Seguem algumas passagens com as "crianças" que acho interessante deixar registradas:
Parei de trabalhar em 1973. O Fábio tinha 1 ano. E eu engravidei do Mauro. Aí ficou mais difícil de voltar.
Por um lado sentia falta do trabalho, mas por outro, tive oportunidade de conviver com os meninos até a adolescência. Foi uma convivência muito boa e sempre nos lembramos de fatos que aconteceram.
Fui uma mãe um tanto exagerada, reconheço, a ponto de em certa época, após a detecção de uma lordose no Mauro, eu colocá-lo em dois cursos de Natação:um às 3ª e 6ª (na Escola de Educação Física da USP) e outro às 3ª e 5ª (no Clube Paineiras do Morumbi).
Então a terça-feira era complicada. Ele saia de roupão do Clube e tínhamos meia hora pra chegar na USP.
Nesse dia o Fábio treinava futebol. E era um custo tirá-lo do banho.
Eu ficava estressada. Além do mais, o trânsito não colaborava.
Certo dia, estava chovendo e eu fiz com que eles me esperassem na Portaria do Clube, enquanto eu ia pegar o carro no estacionamento.
Peguei o carro e fui embora. Passei reto pela portaria.
A cabeça funcionando, pensando alto no que ainda teria que fazer.
Já tinha andado uns 300 metros quando percebi que não tinha pegado as crianças.
Voltei, achando que estava ficando louca, dando risada, com vergonha.
O Fábio me recebeu com ar de reprovação, balançando a cabeça, como se dissesse:
- Essa minha mãe...
E me contou que o Mauro, quando me viu passar reto, disse:
- Ih! A mamãe foi embora.
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Na época em que as crianças faziam natação na USP, saíamos de lá já à noitinha.
Soubemos que alguém havia sido assaltado lá. Então combinei com os meninos que íamos entrar no carro rapidinho. Sem brigas de quem iria sentar na frente.
Fizemos um trato. Eu abria a porta do carro, Fulano entrava na parte de trás e destravava a porta da frente para Sicrano. E ainda havia a Roberta pra quem eu dava carona, que teria que entrar logo após Fulano.
Tudo muito bem combinado.
Na hora H, quem diz que eu consegui abrir a porta do carro?!?!?!
Acabamos dando muita risada.
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O Fábio fazia terapia nos Jardins no final do dia.
Eu pegava o Mauro no Prezinho e passava na USP, pegava o Fábio que estudava na Escola de Aplicação e lá íamos nós atravessar a Francisco Morato que na confluência com a Valdemar Ferreira tinha um farol que permitia a passagem de, no máximo, uns 3 a 4 carros e fechava. Perdia-se muito tempo ali. Eu tinha que correr pra não chegar atrasada na Psicóloga.
Enquanto o Fábio era atendido, o Mauro morria de sono e eu procurava distraí-lo como podia naquele consultório sóbrio com móveis todos de couro marrom.
Havia ali um prato grande com muitas conchinhas, com as quais, um dia, ele se distraiu brincando. Na hora de ir embora ele colocou várias conchinhas nos bolsos.
Quando eu percebi, fiz ele colocar no lugar e fiquei brava, dizendo que não era dele e que ele não podia levar pra casa.
No carro ele me perguntou:
- Mãe, ladrão tem mãe???????
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O Mauro tinha uns 2 anos e comia uma laranja em gomos. Guloso que era, se deliciava.
- Come essa 'mixirica', Fabinho.
- Hummm! Tá muito boa essa 'mixirica', come Fabinho.
E o Fábio com 4 anos, vendo que ele chamava a laranja de mexerica, fazia um ar de superioridade, dando uma risada meio debochada.
E como o Mauro insistisse, ele acabou dizendo:
- Não é 'mixirica', Mauro. 'Mixirica' é outra espécie.
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Certo dia, o Fábio, (uns 4 anos) brincou de apostar corrida com o Dalton, (uns 6 anos) que morava vizinho à casa da minha sogra.
E depois ele me contando:
- Nós brincamos bastante. Na subida o Dalto ganhou. Mas na descida, eu quase ganhei.
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Eu orientava sempre os meninos, que não aceitassem nada de comer de ninguém na rua.
Eles me perguntaram se podiam comer o que um pai ou mãe de amiguinhos oferecessem.
Eu disse que nesse caso sim, podiam aceitar.
Um belo dia, vem o Mauro correndo, todo esbaforido pra casa, com duas balinhas na mão.
- Mãe, um homem que não é nenhum pai deu essas balinhas pra gente. O Fábio disse que não é pra gente comer.
Fui ver quem era o tal homem, ao qual ele se referia.
Era um senhor que mensalmente vinha receber uma contribuição para o Instituto de cegos Pe. Chico. Eu o conhecia de algum tempo.
Ele me disse que sempre tinha umas balinhas para dar pra criançada.
Mas o que valeu é que eu vi que eles obedeceram e entenderam que não podiam aceitar nada de estranhos.
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Quando o Fábio estava com 5 pra 6 anos, a orientadora da escolinha que ele frequentava me chamou e disse que, pelo que ela percebia, estava na hora de eu ler um livrinho chamado “De onde vêm os bebês” para ele e que até poderia contar para o Mauro também.
Era um livro todo ilustrado, que ensinava como se dava o ato sexual através dos animais: o galo e a galinha, o gato e a gata, o cachorro e a cachorra, e ia contando numa linguagem simples como acontecia a coisa.
Eu me enchi de coragem e sentei no meio dos dois pra contar a “história”, que terminava com um casal deitado lado a lado na cama.
O Fábio fez o seguinte comentário:
- O papai subiu em cima de você, mãe????
Tentei contornar a situação e como ele não comentasse mais nada, pedi ao Walter que conversasse com o Fábio e tentasse saber o que ele tinha entendido.
O Walter aproveitou a hora do banho e perguntou se eu tinha lido o livrinho pra eles.
O Fábio respondeu que sim.
- E o que você achou da história? Disse o Walter.
- Pai, quando vocês forem fazer outro nenê, vocês me chamam?!?!?!.
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Confesso que há algum tempo vinha amadurecendo a idéia de ter um Blog, mas, ao mesmo tempo, muito me assustava o fato de ter essa responsabilidade, que, creio, nos obriga a mantê-lo ativo. Resolvi, apesar do medo, botar a cara pra bater e mandar ver. Queria contar um pouco de uma época da minha vida, muito gostosa, em que participei de um grupo musical, que me proporcionou grandes alegrias e a principal: fiz amizades maravilhosas e eternas.
Le, estou adorando ler seu blog. Das histórias das crianças, com certeza "de onde vem os bebês" é a melhor, considerando que eu conheço todos os participantes...rsrsrsr
ResponderExcluirUm beijo imenso. E é por tudo isso e mais um pouco que amo essa sua família maravilhosa. Um beijo a todos e um bom feriado. Fiquem com Deus.
Pois é, Elisa. Essa história é muito engraçada mesmo e as pessoas estão gostando. É difícil lembrar tudo, mas estou tentando colocar por escrito tantas passagens. Você já viu o filme do aniversário de 50 anos do Walter, no item 7 no final. beijão e obrigada
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