Moramos de 74 a 96 na mesma rua. De 79 a 96 na mesma casa, ao lado
da casa da Beth e do Francisco.
Era uma rua muito
gostosa, onde os meninos brincaram muito. Naquela época ainda era possível
brincar na rua. Jogaram bola no meio da rua, ou num campinho que deu lugar a dois prédios. Andaram de carrinho de rolemã, de bicicleta. Fizeram campeonato
de ping-pong, e deram muitas festinhas de aniversário.
Por causa deles
fizemos grandes amizades. E vivemos grandes histórias.
Era uma rua meio interiorana, que nos permitia vivê-la intensamente.
Era a kombi que passava todos os sábados, lá
pelas 13:00h, cheia de produtos e guloseimas e cujo motorista,
um português de voz fina, anunciava com seu sotaque lusitano, bem ao estilo de ‘Pamonhas
de Piracicaba’:
- macarrão, farinha de
trigo, farinha de mandioca, farinha de rosca, balas, chocolates, pirulitos,
pipoca doce e muitasss coisasss maisss!!!
E lá iam as crianças
de todas as casas, com suas mesadinhas, escolher a guloseima que mais lhe
apetecesse, e nós, donas de casa, aproveitávamos pra comprar algo que estava
faltando no momento;
Era o cobrador do
Instituto Pe. Chico, que passava todo mês;
Éramos nós, mães, que
aproveitávamos que as crianças estavam na rua pra bater um papinho;
Eram os homens que,
aos sábados, aproveitavam pra lavar o carro, enquanto batiam papo, tomando caipirinha
ou cerveja.
Refeições conjuntas
Isso nos levava,
muitas vezes, a resolver juntar o que havíamos feito de comida e promover almoços comunitários. Foram muitas
as vezes que fizemos isso.
E como era bom. Nos
divertíamos muito e as crianças também adoravam.
Passávamos de uma casa
para a outra pegando comidas e bebidas e deixando os vizinhos da frente
intrigados com aquele entra e sai.
Houve uma vez que
estava tão calor que, com a piscininha dos meninos armada, pegamos o esguicho e escorregamos de barriga no piso
vitrificado do quintal, nós, a Beth ,
o Francisco e até os pais da Beth e
claro, as crianças. Bons Tempos.
Muitas foram as vezes
que fizemos esses almoços com a Fátima e o Rafaelle, pais do Gian (aquele dos
pontos), que apesar de não morarem na mesma rua, eram muito amigos e
participavam também.
Muitas vezes íamos
à Pizzaria Paulino da Cerro Corá, todos nós e ainda a Bel, o Claudio e as
meninas.
Os garçons já nos
conheciam. Arrumavam duas mesas, uma para nós e outra para as crianças, que
ganhavam massa de pizza.
Não tínhamos problema
com as crianças. Os garçons se encarregavam de cuidar deles.
Tardes divertidas
Naquela época, nenhuma
de nós trabalhava fora. Olha que trabalhávamos muito em casa, mas arrumávamos
tempo pra tantas diversões: bingo, curso de maquiagem, bazares, outros cursos.
Era moda, na época, juntar
amigas pra que alguém viesse vender
produtos de limpeza, beleza, lingeries, tupperware, etc.
Uma vez, fizemos em
casa uma reunião pra venda de lingeries. Nós mesmas desfilávamos. De camisola, baby
doll, peignoir, enfim.
Uma das convidadas ficou
um pouco preocupada com a janela da sala e eu a tranqüilizei dizendo que de lá
de fora não dava pra ver nada.
Depois que desfilamos
calmamente, com aquelas roupitchas transparentes, passou alguém lá fora e abanou
a mão pra nós.
Só aí percebemos que
talvez tivéssemos exposto nossos corpinhos para a vizinhança.
Há mais "causos". Aguardem.
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