nós, os americanos e os filipinos


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O Walter se lembrou de quando ele foi pra Inglaterra, em 78, pra fazer um curso de inglês "total immersion".
Segunda-feira, 7 horas da manhã, ligou o chuveiro e a água desceu gelada.
Tinha que estar às 8 no curso, ligou pro "room service", e disse lentamente:
- Please, I wanted to take a shower, but water is cold.
- Wait a moment.

Segundos depois bateram na porta. O Walter, com a toalha enrolada na cintura, abriu e deu com uma mulher, baixinha e despachada, que foi entrando para tentar resolver o problema.
E ele, novamente:
I want to take a shower...
Enquanto ela verificava alguma coisa no chuveiro, ele disse consigo mesmo:
- Puta merda!
E ela, num sotaque lusitano?
- Da onde tu és?
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Há duas histórias de amigos muito boas:
O primeiro, preenchendo a ficha de entrada num hotel na Espanha:
NOMBRE: GILBERTO
APELLYDO: GIBINHA
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O segundo, que viajava com um casal de amigos pela Europa, disse-lhes:
Quando chegar à Itália, podem deixar que lá eu falo o italiano.
No aeroporto, ao pegar o táxi, sentou-se à frente.
Pegou o papel com o endereço do hotel onde se hospedariam e disse:
- Per favore, Via San Genaro.
O motorista ao perceber que a porta havia ficado aberta disse apontando para a porta:
- È aperto.
E ele
- Si, molto perto.
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Essas histórias me fizeram lembrar de uma piada que o Walter conta muito bem. Vou tentar colocar aqui:

Um português resolveu ir para a Alemanha. Estava muito preocupado porque não sabia falar uma palavra de alemão.
Um amigo o aconselhou:
- Manuele, fale bem de-va-ga-ri-nho.
E ele resolveu enfrentar a situação.
Chegando em Berlim, pegou um táxi e seguindo as instruções do amigo:
- Por   fa - voi - re.  Eu   pre - ci - so    i - re   no   Sch - loss  Char- lo - tten - burg   que   fi - ca  na  Scho - loss - tra - sse , 34.
E o motorista lentamente:
- Po - is  não.   Va - mos  lá.   Fi - ca   a   me - ia   ho - ra   da - qui.
Depois de meia hora de conversa nesse ritmo, o viajante perguntou:
- Dá  on - de   tu   és?
- Eu   so - u   de   Lis - bo - a.  E  tu?
- So - u  de  Co - im - bra. Por que  é, en - tão   que   es - ta - mos   a   fa - lai - re    em    a - le -mão????