sábado, 19 de março de 2011

AS CRIANÇAS E SEUS MEDOS


Fantasmas

Lembro-me de uma situação de medo da minha infância que perpetuou por vários anos.
Quando eu tinha uns 5 anos, fomos, meus pais e eu, ver um espetáculo circence.
Em certo momento apareceram uns palhaços vestidos de fantasmas. Isso foi muito pra mim. Passei a sonhar com aquilo. E, então, pra conseguir dormir, eu tinha que perguntar pra minha mãe:
- Eu não vou sonhar com coisa feia?
E a coitada, toda noite, tinha que me responder que não. Enquanto ela não me respondia eu não parava de perguntar. 
Isso durou uns  2 anos.
Só parei, quando viajei com meus tios pra Águas da Prata e fiquei com vergonha de perguntar.

Máscaras de carnaval

Quando o Fábio tinha 2 anos e meio, fomos passar uma semana em Itanhaém. No dia da chegada, estava um calor infernal. Pras crianças dormirem tivemos que abaná-los. Durante a noite mudou o tempo, começou a chover e aquela chuva durou a semana toda.
O Mauro tinha só 6 meses, mas o Fábio arranjou amiguinhos e se divertiu mesmo sem poder sair de dentro do hotel. Houve várias brincadeiras e ele participou bastante.
Como o Carnaval estava chegando, alguns meninos mais velhos colocaram umas máscaras. Aquilo assustou, tremendamente, o Fábio que veio chorando, desesperado, pra mim. E, ele que já havia deixado as fraldas, passou a fazer xixi na cama.

Ainda sobre máscaras



A Isa, minha amiga, lendo o blog, me mandou essa história, sobre a Isabella, filha dela, que hoje já é mãe de duas crianças:
A Isabella, quando pequena, tinha muito medo de máscaras, bruxas e afins. 
Quando tinha uns 3 pra 4 anos,  estavam no elevador do prédio da mãe da Isa, quando entrou uma senhora muuuuuuuuuuuito feia. 
A Isabella grudou na  perna da mãe e falou choramingando:
- Mãe ela é feia assim ou está de máscara?
Imaginem a cara da Isa. 


Estrelinha

A explicação que demos pra Júlia sobre a morte é que a pessoa virou estrelinha.
Ela estava comigo quando recebi a notícia da morte de uma grande amiga. Não pude evitar de chorar e ela quis saber porque a vovó estava chorando. Explicaram pra ela que minha amiga tinha virado estrelinha e eu estava triste. Ela era muito pequena.
Últimamente, temos observado que ela não quer se separar dos pais, pra dormir na minha casa, nem na casa da outra avó. Estivemos, ano passado, num hotel fazenda e ela tinha muita dificuldade pra dormir, à noite, por estar longe dos pais. Chegou a falar do medo que ela tinha de eles (pais) ou de nós (avós) virarmos estrelinha.
E, semana passada, ao se despedir da bisa que voltava pra Bahia, chorou muito e disse que não queria que ela se tornasse uma estrelinha.  

Filme de terror

O Mauro só se lembra que tinha medo de ver filmes de terror. Então, quando passava propaganda de um desses filmes, pra não ouvir nada, ele tapava o ouvido e cantava bem alto.
  
Carranca

A gente não avalia muito,  o que pode assustar uma criança.
Nós tínhamos na parede do quarto de TV uma carranca esculpida em madeira, que trouxéramos do nordeste.
Lá, havia um sofá cama, onde dormiam os visitantes.
Certa vez, e eu acho que ele nem se lembra disso, o Maurício, meu sobrinho, veio dormir em casa. Teria, nessa época, uns 10 anos, talvez. No dia seguinte, ele falou que tinha ficado com muito medo da carranca.

Perda

Quando criança, a Carol tinha medo de se separar dos pais.
Eles moravam numa casa relativamente grande, que possuía um porão, onde funcionava a firma do pai dela.
Muitas vezes, à noite, quando ela chamava os pais, eles não a escutavam e ela ficava desesperada, achando que eles tinham saído pra sempre.
Então, sempre que a mãe a levava pra cama ela perguntava:
- Você não vai sair?  
E como o jardim era grande, também, ela emendava:
- Você não vai lá fora?
E perguntava ainda:
- Você não vai no porão?
E, de tanto fazer as 3 perguntas, ela decidiu encurtar a história e passou a perguntar:
 - Você não vai três coisas?
Durante muitos anos ela fez essa pergunta, todas as noites, antes de dormir.
A Karin, mãe da Carol, até hoje brinca com ela, perguntando:
- Você não vai três coisas?...

cachorro

A Ulli passava sempre férias em Itaparica com as primas.
Um dia, uma delas, Mila, foi mordida por um cachorro.
Quem a socorreu foi a babá da Ulli, que pegou a bicicleta, colocou Mila na garupa e se mandou em busca de socorro.
A Ulli não teve dúvidas, pegou sua mini Monark e saiu atrás delas, vendo o sangue escorrer.
Desde então, as duas ficaram com muito medo de cachorro e cada vez que passavam por um, davam o braço, uma pra outra, apertavam o passo e falavam o versinho que  Vó Nini  ensinou:  São Roque, São Lázaro, São Roque, São Lázaro, São Roque, São Lázaro, até que o cachorro passasse.


2 comentários:

Deixe seu comentário. Ele é importante pra mim.