sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

APRENDENDO COM OS FILHOS


Há um momento, na vida em família, que os papéis se invertem. Os filhos passam a cuidar dos pais, a dar conselhos, a se preocupar.
No caso dos meus pais e dos pais do Walter, isso pra mim era mais do que normal.
No entanto, no caso dos meus filhos e noras, com relação a nós, ainda tenho certa dificuldade em dividir preocupações.
Acho que tenho que resolver os problemas que surgem, sem amolá-los e eles têm ficado muito bravos comigo.
Acostumei a poupar meus pais, os pais do Walter e, consequentemente, os filhos, esquecendo que hoje eles não são mais crianças e que podem nos ajudar a enfrentar dificuldades. Estou me esforçando pra mudar isso.

O Tom Figueiredo foi o primeiro que comentou sobre essa inversão de papéis, ao contar que o filho, então com uns 14 anos, ficou cuidando dele no mar, com medo que ele se afogasse. Essa preocupação o fez ver que o filho estava crescendo.
É preciso mesmo acontecer uma situação dessas para percebermos que os filhos já não são mais crianças. E é muito rica essa troca.
Sentimos isso muitas vezes, das quais recordo aqui algumas:

No Rio de Janeiro
Cabo Frio
Em 1985 fomos com os meninos para o Rio. E tivemos uma experiência inesquecível. Estávamos na praia de Copacabana e como os meninos tinham entrado no mar e nós não tínhamos visibilidade total, porque a praia formava um degrau, achei que o Walter deveria ir ver onde eles estavam. Fiquei tranquila, tomando sol. Depois de algum tempo, chegaram os três. O Walter exausto. Ele, ao entrar no mar, num local que também tinha uns degraus,  perdeu o pé e se afobou. Os meninos é que conseguiram tirá-lo, são e salvo, da água. O Fábio, tentando acalmá-lo e direcionando e o Mauro fazendo força empurrando, salvaram o pai.



Minha ansiedade em viagens
Costumo planejar minhas viagens nos mínimos detalhes. Faço planilhas que contêm datas,  meio de transporte, país, cidade, hotel, endereço do hotel e telefone, etc.
Em princípio, isso é muito bom, mas eu deixava de aproveitar, totalmente, porque de manhã eu já estava pensando no que iria fazer à tarde e à tarde no que iria fazer à noite e à noite já estava me programando para o dia seguinte. Isso irritava o Walter, bastante.
O Fábio agia um pouco como eu.
Na primeira viagem que ele fez com a Ulli, ela, boa baiana que é, fez que ele visse que, às vezes, vale a pena curtir um lugar, mesmo que seja pra ficar ali sem fazer nada.

Numa das vezes em que me preparava para viajar, o Fábio me aconselhou a ser menos ansiosa e curtir mais o momento. Foi um bom conselho que eu tenho tentado botar em prática.

Viajando com Mauro e Carol
Em 2008, viajamos com o Mauro e a Carol durante uns 15 dias. Deixamos por conta deles todas as providências, como escolha e reserva de hotel, estudo dos mapas das cidades e roteiro de passeios. Além disso, o Mauro dirigiu o carro o tempo todo e a Carol fez as vezes de guia turística, traduzindo do alemão e orientando quanto às comidas e bebidas nos restaurantes. Foi uma tranquilidade. Não precisamos nem pensar. Só foi ruim porque ficamos mal acostumados.

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