Fiquei passada. Num primeiro impacto, minha mãe ficou brava comigo. Disse que eu ia ficar assim.
Chorei muito. Disse pra ela que eu ia trabalhar, ganhar dinheiro e ia no dentista pra ele arrumar meu dente.
Pedi pra minha mãe não contar pro meu pai.
É lógico que ela contou. E ele, pra ver o estrago, pedia pra ver o meu dente lá de trás. E a boboca aqui, achava que ele era tão distraído que nem tinha visto o dente quebrado.
Quando somos crianças os dentes parecem maiores e aquele quebrado chamava muito a atenção.
O tempo passou. O dentista achou melhor aguardar eu crescer para fazer uma "coroa de jaqueta".
Acostumei. Todos acostumaram. Passou a fazer parte de mim. E, como não houve cárie, ele foi ficando.
Quando o Mauro ficou adolescente, começou a implicar com meu
dente quebrado. Não sei se ele comentou com a minha dentista, à época, só sei que, um belo dia, ela resolveu que ia dar um jeito no meu dente. Fiquei receosa e perguntei a ela o que faria se todos estranhassem. E ela disse que a gente quebrava outra vez.
Cheguei em casa e tive que dar muitos sorrisos pra que percebessem que o dente quebrado não estava mais ali.
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