Confesso que há algum tempo vinha amadurecendo a idéia de ter um Blog, mas, ao mesmo tempo, muito me assustava o fato de ter essa responsabilidade, que, creio, nos obriga a mantê-lo ativo. Resolvi, apesar do medo, botar a cara pra bater e mandar ver. Queria contar um pouco de uma época da minha vida, muito gostosa, em que participei de um grupo musical, que me proporcionou grandes alegrias e a principal: fiz amizades maravilhosas e eternas.
segunda-feira, 2 de agosto de 2010
10 - UM COZIDO TERMINA EM PIZZA
Aqueles poetas daquela “sociedade” gostaram tanto da gente que nos convidaram para um outro Cozido na casa de uma das “sócias”. Em troca tocaríamos, animando a noite.
Normalmente, eu transportava meu teclado, mas a dona da casa insistiu em que utilizássemos o piano da casa.
O Zé havia deixado claro que o piano deveria estar afinadíssimo e no diapasão. E ela garantiu que mandaria afinar.
E lá foi o Gente Humilde.
Lá chegando, nós e a nossa claque, nos colocamos na sala do piano, enquanto as demais pessoas que chegavam dirigiam-se ao quintal, onde havia uma piscina, já que a noite enluarada contribuía para isso.
Os músicos, que haviam levado uma garrafa de pinga, pediram, ao dono da casa, alguns copinhos. Foram providenciados uns copos americanos, constatando-se que de pinga, ele não entendia nada mesmo.
O Zé, preocupado, ao experimentar o piano percebeu que estava absolutamente desafinado e fora do tom. Tanto que pra afinar, mais ou menos, o piston, o bocal quase caia do resto do instrumento.
O Zé me alertou pra tocar baixinho e tentamos passar uma música.
O som saiu péssimo.
Os convidados não paravam de chegar e de se dirigir à piscina.
Tocamos umas 3 músicas e o Cozido foi servido, frio, e deixando a desejar.
O Sylvio guardou a flauta e disse:
- Estou indo embora.
Eu, toda preocupada, queria que ele mudasse de idéia, mas o Walter comprou a idéia.
O Sylvio foi embora com a Ione.
E nós fomos avisando, um a um dos músicos, sobre a decisão de ir embora.
O Toninho conversava com alguém no meio da sala e foi o último a entender o que estava acontecendo.
Esperamos ele desmontar a bateria e fomos saindo, sem nos despedir.
Ninguém disse NADA. Ninguém perguntou onde íamos, porque íamos, o que tinha acontecido. Saímos como entramos, ilustres desconhecidos. Era como se não existíssemos.
Imaginamos que o Sylvio estaria na pizzaria Primo Basílico, do Deco, filho dele e fomos todos para lá.
Quando chegamos ele perguntou:
- O que os donos da casa disseram?
E nós respondemos:
- Nada! Eles nem perceberam que nós fomos embora.
Nesse dia, tivemos que beber pra esquecer o fracasso e o vexame do Gente Humilde e a falta de cortesia dos anfitriões.
Nossa apresentação acabou, literalmente, em PIZZA.
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