sábado, 4 de dezembro de 2010

LEMBRANÇAS DE NATAIS


São muitas as lembranças que ficaram de tantos natais: da alegria das crianças, dos preparativos, de pessoas tão queridas, das surpresas, do suspense. Tantas. Desde minha infância.

1 – da minha infância
Inesquecíveis foram os Natais passados com meu tio Moacyr. Ele era incrível. Juntava a família e fazia questão de que todos se sentissem bem. Eu era a mais nova. E os primos me alugavam. Faziam brincadeiras, me pregavam peças. Mas eu os adorava.
Lembro de uma vez que o meu primo Quinho me serviu de sobremesa molho pardo (como se fosse doce de leite) e queijo. E eu, pra não dar o braço a torcer, depois de provar aquela coisa horrível, fingi que nem tinha provado.
Ganhava presentes lá e quando chegava em casa encontrava o que tinha pedido.
Era uma festa. Imagino o sacrifício que meus pais faziam pra satisfazer minhas vontades, não que eu pedisse muita coisa, mas é que a vida não era nada fácil.
Numa das minhas idas ao Mappin ou Clipper, lojas que,  já naquela época, contratavam um papai noel, pedi a ele uma parede. Tinha uns 5 anos. E ele me perguntou pra que eu queria uma parede e eu não me lembro de ter explicado.
Hoje fico pensando que talvez fosse porque eu gostava de pegar uma brocha esquecida por algum pintor, passar bastante sabão e bater na parede do quintal pra que imitasse uma textura crespa. E minha avó, mãe do meu pai, ficava brava comigo por causa daquela “arte”. Creio que desejei ter uma parede em que pudesse fazer o que quisesse.
Papai Noel não satisfez meu desejo...


2 - Natais dos meninos
Quase todos os Natais foram na nossa casa. Juntávamos primos, pais, cunhados, tias, sobrinhos, futuros primos, amigos. Era sempre muito bom.
Colocávamos os presentes das crianças num saco. Os primos  ajudavam nessa ‘mise en scène’ enquanto nós distraíamos as crianças. E, à meia noite, alguém batia à porta ou tocava um sino e ali estavam os presentes que eles queriam.
Era divertido.
Num dos natais, o Fábio havia escolhido um carrinho e o Mauro outro. Compramos e escondemos no alto do guarda-roupa. Depois o Fábio resolveu escolher outro carrinho no lugar do primeiro. Resolvemos comprar. Só que guardamos no mesmo guarda-roupa.
Na hora de colocar no saco de brinquedos, meus primos pegaram os dois pro Fábio e o Mauro ganhou só um.
Foi difícil explicar pro Mauro porque o Fábio havia ganho dois carrinhos.

Outra vez, quando algum vizinho tocou um sino, o Maurício, meu sobrinho, saiu na janela e jurou ter visto o trenó do Papai Noel.
Eles acreditaram em Papai Noel até uns seis pra sete anos. Ou quiseram acreditar.

E teve o Natal em que o Fábio, com uns 13 anos pediu um walk-man e o Mauro (11), uma bicicleta. Os dois presentes no jardim chamaram a atenção pela diferença de tamanhos.

Foram muitos os domingos que antecediam o Natal, que nos dirigimos ao Clube Paineiras do Morumbi, pra festa que anualmente acontecia ali.
Era um Papai Noel, dos mais bonitos que já vi. Até nós, pais, ficávamos emocionados quando ele descia de helicóptero perto da Piscina. Era um acontecimento.

Depois vieram os Natais da Rafa e do Guilherme, filhos dos primos, que também tiveram seus momentos de glória. O Guilherme até hoje, com 22/23 anos,  adora passar o Natal com a gente. Embora, depois que se foram nossas velhinhas, eu me sinta desobrigada de realizar a festa de Natal aqui em casa.

Agora, temos  procurado fazer os Natais de Júlia inesquecíveis. Talvez, no próximo Natal, ela já não acredite mais na figura do bom velhinho.

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