Era 1965.
Uma quarta-feira antes da Semana de Páscoa. Eu trabalhava há seis meses no Curso Pandiá Calógeras. Professores e nós, funcionários, fomos convidados para um jantar na casa do Patrão, no caso, meu primo Roberto. Lá fomos nós.
Depois de saborearmos o Xinxim de Galinha e batermos muito papo, meu primo e sua mulher, a Catarina, nos deram uma carona, a mim, ao meu colega, e já tão amigo, Walter e a uma professora.
O Walter sentou-se no meio de nós duas. E, em dado momento em que coloquei o dedo na boca, ele tirou minha mão da boca e ficou segurando.
Fiquei imóvel.
Disfarçadamente, tirei a mão da dele, mas ele agarrou de novo. E, assim foi até meu primo me deixar em casa.
Nada falamos.
Desci do carro com o coração batendo forte, mas sem saber muito o que estava acontecendo.
Fiquei pensando que quando entrei lá, pra trabalhar, tinha um namorado, que não se conformando com o fato de eu ir trabalhar num lugar onde havia tantos rapazes, acabou terminando o namoro.
Um dos rapazes frequentadores do Pandiá, que já estava na Faculdade de Economia e Administração da USP, junto com o Walter, começou a me acompanhar até o ponto do ônibus diariamente. E, em dado momento, falou que estávamos namorando (Coisas de 1965).
Mas, quando percebeu que minhas amigas namoravam pra valer e que minha mãe não me deixava sair sozinha com ele, deu uma desculpa esfarrapada, de que entraria em provas (fazia duas faculdades) e nunca mais apareceu. rsrsrs
Fiquei com raiva, mais pelo descaso do que por qualquer sentimento.
Bem, tudo isso pra explicar o que naquele 14 pra 15 de abril, me passou na cabeça:
"Se o Walter não me telefonar ou aparecer, vou ter que sair do trabalho, pois vou ficar falada..."
Mas, eis que na quinta-feira santa ele me liga e pergunta se pode passar na minha casa.
É lógico que eu disse que sim.
E ele apareceu com um ovo de Páscoa e me convidou pra dar uma volta.
Lembro até com que roupa eu estava.
Naquele dia começamos nosso namoro, combinando que, se um dos dois chegasse à conclusão que não queria mais continuar, seria honesto e verdadeiro.
Estamos nisso há cinquenta anos.
Nosso casamento se deu exatos cinco anos depois.
Quem sabe, iremos comemorar saboreando um Xinxim de Galinha. Nem me lembro mais como é.
Confesso que há algum tempo vinha amadurecendo a idéia de ter um Blog, mas, ao mesmo tempo, muito me assustava o fato de ter essa responsabilidade, que, creio, nos obriga a mantê-lo ativo. Resolvi, apesar do medo, botar a cara pra bater e mandar ver. Queria contar um pouco de uma época da minha vida, muito gostosa, em que participei de um grupo musical, que me proporcionou grandes alegrias e a principal: fiz amizades maravilhosas e eternas.

Lindo Le. Deus abençoe vcs! Bj RÔ ❤❤❤❤❤❤❤
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