terça-feira, 9 de novembro de 2010

E POR FALAR EM VIZINHAS...

A Rua

Moramos de 74 a 96 na mesma rua. De 79 a 96 na mesma casa, ao lado da casa da Beth e do Francisco.
Era uma rua muito gostosa, onde os meninos brincaram muito. Naquela época ainda era possível brincar na rua. Jogaram bola no meio da rua, ou num campinho que deu lugar a dois prédios. Andaram de carrinho de rolemã, de bicicleta. Fizeram campeonato de ping-pong, e deram muitas festinhas de aniversário.
Por causa deles fizemos grandes amizades. E vivemos grandes histórias.

Era uma rua meio interiorana, que nos permitia vivê-la intensamente.
Era a kombi que passava todos os sábados, lá pelas 13:00h, cheia de produtos e guloseimas e cujo motorista, um português de voz fina, anunciava com seu sotaque lusitano, bem ao estilo de ‘Pamonhas de Piracicaba’:
- macarrão, farinha de trigo, farinha de mandioca, farinha de rosca, balas, chocolates, pirulitos, pipoca doce e muitasss coisasss maisss!!!  
E lá iam as crianças de todas as casas, com suas mesadinhas, escolher a guloseima que mais lhe apetecesse, e nós, donas de casa, aproveitávamos pra comprar algo que estava faltando no momento;

Era o cobrador do Instituto Pe. Chico, que passava todo mês;

Éramos nós, mães, que aproveitávamos que as crianças estavam na rua pra bater um papinho;

Eram os homens que, aos sábados, aproveitavam pra lavar o carro, enquanto batiam papo, tomando caipirinha ou cerveja.


Refeições conjuntas

Isso nos levava, muitas vezes, a resolver juntar o que havíamos feito de comida  e promover almoços comunitários. Foram muitas as vezes que fizemos isso.
E como era bom. Nos divertíamos muito e as crianças também adoravam.   
Passávamos de uma casa para a outra pegando comidas e bebidas e deixando os vizinhos da frente intrigados com aquele entra e sai.
Houve uma vez que estava tão calor que, com a piscininha dos meninos armada, pegamos o esguicho e escorregamos de barriga no piso vitrificado do quintal, nós, a Beth, o Francisco e até os pais da Beth e claro, as crianças. Bons Tempos.
Muitas foram as vezes que fizemos esses almoços com a Fátima e o Rafaelle, pais do Gian (aquele dos pontos), que apesar de não morarem na mesma rua, eram muito amigos e participavam também.
Muitas vezes íamos à Pizzaria Paulino da Cerro Corá, todos nós e ainda a Bel, o Claudio e as meninas.
Os garçons já nos conheciam. Arrumavam duas mesas, uma para nós e outra para as crianças, que ganhavam massa de pizza.
Não tínhamos problema com as crianças. Os garçons se encarregavam de cuidar deles.


Tardes divertidas

Naquela época, nenhuma de nós trabalhava fora. Olha que trabalhávamos muito em casa, mas arrumávamos tempo pra tantas diversões: bingo, curso de maquiagem, bazares, outros cursos.
Era moda, na época, juntar  amigas pra que alguém viesse vender produtos de limpeza, beleza, lingeries, tupperware, etc.
Uma vez, fizemos em casa uma reunião pra venda de lingeries. Nós mesmas desfilávamos. De camisola, baby doll, peignoir, enfim.
Uma das convidadas ficou um pouco preocupada com a janela da sala e eu a tranqüilizei dizendo que de lá de fora não dava pra ver nada.
Depois que desfilamos calmamente, com aquelas roupitchas transparentes, passou alguém lá fora e abanou a mão pra nós.
Só aí percebemos que talvez tivéssemos exposto nossos corpinhos para a vizinhança.
Há mais "causos". Aguardem.

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