domingo, 1 de maio de 2011

O CURSINHO UNIVERSITÁRIO


Trabalhei no Cursinho Universitário de 67 a 73.
Foi a Cristina, que trabalhou no Curso Pandiá Calógeras, quem me indicou pra lá. Hoje somos grandes amigas.
Cheguei a trabalhar alguns meses na Rua Senador Queirós, antes da inauguração do prédio da Rua São Vicente.
Sempre digo que a datilografia me abriu portas. Nessa época, eu já datilografava bem. Havia treinado bastante no Pandiá. Além, é claro, de ter me desembaraçado muito pra assuntos de trabalho, organização, pagamentos, etc.
O professor Covre foi quem me ensinou a técnica de fazer apostilas em forma de livro, datilografando numa matriz chamada “plastiplate” .
A gente pegava o manuscrito original, calculava a metade e iniciava pelo lado direito da página, sentido horizontal. Na próxima página, datilografava-se à esquerda, e assim seguíamos, alternadamente até o ponto calculado como metade. Então iniciava-se a volta:


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1

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2

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(foi mais difícil fazer essa amostra do que datilografar em plastiplate)

A primeira apostila, que datilografei, era do Prof. Ramalho, que ensinava Física. Calculei tão mal a metade, que no final sobraram umas 6 páginas em branco. Mas, o Ramalho era tão gente boa que disse que não tinha importância. Os alunos usariam as páginas em branco para rascunho.

Fiquei tão craque em fazer apostilas que datilografei alguns livros, particularmente, para os professores.

Depois de um tempo, formou-se ali uma gráfica, onde as apostilas passaram a ser impressas.
Os vários alunos, que ali trabalhavam para pagar os estudos,  compunham a equipe que montava as apostilas.
A gráfica funcionava sob o comando do Valter José Carvalho. Não foram raros os sábados que o Walter, então meu namorado, nos ajudou a confeccionar apostilas.

E eu chamei o setor de DIP, Departamento de Impressão e Propaganda,  sigla que passou a ser usada por todos.
Naquela época, eu desconhecia completamente a existência do velho DIP da época do Presidente Getúlio Vargas.

Éramos muito unidos e, além do trabalho,  nos reuníamos sempre em festas, almoços, aniversários, comemorações. Tempo muito bom aquele.
Júlia, Lauro Eu e Walter (a noiva não sei quem é).  Sonia e Carlos Daoud,  Seitiro , a Miss
Seitiro novamente comigo nas duas últimas. Muito engraçado
festa junina  na chácara da Sandra (primeira à direita), ao lado do Lauro.
Nos vestimos de caipiras, improvisando os trajes


Por não querer sair do Cursinho, recusei dois empregos: um, na Panam, Empresa Aérea, a convite do meu professor de inglês, com grande chance de desenvolver a língua e outro,  um cargo no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, para o qual tinha sido aprovada em concurso. Uma das coisas das quais me arrependi de não ter feito.

Alguns me chamavam  de “Batatinha”. É, eu era meio gordinha. Vivia controlando a alimentação pra não engordar. Mas esse apelido não me incomodava, não. Acho até que incomodava mais a eles mesmos. Um dia, o Professor Covre confessou que sentia remorsos de me chamar assim.

Foram anos de grande aprendizado e realizações. Quando saí de lá, já tinha o Fábio e logo engravidei do Mauro. Foi quando passei a ser mãe em tempo integral.

Em 99, fizemos uma reunião(foto abaixo) com muitos daqueles funcionários, hoje profissionais, que têm grandes lembranças daqueles tempos. Foi no bar do Mauro.


Sentadas, da esquerda pra direita: Sonia, Yara, Pituca (esposa do Homero, que infelizmente faleceu), Ayko
 em pé: Luís, Walter, eu, Cristina, Sandra, Elvira, Armando
atrás: Lauro, Homero, Zé Massaki, Alberto, Geraldo (e filho do Geraldo)
O Universitário deixou saudades: 

  • dos professores, Idelfonso, Sydney, Armando, Covre, Aldo, Gerson, Baravelli, Ramalho, Lapa, e tantos outros papas da didática, que davam aulas teatrais; 
  • dos alunos, alguns inesquecíveis; 
  • dos amigos que fizemos.

Deixou também lembranças tristes da época da repressão,  como, por exemplo, a prisão e morte do professor Benetazzo, grande mestre das artes. (abrir link abaixo)
http://www.torturanuncamais-rj.org.br/MDDetalhes.asp?CodMortosDesaparecidos=105
Esse período, que queremos esquecer, atingiu, indistintamente, vários professores e funcionários que ali trabalhavam, causando medo e preocupação em todos nós.








2 comentários:

  1. Oi Lê , que bacana o seu blog !
    Fiquei emocionada, não esperava ver esta foto do sítio . Olha a cara do Lauro " o que será que estas duas estão tentando fazer??!!
    Foi no Universitário que tive a oportunidade de conhecer e conviver com pessoas muito especiais que contribuiram muito para minha formação profissional e crescimento pessoal .
    Lê obrigada por me fazer sentir o valor da amizade e carinho .
    Bjs
    Sandra

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  2. Pois é, Sandra.
    Quantas coisas vivemos juntas.
    Quantas lembranças boas,quanto aprendizado.
    Que bom que podemos recordar de tudo isso. Fico feliz que tenha gostado.
    Grande beijo
    Lê

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