Parabéns, Batata, por todos os prêmios que tem recebido como designer. Você merece.
"O designer Fernando Prado ensina a encontrar o encaixe perfeito entre lâmpadas, luminárias e ambientes
Camila Hessel, REPORTAGEM
Fernando Prado construiu sua carreira fazendo luz. Formado em desenho industrial pela Faap, trabalhou com light design em um escritório de arquitetura e, em 2002, desenhou sua primeira luminária para a Lumini, marca especializada no setor de iluminação, da qual é hoje coordenador de produção.
"A experiência, tanto na área de projetos quanto na de produção, faz com que, quando desenho uma luminária, una os aspectos técnicos aos decorativos quase que inconscientemente", diz Prado. Na entrevista a seguir, ele dá dicas para escolher as lâmpadas e luminárias certas para cada ambiente - e suas diferentes situações de uso.
Lift - premiada este ano com o IF Design Award
Qual a melhor lâmpada para uso doméstico?
Cada aplicação pede uma lâmpada diferente. Sou um pouco contra a proibição geral das incandescente, por exemplo. São as mais indicadas para o living e ainda não existe uma opção que proporcione o mesmo conforto visual e aconchego. Como passam uma média de três horas diárias acesas, não chegam a prejudicar a eficiência energética de uma casa que utiliza opções mais econômicas nos ambientes onde o tempo diário de utilização é menor.
E os LEDs?
Não é viável fazer uma casa inteira com LEDs. São só mais uma fonte de luz, que não substitui as outras. Mas já começam a aparecer boas opções para iluminação pontual, em substituição às dicróicas. Os LEDs também são a melhor alternativa para ambientes onde o tempo de utilização é grande (como em corredores) ou onde a manutenção é complicada (em jardins, por exemplo). O custo inicial é muito alto, então há contas a serem feitas.
Como escolher, então?
A escolha pode se guiar pela tentativa de reproduzir o ciclo de luz natural. As incandescentes, mais parecidas com a luz do dia, devem ser colocadas em ambientes onde a principal atividade é relaxar, como a sala e o quarto. Na cozinha e no banho, onde o conforto é determinado por uma sensação de frescor, luzes frias são as mais indicadas. E nos lugares onde é preciso ser mais produtivo, como o escritório ou o espaço reservado aos estudos em um quarto, recomendo as luzes brancas ou azuladas, que são excitantes e nos mantêm alertas.
Como escolher a luminária que melhor combina com um determinado décor?
Privilegiando a simplicidade. Em geral, as luminárias contemporâneas combinam com tudo. De linhas mais modernas, facilitam as composições de espaço, sem perder sofisticação. Pessoalmente, gosto de mesclar objetos antigos e modernos, mas reconheço que não é fácil acertar. O melhor mesmo é escolher peças atemporais.
A luminária batizada de Led it be
Quais as novas tendências do setor?
Tenho um pouco de preconceito com tendências. Acho que elas engessam o processo criativo. De todo modo, tenho observado dois aspectos mais fortes: um retorno ao vintage, de luminárias com toque retrô, e a miniaturização. Os arquitetos gostam bastante de luminárias sem abas, que podem ser inseridas em furos no gesso.
E quanto aos materiais utilizados, há novidades?
Há uma busca por caminhos mais sustentáveis, por materiais de fácil reciclagem. O alumínio e o plástico, muito usados hoje, são obtidos a partir da extração de recursos não-renováveis, como a bauxita e o petróleo. No futuro, o uso da fibra de bananeira, que pode ser replantada, e os bioplásticos, derivados de plantas, deve crescer bastante. A madeira de extração certificada também deve ganhar mercado. Mas a influência da sustentabilidade não se limita ao meio ambiente: ela também deve pautar inovações que proporcionem bem-estar às pessoas.
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