quarta-feira, 4 de agosto de 2010

12 - TOCANDO NO PIANO DE CAUDA


No meu aniversário, a Marisa, mulher do meu primo Luiz, gostou tanto do grupo, que teve a idéia de nos indicar para as bodas de prata da irmã, que foi realizada junto com os 80 anos da mãe delas.
Essa festa foi no Clube dos Magistrados. Eu havia levado meu teclado, mas havia ali um piano de cauda. O Zé pediu a chave pra testar a afinação. A princípio, o chefe dos garçons, ou coisa que o valha, não queria que utilizássemos o piano. Chegou a dizer que o piano estava desafinado. Mas, diante da insistência do Zé, resolveu deixá-lo testar o som.
Quando se toca em grupo, a afinação é primordial. E, nem sempre encontramos um piano afinado de acordo com o diapasão, isto é, no tom absolutamente certo.
Todos os instrumentos têm que ser afinados de acordo com o piano. Daí a importância dessa afinação.
O piano estava afinadíssimo. Além disso, a acústica do lugar era perfeita. O som saiu redondo, redondo.
A festa foi das mais animadas.

Ocorre que nunca cobramos por nossas apresentações, a não ser um cachê simbólico para o maestro, o único que, à época, vivia de música.
Entretanto, quem nos convidava pra tocar, levava junto um pacote, nossos cônjuges. Eram, portanto, umas 18 a 20 bocas.
Nós explicávamos isso pra quem nos pedia pra animar a festa.


Nessa festa, especificamente, quem implicou conosco foram os garçons. Eles nos trataram com desdém. Afinal éramos simplesmente “os músicos”,que não tinham direito aos comes e bebes. Foi preciso que a dona da festa, notando o fato, desse uma ordem contrária.


Mas essa festa ficou na nossa história como uma das melhores apresentações da Banda, o Gente Humilde com direito a piano de cauda e tudo, quem diria.

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