quarta-feira, 28 de julho de 2010

2 - OS 17 ANOS DO GENTE HUMILDE


A vinda do botou ordem na coisa. Ele avaliava o potencial de cada um exigindo o máximo de todos. Aprendemos a tocar em grupo. A ouvir o que o outro tocava. A deixar rolar o solo, que a cada momento um fazia. Desenvolvemos capacidades que até então estavam escondidas.
O Zé era um garoto. Não tinha 30 anos. E nós aprendemos a respeitá-lo. Ele era súper competente.
E o “Gente Humilde” cresceu. Passamos a ter ensaio uma vez por semana. Um dia na minha casa, outra na do Sylvio, outra na do Sampaio e às vezes na casa do Zé.

Registre-se o apoio e os aplausos dos nossos cônjuges, que jamais deixaram de nos incentivar: A Ione, a Luisa, a Meire e o Walter. 

Toda semana tínhamos uma partitura nova. Aguardávamos o dia de ensaio com entusiasmo. Podíamos estar cansados, após um dia exaustivo, mas as horas daquele encontro eram mágicas. Faziam que nos revigorássemos. Dávamos muita risada.
Alguns músicos passaram pelo Gente Humilde, como o Cícero, (violão), o Bruno(pandeiro), o Batata (Clarinete), o Edmar Salles (flauta).
Não sei precisar quando veio para o grupo o Gabriel (Tranjan), o cara mais querido e incrível que conheci. Talentosíssimo. Entrou tocando violão, mas depois com a vinda do João Batista, trazido pelo Zé, ele passou a tocar Piston.
Além de tocar e improvisar muuuuito, ainda contribuiu com alguns arranjos como Chega de Saudade, Anos Dourados e outros que agora me falham.
E o João trouxe o Olímpio (pandeiro), o Sylvio trouxe o Thomé para o lugar do Sampaio e o Toninho (Paes) com sua timbatera. O Zé trouxe o Oswaldo (Cudizio), outra flauta.
Com a mudança do Thomé, músico incrível, para Maringá, o João Paulo juntou-se a nós com seu clarinete. E, com as saída deste tivemos o Carlos, filho do Gabriel, que ficou pouco tempo e deixou o Marcos de Guide no lugar, tocando Sax e Clarineta.
O timbre dos metais e a Timbatera, nos fizeram virar uma Banda.
Tocamos em Aniversários, Casamentos, Bodas de Prata, Colégio, festa do PT, enfim, foram uns 17 anos de vida do Gente Humilde.
O repertório, que inicialmente era de choro, passou a ter Samba, Bossa Nova, Sambão, Carnaval. Ficou enorme.
As mulheres dos músicos cantavam algumas músicas e o Sylvio as chamou de “Avós do Brasil” grupo do qual eu, às vezes, fazia parte.
Tivemos oportunidade de fazer parte do coro em algumas músicas de Guilherme de Brito, (Folhas Secas e Quando eu me chamar Saudade) e também do Nelson Sargento, quando do lançamento de seus Long Play pelo Clube de Criação de São Paulo.
Nota: O Oswaldo me fez lembrar que participamos, também, da gravação do LP do Monarco que também foi lançado no Clube de Criação.

Mas como tudo que é bom, um dia acaba, o Gente Humilde também um dia chegou ao fim. Ao mesmo tempo, 4 dos integrantes do grupo, inclusive o maestro, tiveram que sair, ou por mudança de cidade, ou por dedicação a outro trabalho, ou por engajamento em propaganda política fora de São Paulo. Perder um integrante já é complicado, imaginem 4.
Tentamos, em vão, algumas vezes. fazer renascer o grupo. E de todo esse tempo ficou uma grande amizade. Até hoje, quando nos reunimos recordamos momentos inesquecíveis: a maioria deles engraçados. Vou tentar lembrar de alguns e peço-lhes que me ajudem a registrar situações que tivemos nesse grupo fantástico e único.

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