O Fábio e o Mauro têm uma
diferença de 2 anos. Quando o Mauro
nasceu tínhamos nos mudado de um apartamento para um sobrado, fazia 4 dias.
Então era tudo muito novo pro Fábio. Casa nova, quintal, bairro novo,irmão, e uma mãe
dividida com as preocupações de um bebê, que nasceu muito pequenino e ainda
ficou na encubadeira da maternidade por uns dias a mais.
Quando ele fez 2 anos e 7 meses achei que devia colocá-lo na escolinha
pra ele ter amigos e se relacionar com crianças.
Não sei se foi uma boa idéia. Ele chorou durante , mais ou menos, um
ano e meio, todos os dias, quando ia pra escola.
Até o Mauro, que com um ano ia comigo levar o Fábio, ao virar a rua da escola
dizia:
- Não vai chorar, hein, Fabinho!
Não sei se hoje eu teria insistido tanto. Mas, naquela época, eu achava
que estava fazendo o melhor pra ele.
Havia uma propaganda, (não me lembro de quê) com um homem pessimista,
cujo diálogo o Fábio sabia de cor e costumávamos repetir.
Era mais ou menos assim:
Dois amigos se encontravam
- Ô meu velho, como vai?
- Mais ou menos. Meu filho amanheceu gripado.
- Ah! mas isso passa. Que lindo dia não?
- É, mas pode chover.
- Vai assistir ao jogo hoje?
- Pra que? Pra ver meu time perder?
E o locutor entrava falando:
O pessimista é, antes de tudo, um chato.
Numa das vezes que estávamos fazendo o diálogo, o Fábio perguntou:
- Mãe, o que é um pessimista?
Procurei explicar:
- É um cara desanimado, que acha tudo complicado, que não gosta de
nada.
E repeti as frases do pessimista assim com bastante enfado;
- é, mas pode chover.
- pra que? Pra ver meu time perder?
E finalizei:
- Sabe, um cara chato assim? Quem chora à toa também é chato, né? - falei
meio rindo.
E ele:
- Eu, né???