Estudei em colégio de freiras, então aprendi muito lá sobre religião. Até dei aula de catecismo pras crianças do Grupo Escolar Miss Brown, na Pompéia.
O feriado de Páscoa começava na quinta-feira e ia até a segunda seguinte à Páscoa, que era a Pascoela.
Na sexta-feira santa, seguíamos a procissão que saia da Igreja da Pompéia e ia encontrar com a que vinha da Igreja da Lapa. Era a procissão do encontro de Nossa Senhora com Jesus crucificado. Levávamos velas em castiçais de papelão e muitas vezes nos vestíamos de anjos, que representávamos num quadro vivo.
Durante a quaresma, os quarenta dias que separavam o domingo de Páscoa do Carnaval, não podíamos cantar músicas carnavalescas. As imagens da Igreja ficavam cobertas com um pano roxo.
Guardávamos as quarta e sextas-feiras, quando não comíamos carne. Na sexta-feira santa fazíamos jejum. Lembro-me que, além de não comermos carne, não tomávamos refrigerante e comíamos o necessário, sem nenhum excesso.
Eu costumava levar muito a sério tudo isso. E achava lindo.
Essas práticas mudaram com o Concílio Vaticano II, mas ainda persistem no interior, no nordeste e nas famílias, que continuam a respeitá-las.
Hoje em dia, os jovens mal sabem o que significa tudo isso. Pras crianças então significa comer chocolate e ganhar ovos de páscoa.
São as mudanças através dos tempos.
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