VIAJANDO DE AVIÃO PELA PRIMEIRA VEZ
Era a primeira vez que eu embarcava num avião. Sentia uma pontada na boca do estômago. Mas não queria dar o braço a torcer.
Olhei pela janelinha. Estava sentado bem em cima da asa do danado. Eu me sentia tão pequenininho diante daquele monstro imponente.
Agora ele começava a se mexer.
“Ai meu Deus!” ─ pensei, apertando bem os olhos, com a intenção de que meu pedido de socorro ficasse só entre mim e o todo Poderoso.
Segurei firme no braço da cadeira. Olhei em volta. Todos calmos.
Será que apenas eu estava apavorado? Estava com o céu da boca ressecado e sabia que minhas maçãs do rosto deviam parecer um pimentão, tão quente eu podia senti-las. Tentava disfarçar para que meus pais não percebessem e meus irmãos não rissem de mim.
Pela janela eu acompanhava cada movimento e vi quando o avião dobrou a pista à esquerda enquanto aquele homenzinho fazia sinais com umas bandeirolas, acho que indicando que ele podia ir.
Tive que me segurar junto ao encosto da cadeira tal a velocidade que o bicho atingiu. Pude ver o nariz do avião empinado para cima. Pronto, estávamos subindo rapidamente. Lá embaixo avistava-se o leito de um rio. Tudo foi ficando pequenino. As nuvens encobriram minha visão.
Mamãe, percebendo meu temor, pegou a minha mão. Abandonei-me àquela proteção, conseguindo me acalmar. Parecia que estávamos parados no ar. Relaxei. Só então senti que minha barriga da perna tinha estado dura como um pau.
Distraí-me com a chegada do carrinho que trazia refrigerantes e barrinhas de cereais.
“Seja o que Deus quiser” ─ pensei, enrolando a manga da camisa.
Respirei fundo e procurei enterrar meus medos para aproveitar a viagem. Afinal, aquela era apenas a primeira etapa.
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