segunda-feira, 28 de março de 2016

A DESCOBERTA DE JÚLIA

Júlia, dez anos, ainda acreditava em Papai Noel. Ou queria acreditar, sabe-se lá.
Passado o Natal, meses depois, descobriu a cartinha que tinha enviado ao bom velhinho. Estava na bolsa da mãe.
Desmontou. Chorou muito. Então ele não existia. Ficou triste.
O raciocínio fez com que ela constatasse que Coelhinho da Páscoa não existia também. Então o coelhinho era eu.
Eu que roía as cenouras que colocávamos no ninho. Um ninho que ela preparava sempre aqui na garagem da minha casa.
Foram tantos anos a fazer o ninho e, o melhor, a descobri-lo no dia seguinte, domingo de Páscoa, cheio de guloseimas e com cenouras roídas por toda parte, terra espalhada indicando o caminho por onde ele teria passado.
E ela vibrava.
Ano passado os pequenos estavam aqui então foram três ninhos e a Carol, rindo muito,aprendeu a roer a cenoura como eu fazia e até adotou a parafernália para fazer lá em Barra Grande.
Mas Júlia veio este ano fazer o ninho. Não queria perder aquele encanto e me deixou uma cartinha que coloco abaixo sem correções:

Não consegui mostrar um coração grande e recortado que ela fez

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