domingo, 5 de dezembro de 2010

BAGUNÇANDO O AMIGO SECRETO


Houve um ano que os casais amigos resolveram organizar o amigo secreto daquele natal.
Éramos 5 casais.
Sorteamos o amigo e combinamos de mandar cartinhas que seriam colocadas nas caixas de correio.
Resolvi bagunçar e mandar para todos os homens uma outra cartinha como se fosse a amiga secreta deles. Tinha que fazer bem feito, portanto, mandei para o Walter também.

Pra cada um, uma personagem, um tipo de papel e uma letra diferente.

A novela da época era Sétimo Sentido, com a Regina Duarte, que interpretava Luana Camará, que em determinados momentos incorporava o espírito de Priscilla Caprice e quando isso acontecia ela tinha atitudes totalmente diferentes da sua real personalidade.

O Rafaelle adorava a novela e eu resolvi que para ele eu seria aquela personagem de duas personalidades. Escrevia ora como Luana, meiga, cordata e com uma letra que pudesse refletir isso, ora como Priscilla Caprice, com uma letra agressiva.

Para o Fico resolvi que seria uma amiga com uma letrinha bem miúda, quase infantil com diálogos românticos e amistosos ao mesmo tempo.

Para o Claudio, uma amiga secreta normal, tentando parecer qualquer uma de nós.

Para o Fran, me fiz de homem. Meio gay, com interesses outros que não somente ser um amigo secreto.

Tinha que ser convincente com o Walter também e resolvi ser a Polenguina, com mensagens que foram se tornando cada vez mais avançadas e apaixonadas.

Dessa forma, os homens tinham o verdadeiro amigo secreto e eu.

O Walter, que pensava que a Polenguina era a Fátima, começou a achar que ela estava passando dos limites.


Minha verdadeira amiga secreta era a Beth e pra ela eu escrevia com todas as características do Rafaelle, inclusive colocava: - Calma, Beth, que ele costumava falar. 

Até o dia da revelação fomos mandando cartas. E, no dia marcado, dei um presente simbólico pra cada um deles, relacionado com aquelas personagens inventadas.
Não me lembro dos presentes a não ser o da Polenguina. Era um sanduíche de Pão com queijo polenguinho, uma vez que me referia ao Walter  como sendo o meu Pão.
Foi engraçadíssimo o desfecho desse amigo secreto, todo mundo querendo acabar comigo por causa dessa traquinagem.  

sábado, 4 de dezembro de 2010

LEMBRANÇAS DE NATAIS


São muitas as lembranças que ficaram de tantos natais: da alegria das crianças, dos preparativos, de pessoas tão queridas, das surpresas, do suspense. Tantas. Desde minha infância.

1 – da minha infância
Inesquecíveis foram os Natais passados com meu tio Moacyr. Ele era incrível. Juntava a família e fazia questão de que todos se sentissem bem. Eu era a mais nova. E os primos me alugavam. Faziam brincadeiras, me pregavam peças. Mas eu os adorava.
Lembro de uma vez que o meu primo Quinho me serviu de sobremesa molho pardo (como se fosse doce de leite) e queijo. E eu, pra não dar o braço a torcer, depois de provar aquela coisa horrível, fingi que nem tinha provado.
Ganhava presentes lá e quando chegava em casa encontrava o que tinha pedido.
Era uma festa. Imagino o sacrifício que meus pais faziam pra satisfazer minhas vontades, não que eu pedisse muita coisa, mas é que a vida não era nada fácil.
Numa das minhas idas ao Mappin ou Clipper, lojas que,  já naquela época, contratavam um papai noel, pedi a ele uma parede. Tinha uns 5 anos. E ele me perguntou pra que eu queria uma parede e eu não me lembro de ter explicado.
Hoje fico pensando que talvez fosse porque eu gostava de pegar uma brocha esquecida por algum pintor, passar bastante sabão e bater na parede do quintal pra que imitasse uma textura crespa. E minha avó, mãe do meu pai, ficava brava comigo por causa daquela “arte”. Creio que desejei ter uma parede em que pudesse fazer o que quisesse.
Papai Noel não satisfez meu desejo...


2 - Natais dos meninos
Quase todos os Natais foram na nossa casa. Juntávamos primos, pais, cunhados, tias, sobrinhos, futuros primos, amigos. Era sempre muito bom.
Colocávamos os presentes das crianças num saco. Os primos  ajudavam nessa ‘mise en scène’ enquanto nós distraíamos as crianças. E, à meia noite, alguém batia à porta ou tocava um sino e ali estavam os presentes que eles queriam.
Era divertido.
Num dos natais, o Fábio havia escolhido um carrinho e o Mauro outro. Compramos e escondemos no alto do guarda-roupa. Depois o Fábio resolveu escolher outro carrinho no lugar do primeiro. Resolvemos comprar. Só que guardamos no mesmo guarda-roupa.
Na hora de colocar no saco de brinquedos, meus primos pegaram os dois pro Fábio e o Mauro ganhou só um.
Foi difícil explicar pro Mauro porque o Fábio havia ganho dois carrinhos.

Outra vez, quando algum vizinho tocou um sino, o Maurício, meu sobrinho, saiu na janela e jurou ter visto o trenó do Papai Noel.
Eles acreditaram em Papai Noel até uns seis pra sete anos. Ou quiseram acreditar.

E teve o Natal em que o Fábio, com uns 13 anos pediu um walk-man e o Mauro (11), uma bicicleta. Os dois presentes no jardim chamaram a atenção pela diferença de tamanhos.

Foram muitos os domingos que antecediam o Natal, que nos dirigimos ao Clube Paineiras do Morumbi, pra festa que anualmente acontecia ali.
Era um Papai Noel, dos mais bonitos que já vi. Até nós, pais, ficávamos emocionados quando ele descia de helicóptero perto da Piscina. Era um acontecimento.

Depois vieram os Natais da Rafa e do Guilherme, filhos dos primos, que também tiveram seus momentos de glória. O Guilherme até hoje, com 22/23 anos,  adora passar o Natal com a gente. Embora, depois que se foram nossas velhinhas, eu me sinta desobrigada de realizar a festa de Natal aqui em casa.

Agora, temos  procurado fazer os Natais de Júlia inesquecíveis. Talvez, no próximo Natal, ela já não acredite mais na figura do bom velhinho.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A INEVITÁVEL E DECEPCIONANTE DESCOBERTA


Época de Natal. A casa ficava toda enfeitada. Na sala, todo ano havia um pinheirinho, comprado na feira, cheio de bolas coloridas com pequenos pedacinhos de algodão.Mamãe dizia que era para parecer neve.
Eu adorava ver as lojas cheias de brinquedos e aquele velhinho sentado a receber tantas crianças no colo.
Nos meus seis pra sete anos, ficava imaginando qual seria o verdadeiro Papai Noel, entre tantos que eu observava nas várias lojas em que mamãe me levava.
Engraçado, me pareciam diferentes um dos outros. Uns eram até magros.
Papai Noel era gordo.
Mas, por via das dúvidas, era melhor falar logo o que eu queria ganhar. Eu não entendia como ele guardava na cabeça o nome de todas as crianças e os presentes que cada uma pedia. Afinal ele era velhinho.
A vovó dizia que estava velhinha e não se lembrava de nada.
Em todo caso, eu achava aqueles dias uma festa. Mamãe estava sempre com sacolas cheias de pacotes coloridos. Ia pondo embaixo da árvore e dizia que a gente não podia mexer.
Eu ficava tão curiosa, mas meu irmão, que era mais velho que eu, estava sempre por perto pra não me deixar mexer nos pacotes.
Aqueles dias que antecediam as festas pareciam demorar tanto a passar. Eu não via a hora de chegar o dia de Natal.
Os grandes ficavam falando baixinho e eu nunca conseguia entender o que eles diziam. Se eu chegava, um olhava pro outro de um jeito tão estranho que eu ficava meio desconfiada de que estavam falando de mim. Às vezes, brigava com o meu irmão por achar que ele sabia de que eles estavam falando.
Muitas vezes, papai me mandava procurar coisas lá na parte de cima da casa só pra me manter afastada. Eu ia depressa e voltava correndo. E aí eles me pediam outra coisa.
Por que será que eles me tratavam daquele jeito. Ficava pensando que não era filha deles. Só meu irmão é que era.
Mas um dia, numa dessas conversas, ouvi mamãe dizer que tinha colocado bem escondido, no quarto da Lolita. A Lolita trabalhava lá em casa desde que eu nasci.
Quando cheguei perto, pra variar, eles desconversaram.
Resolvi que ia descobrir o segredo daquelas conversas de gente grande.
Fingi que não tinha ouvido nada, mas assim que cada um foi prum lado, fui pé ante pé até o quarto da  Lolita.
Lá estava ela: cor de rosa, linda, exatamente como eu queria. A Bicicleta que eu tinha pedido pro Papai Noel.
Meu coração batia tão forte que eu até conseguia ouvir.
Não sei quanto tempo fiquei parada ali, sem saber o que pensar, até que saí correndo e fui ficar quietinha embaixo do pé de jabuticaba, meu refúgio.  
Era isso. Era esse o segredo que eles escondiam de mim. Então não existia Papai Noel?  Quer dizer que papai e mamãe compraram a Bicicleta que eu queria? Então eu era filha deles sim. E meu irmão sabia de tudo.
Puxa, eu não podia falar pra eles que tinha descoberto tudo.
No meu raciocínio de criança tanta coisa passava pela minha cabeça.
Mamãe não entendeu porque naquele dia eu estava tão quieta. Nem quis almoçar. Ela punha a mão na minha testa e perguntava se eu estava sentindo alguma coisa. E eu só conseguia pensar numa coisa:
“Que pena! Que pena que Papai Noel não existe.”