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segunda-feira, 2 de maio de 2016

Que tempo bom!

Sábado passado Irene, Janet, Jurema e eu tivemos um encontro muito gostoso num café para matarmos a saudade. Sonia Marney e Eloisa não puderam ir, uma pena.
Estudamos juntas no colegial do Mackenzie há “alguns” anos. Perdemos o contato, nos reencontramos e temos procurado manter esse vínculo.
Janet foi reencontrada agora.
Também temos contato com Bia, Nilza e Regina Lessa que moram fora de São Paulo.
 A Irene, Jurema, Carmem e Bia, estiveram no lançamento do meu livro em dezembro.
A Jurema me contou que esperava que, no meu livro, eu falasse sobre a nossa fase de adolescência.
Resolvi, então, contar aqui sobre o grupinho que formamos no segundo colegial, quando juntamente com a Irene, Janet e mais alguns, passamos do período da tarde para o da manhã.
Ao grupinho composto por Jurema, Ledice, Regina e nia Marney, demos a sigla de JULERESO  (pronuncie-se JULERRESSÔ)
Nossos namorados à época eram Nelson, Paulinho, Didi e André (NEPADIAN)
Parecia um nome francês. Só nós sabíamos o que significava.
Naquela época não havia impulsos telefônicos e costumávamos passar trote. Uma vez, passando um trote por telefone, a Sônia perguntou se o interlocutor já havia lido Julerressô Nepadian, um autor consagrado. E, imaginem, demos muita risada.
A Sônia, que nós chamávamos de Marney, era muito engraçada. Certa vez, ligou para um dos estudantes de engenharia que paquerávamos, como se fosse da secretaria do Mackenzie, dizendo que não haveria aula no próximo dia.
Depois nos arrependemos e ela ligou novamente. Disse que era a esposa do Beluzzo (que era o diretor do colegial do Mackenzie) e que houve um equívoco. Só que ela pronunciou eqüívoco.
Nós caímos na risada.
O cara perguntou quem estava rindo e ela respondeu:
São os Beluzzinhos...
Tempo muito bom aquele que deixou muita saudade. Tanta que fizemos questão de matar com esse encontro de sábado.
Se Deus quiser, haverá muitos outros.

Foto de Beatriz Rivadávia.

domingo, 26 de julho de 2015

Fazendas

                Comecei a usar óculos bem cedo, acho que com uns oito ou nove anos. Dizem que é hereditário. Meu pai era bem míope e minha mãe, um pouco.
 Isso não me atrapalhou, nem sofri bullying. Se me chamavam "quatro olho", eu achava graça e me intitulava assim também. Também não me atrapalhou nas brincadeiras de escola e de rua. Corria, pulava corda, pulava distância, jogava basquete  ( isso sim, é engraçado pois, se hoje tenho 1,55m imaginem naquela época).
 Pois bem, um dia quando eu devia ter uns sete anos,  minha tia Loreto, com quem eu viajava muito, me mostrou várias fazendas.
- Isso tudo é fazenda, tia?
- Sim, Ledice, tudo é fazenda.
 Fazenda, para mim, era tecido. E eu ficava me perguntando por que aqueles tecidos verdes e marrons imensos estavam ali estendidos.
  Somente, depois de adulta fui perceber que eu já deveria ser míope na ocasião.
  Minha miopia começou a atrapalhar quando, adolescente, comecei a me pintar.
  Com dezessete anos, estava bem resolvida a colocar lentes de contato. Uma colega de classe do Mackenzie foi uma das primeiras a usar. Conversei com ela, que me indicou o lugar onde havia mandado fazer.
  Era necessário fazer um teste de adaptação, primeiro num olho só, depois no outro, para verificar se havia rejeição ou alergia. A vontade de tirar os óculos era tanta que fiz tudo direitinho.
 Minhas lentes ficaram prontas no dia do meu baile de formatura. Eu, que deveria começar usando por umas três horas, usei por mais de oito horas e nem senti, tão feliz estava, maquiada e sem óculos.
 Eram lentes acrílicas, com certa rigidez, embora acompanhasse a curva dos olhos. Foram várias as vezes em que as perdi: na rua, em lojas, em casa, em vários lugares. Quando isso acontecia, isolava a área até encontrar. As lentes eram caras e minha mãe havia pago com sacrifício, então eu não podia perder de forma alguma. Depois, tive lentes siliconadas e por último, gelatinosas.
 Mas chegou um momento em que eu tinha que ter, além das lentes, que passei a usar apenas para sair, óculos de perto que colocava sobre elas para ler. Além disso, continuava a usar óculos. Agora de perto e de longe.
Foi quando fui aconselhada pelo oftalmologista a operar a miopia. Com a cirurgia, feita em 1999, passei a enxergar demais. Vejo até uma fileirinha de mini formigas no chão.
O melhor de tudo foi enxergar o relógio de cabeceira. Maravilha!
Hoje uso, apenas, óculos de perto para leitura.
Contei a história das "fazendas" para minha neta, Júlia, que adorou  e hoje, lógico, me amola sempre que viajamos, me mostrando os campos verdes ou marrons das fazendas do caminho.

segunda-feira, 13 de abril de 2015

O Xinxim de Galinha

Era 1965.
Uma quarta-feira antes da Semana de Páscoa. Eu trabalhava há seis meses no Curso Pandiá Calógeras. Professores e nós, funcionários, fomos convidados para um jantar na casa do Patrão, no caso, meu primo Roberto. Lá fomos nós.
Depois de saborearmos o Xinxim de Galinha e batermos muito papo, meu primo e sua mulher, a Catarina, nos deram uma carona, a mim, ao meu colega, e já tão amigo, Walter e a uma professora.
O Walter sentou-se no meio de nós duas. E, em dado momento em que coloquei o dedo na boca, ele tirou minha mão da boca e ficou segurando.
Fiquei imóvel. 
Disfarçadamente, tirei a mão da dele, mas ele agarrou de novo. E, assim foi até meu primo me deixar em casa.
Nada falamos.
Desci do carro com o coração batendo forte, mas sem saber muito o que estava acontecendo.

Fiquei pensando que quando entrei lá, pra trabalhar, tinha um namorado, que não se conformando com o fato de eu ir trabalhar num lugar onde havia tantos rapazes, acabou terminando o namoro. 
Um dos rapazes frequentadores do Pandiá, que já estava na Faculdade de Economia e Administração da USP, junto com o Walter, começou a me acompanhar até o ponto do ônibus diariamente. E, em dado momento, falou que estávamos namorando (Coisas de 1965).  
Mas, quando percebeu que minhas amigas namoravam pra valer e que minha mãe não me deixava sair sozinha com ele, deu uma desculpa esfarrapada, de que entraria em provas (fazia duas faculdades) e nunca mais apareceu. rsrsrs
Fiquei com raiva, mais pelo descaso do que por qualquer sentimento.

Bem, tudo isso pra explicar o que naquele 14 pra 15 de abril, me passou na cabeça:
"Se o Walter não me telefonar ou aparecer, vou ter que sair do trabalho, pois vou ficar falada..."

Mas, eis que na quinta-feira santa ele me liga e pergunta se pode passar na minha casa. 
É lógico que eu disse que sim.
E ele apareceu com um ovo de Páscoa e me convidou pra dar uma volta.
Lembro até com que roupa eu estava.
Naquele dia começamos nosso namoro, combinando que, se um dos dois chegasse à conclusão que não queria mais continuar, seria honesto e verdadeiro.
Estamos nisso há cinquenta anos. 
Nosso casamento se deu exatos cinco anos depois.







Quem sabe, iremos comemorar saboreando um Xinxim de Galinha. Nem me lembro mais como é.

sexta-feira, 14 de março de 2014

O WALTER E O GUARDA

Quando o Walter trabalhava na Lintas, numa das viagens de trabalho, ficou hospedado no Hotel Casa Grande, no Guarujá, com o Sylvio Lima e outros publicitários.
Em uma noite resolveram jantar num restaurante mais adiante, na mesma rua da praia.
Por alguma razão o Walter resolveu ir de carro.
Na volta, como estivesse apenas há algumas quadras de distância do hotel, resolveu voltar na contra-mão. A cidade estava mesmo vazia...
Acontece que um guarda estava atento e de plantão.
Abordou o Walter que, além do mais, estava sem a Carteira de Habilitação.
Apesar dos apelos, o guarda obrigou o Walter a ir buscar a Carteira, a pé, enquanto o carro permaneceria ali.
O Walter, puto, teve que voltar a pé pro hotel e ao encontrar o Sylvio que já ia mais à frente contou:
- Um Filho da Puta de um guarda me pegou e me obrigou a vir pegar meus documentos que deixei no hotel.
O Guarda, que o seguia de perto, ouvindo  o xingamento,  ameaçou prendê-lo   por desacato.
E o Sylvio, político e espirituoso intercedeu:

- Ah, seu guarda, não fique bravo não, ele falou Filho da Puta no bom sentido.

sábado, 8 de março de 2014

OS FILHOS NÃO SÃO DA GENTE

Quando os meninos estavam no colegial eu pensava que eles deveriam fazer um intercâmbio em país de língua inglesa, mas como sempre agi de forma muito democrática (no que acho que errei), respeitei que o Fábio quisesse ir logo prestar vestibular e o Mauro recusasse um intercâmbio porque não poderia trabalhar lá fora.

Assim sendo, optamos por deixá-lo viajar de mochilão nas costas, e hospedando-se em albergues, conforme sugeriu a garota que nos atendeu num desses programas de intercâmbio.
Voltamos pra casa, amadurecendo a ideia e, ao comentar com o Fábio ele reivindicou o direito de viajar junto.
Fiquei mais tranqüila, porque o Mauro era menor de idade e os dois juntos estariam mais seguros.
O Walter topou patrocinar a aventura e então partimos pro roteiro.

Para isso tivemos a assessoria de um casal de amigos que havia viajado o mundo, os saudosos Sylvio e Ione.
Roteiro feito, partimos pra pesquisa de albergues e trens.
Nessa  época não contávamos com a internet, portanto, tivemos que pesquisar no Manual do Albergue da Juventude e no Guia de trens Eurail pass.
A partir da passagem São Paulo/ Madri e do roteiro, que sugeria tantos dias em cada cidade, reservamos os albergues, quase todos, bem como compramos os tikets que davam direito a viajar dois meses pela Europa, bastando pra isso preencher as folhas relativas a cada dia, especificando a cidade.
Cada um levou U$ 3000,00 em traveller check.

Com um amigo, cujos filhos eram chegados em aventuras, arranjamos as Mochilas e organizamos as roupas: 1 calças jeans, 7 camisetas brancas, cuecas, meias, minhocões e camisetas de manga comprida e um bom agasalho pra cada um. Não me recordo mais, mas creio que dois pares de tênis (ou será que foi um só).

Estava tudo reservado, quando o André, amigão do Fábio, contando pra mãe da aventura da viagem, recebeu o incentivo dela pra que fosse também. E ele conseguiu providenciar passaporte, passagem, tickets de trem e reserva nos mesmos albergues, em tempo recorde.
A ida do André deixou o Fábio mais aliviado, já que se sentia responsável pelo Mauro.

Assim, no início de janeiro de 1991, embarcamos os três jovens num vôo da Iberia com destino a Madri.
Tentei reproduzir aqui o roteiro, mas precisei da ajuda do Fábio: Madri, Toledo, Lisboa, com direito a Cascais e Sintra, Sevilha, Málaga, Granada, Barcelona, Mônaco, Lerici (La Spezia), Roma, Florença, Pisa, Veneza e Trieste.


Aqui um parêntese - o André tinha a avó paterna morando em La Spezia e lá foram eles passar uma semana na casa da avozinha querida, onde se deliciaram com os quitutes especialmente feitos pra eles, além de terem suas roupas todas lavadas e colocadas pra secar com a ajuda dos vizinhos.
O Fábio lembrou que quando chegaram, com barba por fazer, e tocaram a campainha, Dona Maria Assunta, fechou a porta assustada para só abrir depois de uma certa insistência do neto, que batia na porta e dizia: - Nonna, sono io....André.
Telaro, em Lerici com a avó do André e postal do albergue de Strasbourg



E depois da Itália, foram a Berna, Interlaken, Viena, Salzburg, Heidelberg, Munique (onde passaram o Carnaval), Bruxelas, Brugges, Amsterdã, indo terminar em Paris. De Paris não queriam mais voltar. Estenderam a volta pra aproveitar um pouco mais.
Granada, Pisa, Salzburg e Florença

Amsterdã, Toledo, Paris e Madri


Foram dois meses em que viveram uma experiência incrível, com aventuras,  medos, traquinagens, passando frio, assustados com a perda do passaporte do Mauro, logo no primeiro dia (depois achado na própria mochila), com viagens noturnas de trem e o confronto com caras estranhos, pagando multa por terem dormido em uma cabine do trem, sem terem pago por isso, enfim. 
E, como não tinham toda essa noção de dinheiro, fizeram muita economia, comendo em bandejões, e comprando lanches em supermercados, tanto que voltaram com dois terços do que levaram em dinheiro.
Chegaram mais gordos (das inúmeras besteiras consumidas), cabeludos e barbudos, mas, tenho certeza de que foi inesquecível. Uma lembrança que vai ficar pra sempre de um período sem cartão de crédito, sem celular e sem as facilidades que hoje temos de comunicação.
Madri, Cascais, Bruges e Barcelona

Fico feliz de, com o Walter, ter proporcionado essa experiência aos dois.
Fico mais feliz ainda por ter esses depoimentos:
Do Fábio: “Muito boa mesmo a experiência. Muito legal o que vocês fizeram pela gente. Não sei se hoje, com a Júlia, eu teria coragem.”
Do Mauro:"Naquela época, sem internet, nos falávamos por telefone. Com a distância, a saudade era maior. Foi a primeira vez que ficamos tanto tempo longe e sozinhos.  Foi demais. Uma viagem que me fez amadurecer muito, uma oportunidade única. Lembro que quando voltei fiquei diferente alguns dias, consegui olhar o mundo de uma maneira diferente, voltei mais decidido."





quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Corridas de São Silvestre

Como eram esperadas as Corridas de São Silvestre da minha infância. 
Todo mundo se reunia em volta da TV, já lá pelas 23:00h do dia 31 de dezembro, pra assistir à corrida, que terminava à meia noite. Era emocionante! Cada ano ganhava um representante de um país.
Lembro-me de que havia um português que andou ganhando algumas vezes.
E eram só os homens que corriam. 
Quando acabava, estava na hora da gente se cumprimentar e desejar tudo aquilo de bom que se deseja no primeiro de ano. Todo mundo se abraçava como hoje.
Mas, o foco principal era a Corrida de São Silvestre.
Depois, não sei precisar quando, mudaram pras 5 horas da tarde. Já ficou menos emocionante, mas, ainda assim, a gente assistia um pouco. 
Não sei se foi aí que começaram a fazer a corrida das mulheres.
E, de repente, fico sabendo que a corrida seria às 8:30 da manhã?
Que interesses devem existir por trás disso?
Este ano nem assisti.
Quando estava tomando café da manhã, o rádio comentava sobre a corrida e sobre a vitória dos Quenianos, primeiro a mulher e depois o homem. Perdeu a graça a corrida, ou eu perdi a graça?
Ou ainda, já não se fazem corridas de São Silvestre como antigamente?!

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

O COLÉGIO, HOJE 'SAGRADÃO'

Gosto, como muitos sabem, de me reunir com 'velhas' amizades, de quando em quando.
Faz bem rever pessoas, que fizeram parte da minha vida em algum momento.
Não consigo deixar pra lá.
Então, sou até insistente com alguns, que devem pensar diferentemente de mim, e eu deveria respeitar.
Bem, mas essa introdução é pra contar que há 3 anos consigo reunir algumas "colegas" do Colégio Sagrado Coração de Jesus, onde estudamos, há muitos e muitos anos... (não chega a ser no tempo em que os bichos falavam)
Neste ano, fomos almoçar em um restaurante na Pompéia: Adélia, Joana, Dulce e Eu.
Temos a vida bem semelhante: aposentadas, casadas, filhos casados, NETOS.
Depois de almoçarmos, conversarmos muito, trocarmos muita figurinha, resolvemos, já que estávamos muito perto, visitar o COLÉGIO.
Fomos muito bem recebidas e ciceroneadas por uma pessoa que lá trabalha. 
Ela nos mostrou o colégio todo. ERA OUTRO COLÉGIO.
Ficamos surpresas com o que se construiu lá: piscina aquecida (enorme), quadras de todos os esportes, sala de ballet. Parece que foram abrindo caminhos para baixo e construindo coisas e mais coisas, inclusive um novo auditório.
Só me identifiquei e me emocionei com a Capela. Esta, tirando os bancos, agora estofados, bem como as joelheiras, continua igual. Quanta recordação ali: das missas festivas,  do uniforme de gala, das primeiras sextas-feiras do mês, em que comungávamos pra completar 9 e, não sei mais pra quê...
Dos encerramentos dos anos letivos, das formaturas. 
E nós sabíamos seguir a missa e cantar como ninguém. 
Senti falta do velho pátio onde corríamos, jogávamos basquete, tínhamos aula de Educação Física (vestidas com uma calça até o joelho debaixo de uma saia abaixo dos joelhos), jogávamos queimada, pulávamos distância num quadrado de areia.
E o velho salão de festas, onde realizávamos festas de final de ano, palco das peças de teatro, do qual participávamos e onde o maestro Italo Izzo nos ensaiava. 
O pátio, hoje todo construído, tem até um coreto. 
No lugar do salão de festas, parece terem construído salas.
Onde fizemos o Jardim da Infância, abriram paredes. Ficou tudo irreconhecível.
Enfim, nos sentimos em outro lugar, não aquele das nossas lembranças. 
Agora, só nos resta visitar  a irmã Luizinha (85 anos), de quem todas nós nos lembramos, que deixou  boas lembranças  e que, segundo elas, deverá visitar o Colégio no fim do mês. Quem sabe... 
Adélia perdida no Colégio

O novo auditório

vejam o tamanho das piscinas


quinta-feira, 19 de setembro de 2013

DENTE QUEBRADO

Aos 6 anos, com o dente definitivo recém nascido, pulando corda, caí de boca no chão e quebrei o dente incisivo superior.
Fiquei passada. Num primeiro impacto, minha mãe ficou brava comigo. Disse que eu ia ficar assim.
Chorei muito. Disse pra ela que eu ia trabalhar, ganhar dinheiro e ia no dentista pra ele arrumar meu dente.
Pedi pra minha mãe não contar pro meu pai.
É lógico que ela contou. E ele, pra ver o estrago, pedia pra ver o meu dente lá de trás. E a boboca aqui, achava que ele era tão distraído que nem tinha visto o dente quebrado.
Quando somos crianças os dentes parecem maiores e aquele quebrado chamava muito a atenção.
O tempo passou. O dentista achou melhor aguardar eu crescer para fazer uma "coroa de jaqueta".
Acostumei. Todos acostumaram. Passou a fazer parte de mim. E, como não houve cárie, ele foi ficando.
Quando o Mauro ficou adolescente, começou a implicar com meu
dente quebrado. Não sei se ele comentou com a minha dentista, à época, só sei que, um belo dia, ela resolveu que ia dar um jeito no meu dente. Fiquei receosa e perguntei a ela o que faria se todos estranhassem. E ela disse que a gente quebrava outra vez.
Cheguei em casa e tive que dar muitos sorrisos pra que  percebessem que o dente quebrado não estava mais ali.

quinta-feira, 28 de março de 2013

A PÁSCOA DA MINHA INFÂNCIA

Estudei em colégio de freiras, então aprendi muito lá sobre religião. Até dei aula de catecismo pras crianças do Grupo Escolar Miss Brown, na Pompéia.
O feriado de Páscoa começava na quinta-feira e ia até a segunda seguinte à Páscoa, que era a Pascoela.
Na sexta-feira santa, seguíamos a procissão que saia da Igreja da Pompéia e ia encontrar com a que vinha da Igreja da Lapa. Era a procissão do encontro de Nossa Senhora com Jesus crucificado. Levávamos velas em castiçais de papelão e muitas vezes nos vestíamos de anjos, que representávamos num quadro vivo.
Durante a quaresma, os quarenta dias que separavam o domingo de Páscoa do Carnaval, não podíamos cantar músicas carnavalescas. As imagens da Igreja ficavam cobertas com um pano roxo. 
Guardávamos as quarta e sextas-feiras, quando não comíamos carne. Na sexta-feira santa fazíamos jejum. Lembro-me que, além de não comermos carne, não tomávamos refrigerante e comíamos o necessário, sem nenhum excesso.
Eu costumava levar muito a sério tudo isso. E achava lindo.
Essas práticas mudaram com o Concílio Vaticano II, mas ainda persistem no interior, no nordeste e nas famílias, que continuam a respeitá-las.
Hoje em dia, os jovens mal sabem o que significa tudo isso. Pras crianças então  significa comer chocolate e ganhar ovos de páscoa. 
São as mudanças através dos tempos.

domingo, 17 de junho de 2012

FESTAS JUNINAS


Não lembro se na minha época de colégio havia festas juninas.
Do que me recordo é das quermesses, com prendas, barracas, música, mas não sei se isso acontecia em junho ou se tinha a ver com eventos de outubro, mês das missões. Vou procurar me informar.
O fato é que, desde que os meninos entraram na escola, sempre participamos de todas as festas juninas.
O Fábio sempre detestou vestir-se de caipira. Pro Mauro, tudo bem.
Fábio 


O engraçado é que como os três aqui são de junho, comemoramos muito aniversário com festa caipira. Pipoca, pinhão, quentão, vinho quente, bolo de fubá, bandeirinhas. Acho que isso ficou tão marcado que fez com que eles não quisessem mais saber de comemorar assim. 
Mas, nas escolas estávamos sempre presentes, levando prendas, fazendo sanduíches pra vender, trabalhando nas barracas, fazendo pipocas, enfim, sempre ativos. Mais até dos que os meninos.
Isso nos permitia integrar com os outros pais com quem fizemos grandes amizades. 
Sinto falta dessa integração. Depois que os meninos casaram, não tivemos mais contato nem com os pais, nem com muitos amigos deles, com raras exceções. E, quando os encontramos é em casamentos, aniversário de neta ou velórios. 
Agora, frequentamos as festas de escola de neta. Por enquanto, da mais velha. Neste ano ela se vestirá de índia. E teve que ensaiar umas 7 músicas, mais ou menos, que falam do folclore, do Bumba meu boi,  músicas bem regionais que desconhecíamos, mas que ela está vibrando por aprender. Vamos aprender também. Essa reciclagem só faz bem.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

fotos antigas do Curso Universitário

Prof. Gerson entretendo os alunos que esperavam os
Originais do Samba


Da esquerda pra direita:
Cristina, Yara, Sandra, Ledice, Ayco, Sonia, Homero
Perrone, Ayco e Hercules
 Ledice e Isabel
Ayco, Isabel, Ledice e Antonio Daoud

Posted by Picasa

domingo, 15 de maio de 2011

MINHAS AULAS DE PIANO


Comecei a aprender piano quando nem sabia ainda ler direito. Tinha de cinco pra seis anos.
A querida dona Nair Lugon. Essa foto foi tirada quando fiz 50 anos.
A professora, dona Nair, morava na Barão do Bananal, pertinho da nossa casa. E eu iniciei tocando num pianinho de brinquedo, que ganhei.
Não me lembro muito dessa época. Só sei que ia estudar lá na casa da professora.
Quando eu tinha 6 anos fomos morar na rua Cajaíba, também na Pompéia.
Continuei indo estudar todos os dias na casa da professora. Andava umas 6 quadras pra ir e mais 6 pra voltar. Ia sozinha, como, aliás, ia sozinha pro colégio Sagrado Coração de Jesus, onde estudava.
Hoje, fico imaginando que incrível isso. Uma criança andava pra baixo e pra cima sozinha.
Fui gostando de aprender piano e tinha jeito pra coisa. Logo estava tocando bem. Tinha facilidade, inclusive pra decorar.
Passei a participar das apresentações que dona Nair fazia anualmente, sempre tocando impecavelmente.
Anualmente, ela me levava para fazer uma prova com uma professora muito exigente, Dona Rafaella, que depois veio a ser minha professora no Conservatório.
Somente quando eu tinha uns 12 anos, meus pais alugaram um piano, porque eu já necessitava de estudar mais horas por dia.
Até que, em 58 ou 59, meus pais, ajudados pela minha madrinha compraram um piano alemão, cuja venda foi intermediada pela minha professora. Hoje, ele está desafinado, por falta de uso.
Em 1960, prestei exame, e passei, para o Instituto Musical de São Paulo, que ficava na rua dos Estudantes na Liberdade.
Lá freqüentei as aulas de História da Arte, Harmonia, Canto Coral, Solfejo, além das aulas de piano, com dona Rafaella. Acho que, com ela, aprendi a iniciar a leitura de uma partitura e depois colocar a interpretação e a técnica.
Ia todos os dias de ônibus até a Pça. do Patriarca e de lá ia a pé até a Liberdade.  Estudava à tarde, já que pela manhã estava no Mackenzie, onde cursava o clássico.

Paralelamente, eu tirava muitas melodias de ouvido. A princípio, dona Nair não gostava muito, mas depois viu que era impossível barrar essa minha aptidão e até deixou que eu tocasse em uma apresentação que ela organizou, no auditório do colégio Sagrado Coração, uma das músicas que eu havia tirado de ouvido.

Naquela época, eu não tinha nenhuma inibição. Era ver um piano e começar a tocar. Assim foi em um clube, quando fui acompanhar uma amiga que participava do concurso de Miss Objetiva, ou em bares, restaurantes, casa de amigos, enfim. Outro dia, a minha amiga Adélia disse que o marido dela, o Serafim, lembrava-se de eu ter tocado piano em São Vicente, num bar. Eu não me recordava disso.

No Instituto Musical, quem cursava o 9º ano de piano, participava de um concurso, chamado PENEIRA, que escolhia quem tocaria na festa de formatura. Para isso, era necessário que o participante obtivesse, no mínimo, nota 9.
Dona Rafaela queria que eu tocasse a quatro mãos, com a Silvia Bóger, a Dança Húngara nº 5 de Brahms.
Nós, entretanto, achávamos que tínhamos capacidade para tocar a Rapsódia Húngara de Liszt, que julgávamos ser mais impactante, para uma apresentação de formatura. 
Silvia Bóger e eu muito compenetradas tocando a Rapsódia Húngara  sob o olhar atento da Dona Rafaella

Tivemos que travar uma batalha com ela. A Silvia morava em Santo André e eu em São Paulo, no Sumaré. Isso não impediu que nos encontrássemos para ensaiar juntas a Rapsódia. E, tanto ensaiamos, que ao apresentarmos essa peça na Peneira, fomos classificadas para apresentá-la na formatura.
Dona Rafaella foi obrigada a aceitar nossa vitória, o que nos fez aprender que querer é poder.







sexta-feira, 13 de maio de 2011

LEMBRANÇAS DA ADOLESCÊNCIA agora com P.S.


Tenho reencontrado pessoas que fizeram parte da minhá vida na minha adolescência e que eu não via há muito tempo.
Muito bom esse resgate. O último que fiz é porque agora faço parte de um coral.
Coral é a coisa mais gostosa que existe. No término de cada ensaio, a gente se sente com a alma lavada.
Já cantei antes em coral. No clube, nos anos 70 e no trabalho, durante uns 3 ou 4 anos.
Agora, tive a oportunidade de fazer parte de outro coral. Outra vez, falarei somente do coral.

Mas, hoje quero contar uma história da adolescência, lembrada pela Penha, ontem. A Penha é uma das amizades que, felizmente, resgatei, por conta do Coral. Ela cantava muito bem e eu resolvi chamá-la pra fazer parte.

Nos idos anos 60, minha mãe recebeu uns convites para um espetáculo de marionetes feito por 4 gaúchos, no velho Teatro de Alumínio, ali no Anhangabaú.
Convidei a Penha, Célia e Loli e fomos acompanhadas da Alzira, que trabalhava na casa da Penha há anos.
O espetáculo era muito bem feito e tinha um fundo musical, cuja última estrofe não entendíamos direito.
E como no final, os rapazes vieram com seus bonecos se apresentar para o público fomos conversar com eles, que, por sinal, não eram de se jogar fora.
Deviam ter uns 18 anos pra mais.
Nós gostamos deles e eles de nós. Trocamos telefones e então promovemos:
·       um jantar na casa da Penha;
·       um espetáculo de teatro na minha casa;
·       um bailinho na casa da Célia.

O jantar na casa da Penha foi súper gostoso e a mãe da Penha ficou conhecendo os rapazes.
O espetáculo de marionetes na minha casa foi um sucesso, já que chamamos todas as crianças e jovens que conhecíamos.
E o bailinho na casa da Célia foi, como sempre, perfeito.

Nesse momento, a Penha já estava de namoro com um dos rapazes, a Célia de paquera com outro, um deles interessado na Loli e eu, que até então tinha um namorado que andava sumido havia um mês, mais ou menos, fui cortejada pelo irmão do namorado da Penha, que desistiu de fazer uma viagem ao Rio.

A Penha marcou de encontrar o namorado na porta da Igreja e eu iria segurar vela, acompanhada do irmão dele (o único de quem eu lembro o nome: Antonio Carlos).
Eis que, avisado por algum amigo presente ao bailinho, aparece de bicicleta o meu namorado sumido. 
E fomos os 3 andando atrás da Penha, eu no meio dos dois, que pareciam querer se e me fuzilar. (rsrsrsrsrsrsrs). Lembranças inesquecíveis da adolescência.
P.S. A Ana Lia, irmã da Penha lembrou do nome do namorado da Penha, Jorge.


P.S. II - Cometário da Célia:
"Sabe o que foi que eu lembrei?
O nome do meu paquera, do teatro dos bonecos era....Nei Jancowisk ( eureka...precisei de duas caixas de Ginkgo Biloba, para recordar) e durante algum tempo, trocamos cartas, com a revisão final de mamãe, é claro.
Tempos bons aqueles, hein...."

domingo, 1 de maio de 2011

O CURSINHO UNIVERSITÁRIO


Trabalhei no Cursinho Universitário de 67 a 73.
Foi a Cristina, que trabalhou no Curso Pandiá Calógeras, quem me indicou pra lá. Hoje somos grandes amigas.
Cheguei a trabalhar alguns meses na Rua Senador Queirós, antes da inauguração do prédio da Rua São Vicente.
Sempre digo que a datilografia me abriu portas. Nessa época, eu já datilografava bem. Havia treinado bastante no Pandiá. Além, é claro, de ter me desembaraçado muito pra assuntos de trabalho, organização, pagamentos, etc.
O professor Covre foi quem me ensinou a técnica de fazer apostilas em forma de livro, datilografando numa matriz chamada “plastiplate” .
A gente pegava o manuscrito original, calculava a metade e iniciava pelo lado direito da página, sentido horizontal. Na próxima página, datilografava-se à esquerda, e assim seguíamos, alternadamente até o ponto calculado como metade. Então iniciava-se a volta:


4





...............................
1

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2

Asdfg asdfg asdfg
Asdfg asdfg asdfg
Asdfg asdfg asdfg
Asdfg asdfg asdfg
Asdfg asdfg asdfg

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(foi mais difícil fazer essa amostra do que datilografar em plastiplate)

A primeira apostila, que datilografei, era do Prof. Ramalho, que ensinava Física. Calculei tão mal a metade, que no final sobraram umas 6 páginas em branco. Mas, o Ramalho era tão gente boa que disse que não tinha importância. Os alunos usariam as páginas em branco para rascunho.

Fiquei tão craque em fazer apostilas que datilografei alguns livros, particularmente, para os professores.

Depois de um tempo, formou-se ali uma gráfica, onde as apostilas passaram a ser impressas.
Os vários alunos, que ali trabalhavam para pagar os estudos,  compunham a equipe que montava as apostilas.
A gráfica funcionava sob o comando do Valter José Carvalho. Não foram raros os sábados que o Walter, então meu namorado, nos ajudou a confeccionar apostilas.

E eu chamei o setor de DIP, Departamento de Impressão e Propaganda,  sigla que passou a ser usada por todos.
Naquela época, eu desconhecia completamente a existência do velho DIP da época do Presidente Getúlio Vargas.

Éramos muito unidos e, além do trabalho,  nos reuníamos sempre em festas, almoços, aniversários, comemorações. Tempo muito bom aquele.
Júlia, Lauro Eu e Walter (a noiva não sei quem é).  Sonia e Carlos Daoud,  Seitiro , a Miss
Seitiro novamente comigo nas duas últimas. Muito engraçado
festa junina  na chácara da Sandra (primeira à direita), ao lado do Lauro.
Nos vestimos de caipiras, improvisando os trajes


Por não querer sair do Cursinho, recusei dois empregos: um, na Panam, Empresa Aérea, a convite do meu professor de inglês, com grande chance de desenvolver a língua e outro,  um cargo no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, para o qual tinha sido aprovada em concurso. Uma das coisas das quais me arrependi de não ter feito.

Alguns me chamavam  de “Batatinha”. É, eu era meio gordinha. Vivia controlando a alimentação pra não engordar. Mas esse apelido não me incomodava, não. Acho até que incomodava mais a eles mesmos. Um dia, o Professor Covre confessou que sentia remorsos de me chamar assim.

Foram anos de grande aprendizado e realizações. Quando saí de lá, já tinha o Fábio e logo engravidei do Mauro. Foi quando passei a ser mãe em tempo integral.

Em 99, fizemos uma reunião(foto abaixo) com muitos daqueles funcionários, hoje profissionais, que têm grandes lembranças daqueles tempos. Foi no bar do Mauro.


Sentadas, da esquerda pra direita: Sonia, Yara, Pituca (esposa do Homero, que infelizmente faleceu), Ayko
 em pé: Luís, Walter, eu, Cristina, Sandra, Elvira, Armando
atrás: Lauro, Homero, Zé Massaki, Alberto, Geraldo (e filho do Geraldo)
O Universitário deixou saudades: 

  • dos professores, Idelfonso, Sydney, Armando, Covre, Aldo, Gerson, Baravelli, Ramalho, Lapa, e tantos outros papas da didática, que davam aulas teatrais; 
  • dos alunos, alguns inesquecíveis; 
  • dos amigos que fizemos.

Deixou também lembranças tristes da época da repressão,  como, por exemplo, a prisão e morte do professor Benetazzo, grande mestre das artes. (abrir link abaixo)
http://www.torturanuncamais-rj.org.br/MDDetalhes.asp?CodMortosDesaparecidos=105
Esse período, que queremos esquecer, atingiu, indistintamente, vários professores e funcionários que ali trabalhavam, causando medo e preocupação em todos nós.