Há um momento, na vida em família, que os papéis se
invertem. Os filhos passam a cuidar dos pais, a dar conselhos, a se preocupar.
No caso dos meus pais e dos pais do Walter, isso pra mim era
mais do que normal.
No entanto, no caso dos meus filhos e noras, com relação a
nós, ainda tenho certa dificuldade em dividir preocupações.
Acho que tenho que resolver os problemas que surgem, sem
amolá-los e eles têm ficado muito bravos comigo.
Acostumei a poupar meus pais, os pais do Walter e,
consequentemente, os filhos, esquecendo que hoje eles não são mais crianças e
que podem nos ajudar a enfrentar dificuldades. Estou me esforçando pra mudar
isso.
O Tom Figueiredo
foi o primeiro que comentou sobre essa inversão de papéis, ao contar que o
filho, então com uns 14 anos, ficou cuidando dele no mar, com medo que ele se
afogasse. Essa preocupação o fez ver que o filho estava crescendo.
É preciso mesmo acontecer uma situação dessas para
percebermos que os filhos já não são mais crianças. E é muito rica essa troca.
Sentimos isso muitas vezes, das quais recordo aqui algumas:
No Rio de Janeiro
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| Cabo Frio |
Costumo planejar minhas viagens nos mínimos detalhes. Faço
planilhas que contêm datas, meio de
transporte, país, cidade, hotel, endereço do hotel e telefone, etc.
Em princípio, isso é muito bom, mas eu deixava de aproveitar,
totalmente, porque de manhã eu já estava pensando no que iria fazer à tarde e à
tarde no que iria fazer à noite e à noite já estava me programando para o dia
seguinte. Isso irritava o Walter, bastante.
O Fábio agia um pouco como eu.
Na primeira viagem que ele fez com a Ulli, ela, boa baiana
que é, fez que ele visse que, às vezes, vale a pena curtir um lugar, mesmo que
seja pra ficar ali sem fazer nada.
Numa das vezes em que me preparava para viajar, o Fábio me
aconselhou a ser menos ansiosa e curtir mais o momento. Foi um bom conselho que
eu tenho tentado botar em prática.
Viajando com Mauro e Carol
Em 2008, viajamos com o Mauro
e a Carol durante uns 15 dias. Deixamos
por conta deles todas as providências, como escolha e reserva de hotel, estudo
dos mapas das cidades e roteiro de passeios. Além disso, o Mauro dirigiu o carro o tempo todo e a Carol fez as vezes de guia turística, traduzindo do
alemão e orientando quanto às comidas e bebidas nos restaurantes. Foi uma tranquilidade.
Não precisamos nem pensar. Só foi ruim porque ficamos mal acostumados.





