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sábado, 8 de março de 2014

OS FILHOS NÃO SÃO DA GENTE

Quando os meninos estavam no colegial eu pensava que eles deveriam fazer um intercâmbio em país de língua inglesa, mas como sempre agi de forma muito democrática (no que acho que errei), respeitei que o Fábio quisesse ir logo prestar vestibular e o Mauro recusasse um intercâmbio porque não poderia trabalhar lá fora.

Assim sendo, optamos por deixá-lo viajar de mochilão nas costas, e hospedando-se em albergues, conforme sugeriu a garota que nos atendeu num desses programas de intercâmbio.
Voltamos pra casa, amadurecendo a ideia e, ao comentar com o Fábio ele reivindicou o direito de viajar junto.
Fiquei mais tranqüila, porque o Mauro era menor de idade e os dois juntos estariam mais seguros.
O Walter topou patrocinar a aventura e então partimos pro roteiro.

Para isso tivemos a assessoria de um casal de amigos que havia viajado o mundo, os saudosos Sylvio e Ione.
Roteiro feito, partimos pra pesquisa de albergues e trens.
Nessa  época não contávamos com a internet, portanto, tivemos que pesquisar no Manual do Albergue da Juventude e no Guia de trens Eurail pass.
A partir da passagem São Paulo/ Madri e do roteiro, que sugeria tantos dias em cada cidade, reservamos os albergues, quase todos, bem como compramos os tikets que davam direito a viajar dois meses pela Europa, bastando pra isso preencher as folhas relativas a cada dia, especificando a cidade.
Cada um levou U$ 3000,00 em traveller check.

Com um amigo, cujos filhos eram chegados em aventuras, arranjamos as Mochilas e organizamos as roupas: 1 calças jeans, 7 camisetas brancas, cuecas, meias, minhocões e camisetas de manga comprida e um bom agasalho pra cada um. Não me recordo mais, mas creio que dois pares de tênis (ou será que foi um só).

Estava tudo reservado, quando o André, amigão do Fábio, contando pra mãe da aventura da viagem, recebeu o incentivo dela pra que fosse também. E ele conseguiu providenciar passaporte, passagem, tickets de trem e reserva nos mesmos albergues, em tempo recorde.
A ida do André deixou o Fábio mais aliviado, já que se sentia responsável pelo Mauro.

Assim, no início de janeiro de 1991, embarcamos os três jovens num vôo da Iberia com destino a Madri.
Tentei reproduzir aqui o roteiro, mas precisei da ajuda do Fábio: Madri, Toledo, Lisboa, com direito a Cascais e Sintra, Sevilha, Málaga, Granada, Barcelona, Mônaco, Lerici (La Spezia), Roma, Florença, Pisa, Veneza e Trieste.


Aqui um parêntese - o André tinha a avó paterna morando em La Spezia e lá foram eles passar uma semana na casa da avozinha querida, onde se deliciaram com os quitutes especialmente feitos pra eles, além de terem suas roupas todas lavadas e colocadas pra secar com a ajuda dos vizinhos.
O Fábio lembrou que quando chegaram, com barba por fazer, e tocaram a campainha, Dona Maria Assunta, fechou a porta assustada para só abrir depois de uma certa insistência do neto, que batia na porta e dizia: - Nonna, sono io....André.
Telaro, em Lerici com a avó do André e postal do albergue de Strasbourg



E depois da Itália, foram a Berna, Interlaken, Viena, Salzburg, Heidelberg, Munique (onde passaram o Carnaval), Bruxelas, Brugges, Amsterdã, indo terminar em Paris. De Paris não queriam mais voltar. Estenderam a volta pra aproveitar um pouco mais.
Granada, Pisa, Salzburg e Florença

Amsterdã, Toledo, Paris e Madri


Foram dois meses em que viveram uma experiência incrível, com aventuras,  medos, traquinagens, passando frio, assustados com a perda do passaporte do Mauro, logo no primeiro dia (depois achado na própria mochila), com viagens noturnas de trem e o confronto com caras estranhos, pagando multa por terem dormido em uma cabine do trem, sem terem pago por isso, enfim. 
E, como não tinham toda essa noção de dinheiro, fizeram muita economia, comendo em bandejões, e comprando lanches em supermercados, tanto que voltaram com dois terços do que levaram em dinheiro.
Chegaram mais gordos (das inúmeras besteiras consumidas), cabeludos e barbudos, mas, tenho certeza de que foi inesquecível. Uma lembrança que vai ficar pra sempre de um período sem cartão de crédito, sem celular e sem as facilidades que hoje temos de comunicação.
Madri, Cascais, Bruges e Barcelona

Fico feliz de, com o Walter, ter proporcionado essa experiência aos dois.
Fico mais feliz ainda por ter esses depoimentos:
Do Fábio: “Muito boa mesmo a experiência. Muito legal o que vocês fizeram pela gente. Não sei se hoje, com a Júlia, eu teria coragem.”
Do Mauro:"Naquela época, sem internet, nos falávamos por telefone. Com a distância, a saudade era maior. Foi a primeira vez que ficamos tanto tempo longe e sozinhos.  Foi demais. Uma viagem que me fez amadurecer muito, uma oportunidade única. Lembro que quando voltei fiquei diferente alguns dias, consegui olhar o mundo de uma maneira diferente, voltei mais decidido."





domingo, 17 de junho de 2012

FESTAS JUNINAS


Não lembro se na minha época de colégio havia festas juninas.
Do que me recordo é das quermesses, com prendas, barracas, música, mas não sei se isso acontecia em junho ou se tinha a ver com eventos de outubro, mês das missões. Vou procurar me informar.
O fato é que, desde que os meninos entraram na escola, sempre participamos de todas as festas juninas.
O Fábio sempre detestou vestir-se de caipira. Pro Mauro, tudo bem.
Fábio 


O engraçado é que como os três aqui são de junho, comemoramos muito aniversário com festa caipira. Pipoca, pinhão, quentão, vinho quente, bolo de fubá, bandeirinhas. Acho que isso ficou tão marcado que fez com que eles não quisessem mais saber de comemorar assim. 
Mas, nas escolas estávamos sempre presentes, levando prendas, fazendo sanduíches pra vender, trabalhando nas barracas, fazendo pipocas, enfim, sempre ativos. Mais até dos que os meninos.
Isso nos permitia integrar com os outros pais com quem fizemos grandes amizades. 
Sinto falta dessa integração. Depois que os meninos casaram, não tivemos mais contato nem com os pais, nem com muitos amigos deles, com raras exceções. E, quando os encontramos é em casamentos, aniversário de neta ou velórios. 
Agora, frequentamos as festas de escola de neta. Por enquanto, da mais velha. Neste ano ela se vestirá de índia. E teve que ensaiar umas 7 músicas, mais ou menos, que falam do folclore, do Bumba meu boi,  músicas bem regionais que desconhecíamos, mas que ela está vibrando por aprender. Vamos aprender também. Essa reciclagem só faz bem.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

O mês de junho, pra mim, é muito significativo


No dia 12 de junho de 1974 mudamos para um sobrado de uma série de 6, na Vila Madalena, ou Alto de Pinheiros, ou Boa Vista, quem sabe. São as diversas formas como é chamada a região.
Após a venda e entrega do apartamento onde moramos de novembro de 1970 a abril de 74, tivemos que acampar no apartamento da minha mãe, uma vez que a casa que compráramos não se encontrava pronta para habitar.
No período de abril a junho ia eu todos os dias resolver pendências na nova casa. Era o carpete que não foi entregue, ou os armários embutidos, ou ainda a pintura do imóvel, enfim. Só aborrecimentos costumeiros em final de obra.
Tudo estaria melhor, se não estivesse eu com 7 pra 8 meses de gravidez tendo que subir uma danada de uma ladeira pra conseguir pegar um táxi na Rua Cerro Corá. 
Enfim, no dia 12 fizemos a tão esperada mudança. 
Com aquele barrigão, passei a tentar organizar tudo da melhor forma.
Ali, na casa nova, não havia nem telefone, nem varal, nem eu tinha como me locomover, uma vez que só tínhamos um carro, que o Walter utilizava para ir pro trabalho, diariamente. E, pra completar, era longe de tudo. 
No sábado, dia 15, conseguimos finalizar, graças à habilidade de um marceneiro, que havíamos conhecido perto do novo endereço, alguns móveis necessários à nova casa, bem como uma sapateira e um portãozinho para o alto da escada, já que o Fábio acabara de fazer 2 anos.  
À tarde, me dirigi à padaria, pra telefonar pra minha mãe, dando notícias.
E ela, preocupada com o meu estado, pediu pelo amor de Deus, que eu parasse um pouco, porque eu tinha que me lembrar que estava prestes a dar à luz.
Disse a ela pra ficar sossegada, já que eu tinha conseguido colocar tudo no lugar e iria descansar no domingo.
Depois de uma noite gelada de junho acordei umas 7 horas da manhã sentindo uma “coliquinha” estranha. Perguntei ao Walter se dia 16 era um bom dia pro(pra) nenê nascer.
Ele pulou da cama e preocupado verificou o que seria necessário fazer.
Levou o Fábio pra ficar com a minha mãe e voltou pra me acompanhar no que fosse preciso.
Como meu sogro não andava bem de saúde, nada foi dito pra eles.
E, às 13:00h mais ou menos fomos pra Maternidade São Paulo, onde minha médica atendia.
Às 17:00h nascia meu caçula. 
Eu que havia tido uma gravidez totalmente diferente da primeira, tinha a certeza de que seria uma menina, a Marcella, mas o Walter estava certo de que seria outro menino.
Talvez, por tudo que passei na gravidez, de aborrecimento e correria por conta da construção da casa, ele nasceu com peso de prematuro, 2,400 kg e 47 cm e também teve cianose (ficava com as extremidades roxinhas) o que o levou a ficar na encubadeira por uma semana.
Só percebi que algo de anormal acontecia porque não vieram buscar as roupinhas que ele deveria vestir. E, então, avisada, minha mãe ligou pro pediatra, o Dr. Luiz ,que veio à maternidade me explicar o que estava acontecendo.
Foi muito duro voltar pra casa sem meu bebê nos braços.
Hoje, ele se tornou esse homem forte, lindo, por fora e por dentro e também por quem sempre peço proteção divina.
Que Deus proteja sempre você, meu amor.
Os filhos, com 38 ou 40 anos, serão sempre nossos queridos meninos e a razão da nossa existência.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

HÁ QUARENTA ANOS...

Há quarenta anos eu me preparava para a maior e melhor experiência da minha vida, a de ser mãe. 
Naquele dia 6 de junho, eu sabia que esse acontecimento estava prestes a acontecer.
E ficava me perguntando se seria homem ou mulher (não havia ultrassom à época); se seria louro(a) ou moreno(a); se nasceria com saúde (essa, uma preocupação íntima, que eu procurava não dividir com ninguém). 
E, então, às 7:00h da manhã do dia 7 comecei a sentir que o dia havia chegado.
Às 17:40h daquela quarta-feira, nascia meu primogênito. 
Que imensa alegria! 
Essa sensação jamais deixou de existir. Não há sentimento mais forte do que aquele que une uma mãe ao seu filho. 
Os anos podem passar, mas os filhos serão sempre os nossos bens maiores.
Deus o abençoe muito, meu querido. E que o proteja sempre de todo e qualquer mal.
Mil beijos 

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

SAUDOSOS SABORES

Interessante o que passa conosco quando somos jovens e vivemos na casa dos nossos pais. Não vemos a hora de ter nosso canto. Poder fazer ali a bagunça que quisermos. Receber amigos a qualquer hora. Comer, dormir, tomar banho na hora que der vontade. Enfim, ser livres.
Lutamos por isso e conseguimos essa "liberdade". Faz parte da evolução do ser humano.
No entanto, o tempo vai passando e começamos a ter saudade de tanta coisa da casa dos nossos pais. Aquele porto seguro que nos amparou em tantas ocasiões.
E os sabores, então. Aquele macarrão com molho, o picadinho com batata, o xuxu frito, a carne seca acebolada, o pudim de leite condensado, o manjar branco, a simples saladinha de tomate.
Eu, por exemplo, ficava muito na casa dos meus avós. E de lá, tenho, até hoje, grandes lembranças: do abacate amassado com limão e açúcar que a vovó preparava na hora da sobremesa, ali mesmo, na nossa frente; do pão, isso, o pãozinho francês. Juro que tinha gosto diferente. No lanche da tarde, tomávamos café com leite, pão amanhecido com manteiga e queijo e eu lembro do gosto daquele pãozinho. Inesquecível. Muito raramente, hoje, sinto aquele gosto num pãozinho. E como é bom!
As comidinhas da minha mãe também tinham um sabor tão caseiro, tão bem feitinhas. Coisas simples, as sopas, o arroz com feijão, os bifes acebolados, enfim, que saudade que dá.
Meus filhos resolveram sentir saudade enquanto ainda é possível resgatar aqueles sabores.
O Mauro, que passou uns meses aqui em casa, me fez recordar o cardápio de sua infância e matou a vontade.
Agora, o Fábio que está trabalhando mais perto, também resolveu repassar o antigo cardápio.
Começamos com Purê de batatas com carne moída refogada, cobertos com requeijão e levados ao forno pra gratinar. A primeira vez que fiz essa receita, um amigo do Fábio, o Bolê almoçou lá em casa e adorou. Ficou conhecido como o prato do Bolê. Essa foi a primeira pedida e o Fábio gostou bastante.
Semana que vem vou fazer outra lembrança. É engraçado isso. Parece que o tempo volta.

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

APRENDENDO COM OS FILHOS


Há um momento, na vida em família, que os papéis se invertem. Os filhos passam a cuidar dos pais, a dar conselhos, a se preocupar.
No caso dos meus pais e dos pais do Walter, isso pra mim era mais do que normal.
No entanto, no caso dos meus filhos e noras, com relação a nós, ainda tenho certa dificuldade em dividir preocupações.
Acho que tenho que resolver os problemas que surgem, sem amolá-los e eles têm ficado muito bravos comigo.
Acostumei a poupar meus pais, os pais do Walter e, consequentemente, os filhos, esquecendo que hoje eles não são mais crianças e que podem nos ajudar a enfrentar dificuldades. Estou me esforçando pra mudar isso.

O Tom Figueiredo foi o primeiro que comentou sobre essa inversão de papéis, ao contar que o filho, então com uns 14 anos, ficou cuidando dele no mar, com medo que ele se afogasse. Essa preocupação o fez ver que o filho estava crescendo.
É preciso mesmo acontecer uma situação dessas para percebermos que os filhos já não são mais crianças. E é muito rica essa troca.
Sentimos isso muitas vezes, das quais recordo aqui algumas:

No Rio de Janeiro
Cabo Frio
Em 1985 fomos com os meninos para o Rio. E tivemos uma experiência inesquecível. Estávamos na praia de Copacabana e como os meninos tinham entrado no mar e nós não tínhamos visibilidade total, porque a praia formava um degrau, achei que o Walter deveria ir ver onde eles estavam. Fiquei tranquila, tomando sol. Depois de algum tempo, chegaram os três. O Walter exausto. Ele, ao entrar no mar, num local que também tinha uns degraus,  perdeu o pé e se afobou. Os meninos é que conseguiram tirá-lo, são e salvo, da água. O Fábio, tentando acalmá-lo e direcionando e o Mauro fazendo força empurrando, salvaram o pai.



Minha ansiedade em viagens
Costumo planejar minhas viagens nos mínimos detalhes. Faço planilhas que contêm datas,  meio de transporte, país, cidade, hotel, endereço do hotel e telefone, etc.
Em princípio, isso é muito bom, mas eu deixava de aproveitar, totalmente, porque de manhã eu já estava pensando no que iria fazer à tarde e à tarde no que iria fazer à noite e à noite já estava me programando para o dia seguinte. Isso irritava o Walter, bastante.
O Fábio agia um pouco como eu.
Na primeira viagem que ele fez com a Ulli, ela, boa baiana que é, fez que ele visse que, às vezes, vale a pena curtir um lugar, mesmo que seja pra ficar ali sem fazer nada.

Numa das vezes em que me preparava para viajar, o Fábio me aconselhou a ser menos ansiosa e curtir mais o momento. Foi um bom conselho que eu tenho tentado botar em prática.

Viajando com Mauro e Carol
Em 2008, viajamos com o Mauro e a Carol durante uns 15 dias. Deixamos por conta deles todas as providências, como escolha e reserva de hotel, estudo dos mapas das cidades e roteiro de passeios. Além disso, o Mauro dirigiu o carro o tempo todo e a Carol fez as vezes de guia turística, traduzindo do alemão e orientando quanto às comidas e bebidas nos restaurantes. Foi uma tranquilidade. Não precisamos nem pensar. Só foi ruim porque ficamos mal acostumados.

sábado, 4 de dezembro de 2010

LEMBRANÇAS DE NATAIS


São muitas as lembranças que ficaram de tantos natais: da alegria das crianças, dos preparativos, de pessoas tão queridas, das surpresas, do suspense. Tantas. Desde minha infância.

1 – da minha infância
Inesquecíveis foram os Natais passados com meu tio Moacyr. Ele era incrível. Juntava a família e fazia questão de que todos se sentissem bem. Eu era a mais nova. E os primos me alugavam. Faziam brincadeiras, me pregavam peças. Mas eu os adorava.
Lembro de uma vez que o meu primo Quinho me serviu de sobremesa molho pardo (como se fosse doce de leite) e queijo. E eu, pra não dar o braço a torcer, depois de provar aquela coisa horrível, fingi que nem tinha provado.
Ganhava presentes lá e quando chegava em casa encontrava o que tinha pedido.
Era uma festa. Imagino o sacrifício que meus pais faziam pra satisfazer minhas vontades, não que eu pedisse muita coisa, mas é que a vida não era nada fácil.
Numa das minhas idas ao Mappin ou Clipper, lojas que,  já naquela época, contratavam um papai noel, pedi a ele uma parede. Tinha uns 5 anos. E ele me perguntou pra que eu queria uma parede e eu não me lembro de ter explicado.
Hoje fico pensando que talvez fosse porque eu gostava de pegar uma brocha esquecida por algum pintor, passar bastante sabão e bater na parede do quintal pra que imitasse uma textura crespa. E minha avó, mãe do meu pai, ficava brava comigo por causa daquela “arte”. Creio que desejei ter uma parede em que pudesse fazer o que quisesse.
Papai Noel não satisfez meu desejo...


2 - Natais dos meninos
Quase todos os Natais foram na nossa casa. Juntávamos primos, pais, cunhados, tias, sobrinhos, futuros primos, amigos. Era sempre muito bom.
Colocávamos os presentes das crianças num saco. Os primos  ajudavam nessa ‘mise en scène’ enquanto nós distraíamos as crianças. E, à meia noite, alguém batia à porta ou tocava um sino e ali estavam os presentes que eles queriam.
Era divertido.
Num dos natais, o Fábio havia escolhido um carrinho e o Mauro outro. Compramos e escondemos no alto do guarda-roupa. Depois o Fábio resolveu escolher outro carrinho no lugar do primeiro. Resolvemos comprar. Só que guardamos no mesmo guarda-roupa.
Na hora de colocar no saco de brinquedos, meus primos pegaram os dois pro Fábio e o Mauro ganhou só um.
Foi difícil explicar pro Mauro porque o Fábio havia ganho dois carrinhos.

Outra vez, quando algum vizinho tocou um sino, o Maurício, meu sobrinho, saiu na janela e jurou ter visto o trenó do Papai Noel.
Eles acreditaram em Papai Noel até uns seis pra sete anos. Ou quiseram acreditar.

E teve o Natal em que o Fábio, com uns 13 anos pediu um walk-man e o Mauro (11), uma bicicleta. Os dois presentes no jardim chamaram a atenção pela diferença de tamanhos.

Foram muitos os domingos que antecediam o Natal, que nos dirigimos ao Clube Paineiras do Morumbi, pra festa que anualmente acontecia ali.
Era um Papai Noel, dos mais bonitos que já vi. Até nós, pais, ficávamos emocionados quando ele descia de helicóptero perto da Piscina. Era um acontecimento.

Depois vieram os Natais da Rafa e do Guilherme, filhos dos primos, que também tiveram seus momentos de glória. O Guilherme até hoje, com 22/23 anos,  adora passar o Natal com a gente. Embora, depois que se foram nossas velhinhas, eu me sinta desobrigada de realizar a festa de Natal aqui em casa.

Agora, temos  procurado fazer os Natais de Júlia inesquecíveis. Talvez, no próximo Natal, ela já não acredite mais na figura do bom velhinho.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

SUSTOS, PONTOS E VIZINHAS AMIGAS


A vida de mãe e pai não é só de alegrias, como todos sabem.
Tivemos nossos momentos de sustos. E que sustos!

O Mauro começou cedo e não parou.
A primeira ida pro Pronto Socorro foi quando ele tinha 1 aninho e bateu o canto dos olhos na quina da mesinha da sala.
Corremos pro Hospital Pan Americano. Não foi preciso dar pontos, apenas um curativo, mas o coração de mãe ficou apertado.

A segunda vez, ele já estava na escolinha, tinha uns 3 anos e cortou o supercílio.
Me ligaram da escola dizendo que tinham levado ele pro Pronto Socorro. Lá fui eu desesperada. Ele levou uns 4 pontos e tudo correu bem.

Cortou a mão numa porta de vidro aos 4 anos, mas quem se assustou foram as avós, que estavam tomando conta deles porque nós havíamos viajado. Quem acudiu foi a Deja, uma das secretárias do outro capítulo e uma vizinha muito amiga, a Bel, mãe da Alê (a que deu confort) e da Claudia, (que tomou o confort), hoje mãe de 3 bebês e que mora nos Estados Unidos. Nessa ocasião, ele levou 8 pontos.

Por duas vezes cortou o queixo (uns 4 ou 5 pontos cada uma)  e aos 6 anos quebrou o braço esquerdo. Ele que é canhoto.
E alguém pensa que ele ficava quieto. É claro que não. Tinha uma vitalidade que não parou nem quando teve hepatite aos 9 anos, que o obrigou a ficar de cama por 3 meses. Jogava vídeo game o dia todo.

Ele e o Gian Fábio, outro arteiro, contabilizavam os pontos que levavam pra ver quem fazia mais.
No feriado de Páscoa o Gian cortou a orelha numa árvore e o Mauro quebrou
o braço jogando bola,  cada um louco pra contar pro outro sua façanha

Até que o Fábio,  que nunca tinha quebrado nada, aos 14 anos, jogando bola com o Mauro na garagem de casa, para se segurar, enfiou o braço na porta de vidro e fez um estrago.
Dessa vez quem me ajudou a levá-lo pro Pronto Socorro foi a Beth, outra grande amiga, vizinha.
Foram duas cirurgias, muitas orações e muuuuuuuuuuiiiiiiiiiiiiitos pontos.
O Mauro e o Gian nunca mais quiseram apostar quem tinha mais pontos.
O Fábio com essa façanha ganhou estourado dos dois.
Graças à Ana, outra amiga, vizinha, que conhecia um senhor cirurgião de mão, o Dr. Heitor Ulson, foi feita uma microcirurgia e, após dois anos de  terapia ocupacional, não ficou senão uma pequenina seqüela, no dedo mindinho um pouco insensível.

Ah, graças a Deus eles cresceram, dirão vocês.
Aí vieram as batidas de carro, e algumas outras façanhas que nos fizeram correr pro Hospital das Clínicas ou delegacia, no meio da noite. 
Ossos do ofício. Mãe e pai são pra isso mesmo.
Fora as vezes que não ficamos sabendo...
Hoje estão bem, responsáveis, bem sucedidos e ótimos seres humanos.
Mas, desejo ardentemente, que nunca, mas nunca mesmo levem nenhum susto com os filhos. 
Toc toc toc. (Estou batendo na madeira) rsrsrs. 

domingo, 7 de novembro de 2010

MAIS FÁBIO E MAURO


O Fábio e o Mauro têm uma diferença de 2 anos. Quando o Mauro nasceu tínhamos nos mudado de um apartamento para um sobrado, fazia 4 dias.
Então era tudo muito novo pro Fábio. Casa nova, quintal, bairro novo,irmão, e uma mãe dividida com as preocupações de um bebê, que nasceu muito pequenino e ainda ficou na encubadeira da maternidade por uns dias a mais.
Quando ele fez 2 anos e 7 meses achei que devia colocá-lo na escolinha pra ele ter amigos e se relacionar com crianças.
Não sei se foi uma boa idéia. Ele chorou durante , mais ou menos, um ano e meio, todos os dias, quando ia pra escola.
Até o Mauro, que com um ano  ia comigo levar o Fábio, ao virar a rua da escola dizia:
- Não vai chorar, hein, Fabinho!

Não sei se hoje eu teria insistido tanto. Mas, naquela época, eu achava que estava fazendo o melhor pra ele.

Havia uma propaganda, (não me lembro de quê) com um homem pessimista, cujo diálogo o Fábio sabia de cor e costumávamos repetir.
Era mais ou menos assim:

Dois amigos se encontravam
- Ô meu velho, como vai?
- Mais ou menos. Meu filho amanheceu gripado.
- Ah! mas isso passa. Que lindo dia não?
- É, mas pode chover.
- Vai assistir ao jogo hoje?
- Pra que? Pra ver meu time perder?

E o locutor entrava falando:
O pessimista é, antes de tudo, um chato.

Numa das vezes que estávamos fazendo o diálogo, o Fábio perguntou:

- Mãe, o que é um pessimista?

Procurei explicar:
- É um cara desanimado, que acha tudo complicado, que não gosta de nada.
E repeti as frases do pessimista assim com bastante enfado;
- é, mas pode chover.
- pra que? Pra ver meu time perder?
E finalizei:
 - Sabe, um cara chato assim? Quem chora à toa também é chato, né? - falei meio rindo.
E ele:
- Eu, né???

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

O Bar do Mauro

O Toninho me fez lembrar do Bar do Mauro. O famoso Espaço Paulista, na Antonio Bicudo, em Pinheiros.
Durou de 97 a 2002, mas deixou saudade. Todo mundo se recorda dele.
Era um ponto de encontro. A copa de 98, assistimos lá.
E a feijoada?! Quem não se lembra da feijoada de sábado? Feita pela Alessandra, com carinho e boas carnes.
E o dia da massa. Não sei como chamava o rapaz, que excêntrico, ou exótico, vinha fazer, a cada 5ª feira, uma massa diferente.
Um dia, na última hora, ele avisou que não poderia vir.
O Mauro ia cancelar a massa. Eu disse que não. Eu faria a massa daquela 5ª feira.
Fazer massa na casa da gente, pra meia dúzia de pessoas é tranquilo, né? Mas fazer pra um bando de gente que vai aparecendo a toda hora é mais complicado.
Mas deu certo.
Todo mundo ajudou. Ulli, Fábio, Walter.
Pusemos literalmente a mão na massa. E todo mundo gostou.
Na verdade, o que sobrava ali era calor humano.
Bons tempos. Saudades de tanta gente que víamos sempre.
O Bar do Mauro, digo, o Espaço Paulista, teve grandes e bons momentos. De festas, de boa música, de reencontros, de comemorações, de alegria, de trabalho.
Mas, como tudo, passou.
Deixou lembranças.

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

HISTÓRIAS DAS CRIANÇAS

Seguem algumas passagens com as "crianças" que acho interessante deixar registradas:

Parei de trabalhar em 1973. O Fábio tinha 1 ano. E eu engravidei do Mauro. Aí ficou mais difícil de voltar.
Por um lado sentia falta do trabalho, mas por outro, tive oportunidade de conviver com os meninos até a adolescência. Foi uma convivência muito boa e sempre nos lembramos de fatos que aconteceram.

Fui uma mãe um tanto exagerada, reconheço, a ponto de em certa época, após a detecção de uma lordose no Mauro, eu colocá-lo em dois cursos de Natação:um às 3ª e 6ª (na Escola de Educação Física da USP) e outro às 3ª e 5ª (no Clube Paineiras do Morumbi).
Então a terça-feira era complicada. Ele saia de roupão do Clube e tínhamos meia hora pra chegar na USP.
Nesse dia o Fábio treinava futebol. E era um custo tirá-lo do banho.
Eu ficava estressada. Além do mais, o trânsito não colaborava.
Certo dia, estava chovendo e eu fiz com que eles me esperassem na Portaria do Clube, enquanto eu ia pegar o carro no estacionamento.
Peguei o carro e fui embora. Passei reto pela portaria.
A cabeça funcionando, pensando alto no que ainda teria que fazer.
Já tinha andado uns 300 metros quando percebi que não tinha pegado as crianças.
Voltei, achando que estava ficando louca, dando risada, com vergonha.

O Fábio me recebeu com ar de reprovação, balançando a cabeça, como se dissesse:
- Essa minha mãe...
E me contou que o Mauro, quando me viu passar reto, disse:
- Ih! A mamãe foi embora.
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Na época em que as crianças faziam natação na USP, saíamos de lá já à noitinha.

Soubemos que alguém havia sido assaltado lá. Então combinei com os meninos que íamos entrar no carro rapidinho. Sem brigas de quem iria sentar na frente.
Fizemos um trato. Eu abria a porta do carro, Fulano entrava na parte de trás e destravava a porta da frente para Sicrano. E ainda havia a Roberta pra quem eu dava carona, que teria que entrar logo após Fulano.
Tudo muito bem combinado.
Na hora H, quem diz que eu consegui abrir a porta do carro?!?!?!

Acabamos dando muita risada.

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O Fábio fazia terapia nos Jardins no final do dia.

Eu pegava o Mauro no Prezinho e passava na USP, pegava o Fábio que estudava na Escola de Aplicação e lá íamos nós atravessar a Francisco Morato que na confluência com a Valdemar Ferreira tinha um farol que permitia a passagem de, no máximo, uns 3 a 4 carros e fechava. Perdia-se muito tempo ali. Eu tinha que correr pra não chegar atrasada na Psicóloga.

Enquanto o Fábio era atendido, o Mauro morria de sono e eu procurava distraí-lo como podia naquele consultório sóbrio com móveis todos de couro marrom.

Havia ali um prato grande com muitas conchinhas, com as quais, um dia, ele se distraiu brincando. Na hora de ir embora ele colocou várias conchinhas nos bolsos.

Quando eu percebi, fiz ele colocar no lugar e fiquei brava, dizendo que não era dele e que ele não podia levar pra casa.

No carro ele me perguntou:

- Mãe, ladrão tem mãe???????
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O Mauro tinha uns 2 anos e comia uma laranja em gomos. Guloso que era, se deliciava.
- Come essa 'mixirica', Fabinho.
- Hummm! Tá muito boa essa 'mixirica', come Fabinho.

E o Fábio com 4 anos, vendo que ele chamava a laranja de mexerica, fazia um ar de superioridade, dando uma risada meio debochada.
E como o Mauro insistisse, ele acabou dizendo:

- Não é 'mixirica', Mauro. 'Mixirica' é outra espécie.
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Certo dia, o Fábio, (uns 4 anos) brincou de apostar corrida com o Dalton, (uns 6 anos) que morava vizinho à casa da minha sogra.
E depois ele me contando:
- Nós brincamos bastante. Na subida o Dalto ganhou. Mas na descida, eu quase ganhei.
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Eu orientava sempre os meninos, que não aceitassem nada de comer de ninguém na rua.
Eles me perguntaram se podiam comer o que um pai ou mãe de amiguinhos oferecessem.
Eu disse que nesse caso sim, podiam aceitar.

Um belo dia, vem o Mauro correndo, todo esbaforido pra casa, com duas balinhas na mão.
- Mãe, um homem que não é nenhum pai deu essas balinhas pra gente. O Fábio disse que não é pra gente comer.
Fui ver quem era o tal homem, ao qual ele se referia.
Era um senhor que mensalmente vinha receber uma contribuição para o Instituto de cegos Pe. Chico. Eu o conhecia de algum tempo.
Ele me disse que sempre tinha umas balinhas para dar pra criançada.

Mas o que valeu é que eu vi que eles obedeceram e entenderam que não podiam aceitar nada de estranhos.
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Quando o Fábio estava com 5 pra 6 anos, a orientadora da escolinha que ele frequentava me chamou e disse que, pelo que ela percebia, estava na hora de eu ler um livrinho chamado “De onde vêm os bebês” para ele e que até poderia contar para o Mauro também.
Era um livro todo ilustrado, que ensinava como se dava o ato sexual através dos animais: o galo e a galinha, o gato e a gata, o cachorro e a cachorra, e ia contando numa linguagem simples como acontecia a coisa.

Eu me enchi de coragem e sentei no meio dos dois pra contar a “história”, que terminava com um casal deitado lado a lado na cama.
O Fábio fez o seguinte comentário:
- O papai subiu em cima de você, mãe????
Tentei contornar a situação e como ele não comentasse mais nada, pedi ao Walter que conversasse com o Fábio e tentasse saber o que ele tinha entendido.

O Walter aproveitou a hora do banho e perguntou se eu tinha lido o livrinho pra eles.
O Fábio respondeu que sim.
- E o que você achou da história? Disse o Walter.
- Pai, quando vocês forem fazer outro nenê, vocês me chamam?!?!?!.
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