Houve um ano que os casais amigos resolveram organizar o amigo secreto daquele natal.
Éramos 5 casais.
Sorteamos o amigo e combinamos de mandar cartinhas que seriam colocadas
nas caixas de correio.
Resolvi bagunçar e mandar para todos os homens uma outra cartinha como
se fosse a amiga secreta deles. Tinha que fazer bem feito, portanto, mandei
para o Walter também.
Pra cada um, uma personagem, um tipo de papel e uma letra diferente.
A novela da época era Sétimo Sentido, com a Regina Duarte, que
interpretava Luana Camará, que em determinados momentos incorporava o espírito
de Priscilla Caprice e quando isso
acontecia ela tinha atitudes totalmente diferentes da sua real personalidade.
O Rafaelle adorava a novela e eu resolvi que para ele eu seria aquela
personagem de duas personalidades. Escrevia ora como Luana, meiga, cordata e com
uma letra que pudesse refletir isso, ora como Priscilla
Caprice, com uma letra agressiva.
Para o Fico resolvi que seria uma amiga com uma letrinha bem miúda,
quase infantil com diálogos românticos e amistosos ao mesmo tempo.
Para o Claudio, uma amiga secreta normal, tentando parecer qualquer uma
de nós.
Para o Fran, me fiz de homem. Meio gay, com interesses outros que não
somente ser um amigo secreto.
Tinha que ser convincente com o Walter também e resolvi ser a
Polenguina, com mensagens que foram se tornando cada vez mais avançadas e
apaixonadas.
Dessa forma, os homens tinham o verdadeiro amigo secreto e eu.
O Walter, que pensava que a Polenguina era a Fátima, começou a achar
que ela estava passando dos limites.
Minha verdadeira amiga secreta era a Beth e pra ela eu escrevia com todas as características do Rafaelle, inclusive colocava: - Calma, Beth, que ele costumava falar.
Minha verdadeira amiga secreta era a Beth e pra ela eu escrevia com todas as características do Rafaelle, inclusive colocava: - Calma, Beth, que ele costumava falar.
Até o dia da revelação fomos mandando cartas. E, no dia marcado, dei um presente simbólico pra cada um deles, relacionado com aquelas personagens inventadas.
Não me lembro dos presentes a não ser o da Polenguina. Era um sanduíche
de Pão com queijo polenguinho, uma vez que me referia ao Walter como sendo o meu Pão.
Foi engraçadíssimo o desfecho desse amigo secreto, todo mundo querendo
acabar comigo por causa dessa traquinagem.