Nesse dia dos avós, rememoro passagens gostosas com esses serzinhos que modificam a vida da gente.
Convivo muito com a mais velha, Júlia 12 anos, minha companheira para passear, conversar, tomar sorvete, jogar buraco, trocar ideias. Aprendo muito com ela.
Depois de ficar uns quinze dias longe voltou me abraçando e dizendo que sentiu minha falta.
Querem coisa melhor?
Se ela sentiu minha falta, imaginem a falta que senti dela...
Nessas férias os pequenos vieram passar uns dias aqui. Como estão espertos! Sabem tudo.
Maria , seis anos, tudo quer saber. Se estamos conversando sobre algo ela pergunta , quer entender do que se trata e, às vezes, reclama que não está entendendo nada do que estamos falando. Está feliz por aprender a ler na escola Waldorf, onde estuda. Lá também aprende, cantando, o alemão e, segundo a professora, não por acaso sua mãe, tem a pronúncia correta. Confesso que tenho dificuldade para aprender o idioma.
Ela me emocionou quando estávamos indo pegar a Júlia para ir ao cinema. Comentou que gostava muito da prima. Que a prima era uma fofa e que era muito respeitosa. Deduzi que Júlia a trata muito bem e aceita o que ela fala e faz.
Na despedida das duas houve lágrimas dos dois lados.
Pedro, 4 anos, está muito engraçadinho, sem corujice. Embora ainda não tenha aulas de alemão, já sabe cantar várias músicas e sempre diz que vai morar na Alemanha.
Registro aqui algumas falas dele, já que delas registrei no meu livro:
a bala que ele gosta é de frutis frutis...
outro dia vendo uma foto minha disse que eu estava mais linda que o infinito...
Outro dia, estávamos na pracinha e um senhor me abordou entregando um cartão para o caso de precisar de cuidador/a. As crianças quiseram saber o que aquilo significava.
A mãe explicou que quando a pessoa fica velhinha e não consegue cozinhar, tomar banho sozinha, se vestir, é preciso contratar um cuidador/a.
Aproveitando que estávamos em frente a uma casa de repouso, mostrou o lugar dizendo que ali viviam alguns idosos que não podiam mais morar sozinhos. Para que entendessem comparou a um orfanato, que eles sabem o que é.
Pedro ficou pensativo e depois disse, muito sério:
- Vovó você não precisa ir para o orfanato. Você sabe cozinhar muito bem...
Recebi muitos abraços deliciosos dos dois. E mal eles foram embora, já estou com muitas saudades!
Confesso que há algum tempo vinha amadurecendo a idéia de ter um Blog, mas, ao mesmo tempo, muito me assustava o fato de ter essa responsabilidade, que, creio, nos obriga a mantê-lo ativo. Resolvi, apesar do medo, botar a cara pra bater e mandar ver. Queria contar um pouco de uma época da minha vida, muito gostosa, em que participei de um grupo musical, que me proporcionou grandes alegrias e a principal: fiz amizades maravilhosas e eternas.
quinta-feira, 26 de julho de 2018
sábado, 5 de maio de 2018
BATE-PAPO AO PÉ DO OUVIDO
─ O que você está fazendo, vovó?
─ Estou aqui arrumando a roupa do vovô. Pegue ali na caixa de costura uma linha preta. Vou pregar botão nessa camisa que está no braço da cadeira.
─ Você gosta de costurar, vovó?
─ Pra dizer bem a verdade, não gosto não, mas não posso deixar a roupa do vovô de qualquer jeito. Olha só quanta casa sem botão. Os botões caíram e o vovô nem me avisou.
─ Casa, vovó?
─ É. Esse buraquinho onde prendemos o botão chama-se casa.
─ Que engraçado, eu não sabia...
─ Laurinha, por favor, meu amor, apanhe esse botão que caiu aí no pé da mesa.
─ Pé da mesa, vovó, você fala cada coisa engraçada. Ouvi a campainha tocar, quem será?
─ Vá ver, Laurinha, mas não antes de espiar quem é , pelo olho mágico.
─ É o papai! ─ e Laurinha abriu a porta, dependurando-se no pescoço dele.
─ Oi, meu amor, o que está fazendo? Está com as maçãs do rosto tão rosadinhas...
E ela toda orgulhosa:
─ Estou ajudando a vovó. Ela vai costurar toda essa roupa que está no braço da cadeira. E eu estou aprendendo, sabe, papai?
Ernesto ficou ali sentado ao pé da escada, admirando as duas e pensando com seus botões:
“Que incrível essa ligação entre neta e avó. A diferença de idade entre elas é inexistente. Verdadeira magia que as iguala” ─ e lembrou-se dele mesmo, quando pequeno, e da relação afetiva que tinha com seus avós.
Tentou disfarçar, enxugando uma lágrima indiscreta que insistia em denunciar a emoção que se apoderava dele naquele momento.
─ O que aconteceu, papai, você está chorando?
─ Não querida, acho que entrou um cisco aqui no canto do olho.
quinta-feira, 3 de maio de 2018
SUSTENTANBILIDADE
O tema: Conte o drama de um barqueiro que viu aos poucos sua casa sendo
engolida pelo mar. Empregue metáforas. (Conto ou poesia)
SUSTENTABILIDADE
A
Ilha era pequena, mas tinha boa estrutura.
Uns
viviam de pescar e outros de agricultura.
Mas o
mar subiu de nível por conta do aquecimento,
Engoliu
todas as casas, causou muito sofrimento.
Pescador,
inconformado, tentou lutar contra a água,
que
teimava em devastar a cidade que habitava.
Mas a
água era implacável. Não tinha negociação.
Uma
onda gigantesca cobriu toda a região.
O
homem ainda nadou para ao menos se salvar
ajudou
outras pessoas que estavam a se afogar.
Foi
parar em outras praias, chegando desacordado.
Passou
ali toda a noite até que foi encontrado.
Acordou
depois de dias sem saber onde é que estava
Sentia-se
muito fraco e a todos perguntava:
─
Como vim parar aqui? O que foi que aconteceu?
─
Fique calmo, meu amigo, pois você sobreviveu.
Só
então ficou sabendo que enfrentou o inimigo
Com
toda garra que tinha pra salvar o seu abrigo.
Concluiu
que a natureza, ao estar sendo judiada,
Partiu
para revidar com uma força redobrada.
Passou
a se dedicar salvando o meio ambiente
Começou
por ensinar cada um a ser consciente:
─ Para que nosso planeta seja muito mais saudável
É preciso que ele tenha um crescimento sustentável.
VIVENDO E SE SURPREENDENDO
VIVENDO E SE
SURPREENDENDO
Era meu primeiro dia de trabalho. Local e colegas
novos, nem imaginava o que teria que fazer, mas estava feliz. Eu pensava que
logo conheceria todo mundo e saberia fazer o serviço. Afinal, eu não era burra.
As circunstâncias haviam me obrigado a pedir
demissão do lugar que eu adorava e ao qual já estava acostumada e enturmada. Já
lá se iam quinze anos.
O concurso público, que não exigia mínimo de
idade, fora providencial. Fiz a inscrição, prestei o concurso e fui aprovada.
Ronaldo foi um dos que mais me ajudou. Paciente,
detalhista, competente. Passou a ser meu porto seguro.
Ficamos amigos. Eu notava que ele era um pouco
afetado, mas atribuía aos anos de seminário que a mãe o fez cursar. Ela o
desejava padre.
Mas, contrariando-a ele casou-se e teve três
filhas. Esforçado, complementava o salário em outro emprego também de meio
período. A mulher, jovem, lecionava e dava aulas particulares. As crianças
estudavam perto e contavam com a avó materna que se dispunha a cuidar deles
para que os pais pudessem trabalhar.
Ele conseguiu comprar a casa própria num bairro
mais popular e levava a vida sem reclamar.
Certo dia, no entanto, queixou-se que o casamento
estava perigando.
─ Vocês trabalham demais. Acho que
deveriam fazer uma viagem de fim de semana pra namorarem um pouco. Vocês são
muito jovens, merecem curtir mais a vida ─ disse-lhe eu, tentando
ajudar.
Ele sorriu, agradecido, pela minha boa intenção.
Alguns meses depois, tentando aliar o trabalho aos
filhos, solicitei mudança de horário. Passei a trabalhar no período da tarde.
Quando eu chegava, Ronaldo estava de saída.
Ficamos muito tempo sem trocar palavras.
Meses depois, encontrei-o na copa. Estava ótimo,
sorridente, bem vestido. Parecia feliz.
─ Nossa, Ronaldo, que bom te encontrar
assim alegre. Vejo que as coisas melhoraram pra você.
E ele, com um brilho diferente nos olhos, me
contou:
─ Há quatro meses comecei a fazer terapia com
um profissional muito bem recomendado.
─ Que bom ─ eu disse, animada ─ às vezes
falta tão pouco pra gente se encontrar, não? A felicidade está na nossa frente
e a gente não percebe. É preciso que alguém de fora nos ajude.
─ Pois é ─ ele respondeu sorrindo ─ Sabe que acabei
me apaixonando pelo meu terapeuta?
A única coisa que consegui falar para não
demonstrar o meu espanto, foi:
─ É, é comum o paciente se apaixonar pelo
terapeuta...
VIAJANDO DE AVIÃO PELA PRIMEIRA VEZ
VIAJANDO DE AVIÃO PELA PRIMEIRA VEZ
Era a primeira vez que eu embarcava num avião. Sentia uma pontada na boca do estômago. Mas não queria dar o braço a torcer.
Olhei pela janelinha. Estava sentado bem em cima da asa do danado. Eu me sentia tão pequenininho diante daquele monstro imponente.
Agora ele começava a se mexer.
“Ai meu Deus!” ─ pensei, apertando bem os olhos, com a intenção de que meu pedido de socorro ficasse só entre mim e o todo Poderoso.
Segurei firme no braço da cadeira. Olhei em volta. Todos calmos.
Será que apenas eu estava apavorado? Estava com o céu da boca ressecado e sabia que minhas maçãs do rosto deviam parecer um pimentão, tão quente eu podia senti-las. Tentava disfarçar para que meus pais não percebessem e meus irmãos não rissem de mim.
Pela janela eu acompanhava cada movimento e vi quando o avião dobrou a pista à esquerda enquanto aquele homenzinho fazia sinais com umas bandeirolas, acho que indicando que ele podia ir.
Tive que me segurar junto ao encosto da cadeira tal a velocidade que o bicho atingiu. Pude ver o nariz do avião empinado para cima. Pronto, estávamos subindo rapidamente. Lá embaixo avistava-se o leito de um rio. Tudo foi ficando pequenino. As nuvens encobriram minha visão.
Mamãe, percebendo meu temor, pegou a minha mão. Abandonei-me àquela proteção, conseguindo me acalmar. Parecia que estávamos parados no ar. Relaxei. Só então senti que minha barriga da perna tinha estado dura como um pau.
Distraí-me com a chegada do carrinho que trazia refrigerantes e barrinhas de cereais.
“Seja o que Deus quiser” ─ pensei, enrolando a manga da camisa.
Respirei fundo e procurei enterrar meus medos para aproveitar a viagem. Afinal, aquela era apenas a primeira etapa.
CONFRONTO DE NARCISOS
Confronto de Narcisos
A notícia de que Kim Jong-Un convidou Donald Trump para um encontro em maio próximo levou-me a uma viagem:
Num ringue, em sumários trajes de Sumô, de um lado o ditador norte-coreano, do outro, o surpreendente Trump, a se enfrentarem numa luta de Narcisos.
Torcidas, identificadas pelos cortes de cabelo no estilo de seus ídolos, se fazem presentes, instigando-os a derrubarem o rival.
Os egos os mantém eretos, mas a necessidade de vencer o inimigo, no menor espaço de tempo, melhor dizendo, em segundos, os transforma em verdadeiros Hércules, com o propósito único de empurrar o adversário para fora do círculo ou para o solo.
Imaginação à parte, vejo esse encontro com certa cautela. Da cabeça de cada um, assim como das fraldas dos bebês, nunca se sabe o que poderá sair.
De qualquer forma, ambos devem conhecer as regras: como no jogo, quem usar de técnica ilegal – ou ‘Kinjite’ – será automaticamente derrotado.
Torço para que o assunto a ser tratado seja o desarmamento nuclear. Em todo caso, o mundo terá que aguardar até que o encontro seja mesmo realizado e disso decorra um esperado tratado de Paz.
sábado, 17 de fevereiro de 2018
OS PRIMEIROS CARNAVAIS A GENTE NUNCA ESQUECE
Enquanto as baterias das
Escolas de Samba explodiam num batuque empolgante, Stella lembrava, nostálgica,
dos bailes de Carnaval no prédio do Banco do Brasil, no centro de São Paulo.
Fechava os olhos e podia
vislumbrar cada centímetro daquele lugar que, durante tantos anos, foi palco de
sua atuação. A mãe caprichava na fantasia e ela se acabava no salão, ao som
daquelas marchinhas que tão bem conhecia: Mamãe eu quero, A cabeleira do Zezé,
Oh Jardineira, As águas vão rolar...
Quando acabava o carnaval
continuava cantarolando, no ritmo do balanço do fundo do quintal. Os adultos
diziam que não podia cantar mais. Era quaresma! Mas as músicas não lhe saíam da
cabeça.
Como num filme, iam também
desfilando em sua mente, os tantos bailes carnavalescos que fizeram parte de
sua adolescência e juventude. Ali, naquele cenário, vivia seu dia de bailarina,
de havaiana, de holandesa, de princesa à procura de seu príncipe encantado,
embalada pelo som mágico da orquestra que, animada, tocava sem parar. Lembrava,
como se fosse hoje, da tristeza que invadia aqueles foliões, quando soavam os últimos acordes: param param param param pam param param pam.
Voltavam para casa suados
e cansados, mas felizes. Prontos para voltar no dia seguinte, incansáveis.
“Ai que saudade que eu sinto
dos bailes da minha infância
que os tempos não trazem mais.”
Embora a tela da TV registrasse
a alegria do desfile de Carnaval, Stella, de olhos fechados e úmidos, tentava
conter a emoção, aflorada pelo ritmo cadenciado, que se confundia com as
batidas descompassadas do seu coração.
quarta-feira, 8 de março de 2017
MAMÃE, NÃO VÁ!
Como é bom quando a mamãe está em férias.
Adoro cada momento que passamos juntas. Em viagem, ou por aqui mesmo, quando
ela me leva ao Parque da Água Branca e jogamos peteca. Corro pelo parque
sabendo que ela está sempre ali por perto, me protegendo, me dando carinho.
Minha maior amiga, como diz meu pai.
Ela não mede esforços pra cuidar de mim e me
fazer feliz. Nossa ida para Ribeirão Preto, pra casa do tio Juca, irmão dela,
por exemplo, foi pra eu me fortificar. Ela disse que eu estava com anemia.
Não sei muito bem o que é isso, mas deve ser
sério. Ela ficou muito preocupada. Disse que iríamos para o interior para que
eu tomasse ar puro e comesse coisas saudáveis.
Meu tio e minha tinha Margarida são muito
legais. Naquela casa tem galinheiro e eles matam o bicho na hora pra cozinhar
no fogão à lenha.
Não gosto de galinha. Mas gostei de peru.
Agora eles fazem sempre peru só pra eu comer. Muito bom.
Custo um pouco pra engolir. Sabe, acho muito
chato ficar ali na mesa mastigando.
Meu tio fica bravo, mostra um rabo de tatu
que ele tem e diz que se eu não comer tudo vai usar o danado.
Acho que ele não tem coragem. Em todo caso,
tento mastigar um pouco mais e engolir. Perde-se muito tempo comendo.
Ontem a empregada achou um escorpião. Disse
que os escorpiões andam sempre em dupla e ficou procurando o par. Não achou.
Minha mãe foi dormir preocupada. Rezou pra
Santa Therezinha do Menino Jesus cuidar de mim.
Quando estávamos dormindo, ouviu uma voz
chamando-a:
─ Amelinha! Amelinha!
Levantou-se e foi ver quem a estava chamando.
Não havia ninguém.
Arrumou minhas cobertas e verificou se eu
estava dormindo.
Pela manhã, a empregada retirou as roupas de
cama para lavar e encontrou o escorpião nos meus lençóis.
Mamãe disse que Santa Therezinha ouviu suas
preces e me protegeu.
Não sei se é verdade, só sei que passei a
rezar à Santa desde então.
Passamos três semanas em Ribeirão. Fiquei
corada e engordei. Mamãe ficou mais tranquila. Voltamos a São Paulo porque ela
precisava voltar a trabalhar.
Toda vez que ela volta a trabalhar sinto
muita falta dela e choro. Vejo lágrimas nos olhos dela também e peço, chorando:
─ Não vá, mamãe, não vá!
quinta-feira, 8 de dezembro de 2016
UMA SEGUNDA CHANCE
Na última aula da Oficina de Escrita recordamos, ou melhor, aprendemos o que é Prosopopeia.
"ret figura pela qual o orador ou escritor empresta sentimentos humanos e palavras a seres inanimados, a animais, a mortos ou a ausentes; personificação, metagoge."
Nossa lição foi, portanto, elaborar um texto como sendo um objeto de brechó, que ficou assim:
Vai
ser difícil sair daqui.
As
pessoas me olham, me tocam, fico animado, mas nada. Vão embora sem, ao menos,
me dar um até logo.
Eu
me sinto mal, sabe? Diminuído, esquecido, desprezado.
E
lembrar que já tive meus momentos de glória...
Lembro-me
de quando fui destaque pela primeira vez. Era um dia de festa. Todos me
admiravam. Eu estava radiante. Brilhava!
Fui idealizado
por um cara importante, de renome. Especialmente para aquela data.
Suely
recomendou:
─ Quero
que todos se lembrem deste momento, portanto capriche.
E
ele caprichou.
Fiquei
sem saber o valor de tudo aquilo. Mas isso não era importante naquele momento.
Estava feliz porque iria chamar a atenção de todos. Era o que eu queria.
A
gente vive de altos e baixos. A vida é uma roleta russa. Hoje estou aqui, em
segundo plano, vendo gente entrando e saindo, sem ser notado.
Opa.
Estou sendo acariciado. Nossa, que sensação deliciosa!
Parece
que fui escolhido. Já me sinto mais animado.
Acho
que agradei. Vejo que estão combinando o valor. Não consigo entender o que
dizem, mas...
Viva!
Deu certo.
Não
serei mais apenas um velho vestido abandonado num brechó.
sábado, 3 de dezembro de 2016
Crônica do dia a dia
Reflexões de um mal-humorado
Tenho refletido sobre
minha forma de ser e, num momento de insônia, decidi mudar de atitude. Não seria
mais um cara mal humorado e não diria mais tanto “não”.
Quando desci para o
café, Luzia conversava animadamente com nossos filhos. Pararam imediatamente de falar e percebi a
troca de olhares ao me verem todo sorridente distribuindo beijos.
Ainda pude ouvi-la
falando algo como “louca pra comprar...”
- O que é que você
estaria louca para comprar, meu bem? – disse-lhe eu carinhosamente.
- Ah, deixa pra lá. – respondeu
Luzia, levantando os ombros.
- O que quer que seja, faço questão que compre. Use o cartão de
crédito. Quero vê-la feliz.
Eles se olharam sem
entender o que estava acontecendo e eu disfarcei,
servindo-me de mais café.
Dificilmente,
sentava-me à mesa com eles para um café da manhã tranquilo. Ou reclamava dos
gastos de cada um, ou, simplesmente, lia meu jornal engolindo um café pretinho.
Meu filho ensaiou:
- Pai, a galera tá
marcando um fim de semana em Ilhabela e...
- De quanto você
precisa, filho. Diga que coloco na sua conta. Aproveite a vida. Vá com a galera
passar o fim de semana. Sei que você é ajuizado. Confio em você.
Minha filha, até então
calada, arriscou:
- Pai, neste ano pra
participar da formatura eu...
- Já sei, filhota, é necessário contribuir mensalmente.
Quanto? Quanto é a cota mensal? Tenho certeza de que você se formará com
louvor. Sempre foi uma aluna exemplar.
Acabei de tomar o café,
beijei os três que continuavam me olhando perplexos e perguntei?
- Alguém quer uma
carona?
Saí assobiando e me
sentindo mais feliz. Afinal, pela primeira vez em tantos anos, tivera um
momento agradável com minha família.
Peguei o carro e, mal
tinha andado duas quadras, senti que a direção puxava para o lado. Parei para
verificar. O pneu da frente estava furado.
Eu, de terno, gravata e
com reunião marcada para daí uma hora.
Abordei um rapaz que
passava:
- Sabe trocar pneu?
- Sei sim, moço.
O rapaz era rápido e
jeitoso e num instante fez o serviço.
Ficou agradecido com os
cinquentinha que lhe dei.
O trânsito estava
infernal. O sinal fechava e abria e ninguém andava.
Os ambulantes entraram
em ação:
- Vai carregador de
celular, doutor? - Comprei um.
- Pano de chão, meia
dúzia por R$ 25,00!
- Dá aqui meia dúzia,
amigão.
- Fruta do Conde! Fruta
do Conde! Leve seis e pague cinco.
E foi caixa de morango,
vassourinha pra limpar teto, balas de todos os tipos, panos de prato, raquete para
matar mosquito, guarda-chuva, sem falar no trocado que dei para os malabaristas
da esquina e para os mendigos.
Cheguei em cima da hora
da reunião. Minha secretária me aguardava ansiosa e com muito jeito me avisou que
a reunião havia sido desmarcada.
- Tentei ligar pro seu
celular, mas estava fora de área.
Demonstrou surpresa
quando lhe falei:
- Tudo bem, Fátima, aproveito pra descansar um
pouco.
Mas, o outro cliente também
telefonou adiando a reunião.
- Sem problema, Clóvis
- disse-lhe eu no meu melhor humor - veja
o dia e a hora que lhe convém.
Aproveitei e convidei
Fátima para almoçar comigo. Ela ficou me olhando e perguntou:
- Tá tudo bem, seu
Armando?
- Está tudo ótimo,
Fátima. Já que não há reunião vamos almoçar com muita calma. Quero aproveitar para
comprar um presente para Luzia. Gostaria que me ajudasse.
Cheguei em casa tarde,
mas feliz. Quando estava entrando, um rapaz me perguntou se tinha alguma coisa
para dar e deve ter ficado sem entender por sair com caixa de morango, fruta do conde,
vassourinha pra limpar teto, pano de chão, guarda chuva, carregador de celular,
etc., etc., etc.
Hoje concluí que nós
somos os únicos responsáveis pela nossa felicidade.
sexta-feira, 11 de novembro de 2016
A mãozinha
Quem nunca sentiu
coceira nas costas que atire a primeira pedra.
O pior é que a coceira vem naquele pedaço das costas
entre o pescoço e a cintura que não conseguimos alcançar de cima para baixo. ou
de baixo para cima.
Viva quem inventou a mãozinha salvadora!
E isso me fez lembrar uma história que
aconteceu quando eu era criança.
Minha mãe tinha uma amiga, Dona Bauer, que
teve um problema na coluna.
Fomos então visitá-la e a coitada estava
toda engessada, o que me impressionou tremendamente.
Quando ela contou que foi coçar as costas
com a “mãozinha” e que ela se quebrou, fiquei sem entender nada.
E ela repetia:
─ Como vou fazer pra coçar as costas sem
minha mãozinha?
Eu pensava: "Que
mulher fiteira! A
mão dela não tem nem mesmo um arranhão."
Achei tudo muito estranho e só fui
entender quando saímos dali e consegui matar minha curiosidade, perguntando
para minha mãe por que ela falava que tinha quebrado sua mãozinha. Ainda
se fosse do tamanho da minha?
Criança entende tudo ao pé da letra.
Principalmente, numa época em que não havia tanta informação e nós, crianças,
éramos bastante ingênuas.
terça-feira, 13 de setembro de 2016
Mulher, Mulher...
Tantas
facetas na nossa vida de mulher.
Agora,
por exemplo, estava lavando louça. Sim. Lavando louça. Tentando usar luvas de
borracha para não estragar as unhas recém-pintadas.
Que
malabarismo! Já quebrei copos, xícaras e pratos. O que posso fazer, escorregam da minha mão com luvas. Confesso
que tenho muita dificuldade de usá-las. Mas são um mal necessário.
Também quero cantar e estou me preparando para um musical do coral a que pertenço. Aí,
outra dificuldade: decorar as letras. Apesar do conselho de minha neta de dez
anos que diz que tenho que repetir infinitas vezes...
Pior.
A apresentação é amanhã. E dá-lhe gravador. E dá-lhe repetir infinitas vezes.
O
curso de escrita teve que ficar um pouco de lado. O que não me impede de participar
da Antologia de contos que será lançada no Clube em fins de novembro. Estaremos lá com alguns
contos que estou aprendendo a escrever.
Bem,
tirando as horas de dona de casa, de motorista particular, de cuidadora, como
diz meu marido, de avó coruja e um pouquinho de mãe – por incrível que pareça,
ainda – tenho que cuidar da aparência, afinal os brancos insistem em dominar e
eu insisto em cobri-los. Ainda não criei coragem para assumi-los. Portanto,
como diria uma grande amiga, acabo de chegar em casa após retocar a
inteligência.
Estamos
aí, vivendo intensamente, sem pensar muito que, afinal, já passamos do cabo da
boa esperança.
Mas
se começarmos a pensar muito nisso, não vai dar certo.
Alguns
amigos têm nos deixado, aos poucos, o que nos faz refletir que a vida é um
raio.
Vamos
curtir o que nos resta realizando sonhos que nos ajudarão a atravessar esses
anos que estão aí por vir. Vamos rir, vamos realizar, vamos amar, vamos
percorrer as redes sociais, vamos encontrar amigos, e jogar conversa fora.
Vamo
que vamo.
domingo, 21 de agosto de 2016
OLIMPÍADAS RIO 2016
Quando,
há oito anos, o Brasil foi escolhido para ser sede das Olimpíadas 2016 fiquei
orgulhosa e feliz.
Depois,
quando tomei conhecimento de tantos desmandos, fiquei receosa que nada desse
certo.
Obras
atrasadas, corrupção, desastres, etc.
O
medo do ridículo e a vergonha tomaram conta de mim.
Assisti
à abertura que me surpreendeu. Pela simplicidade, pelo espetáculo, pelo recado
dado ao mundo.
Aí,
meu coração brasileiro sorriu, gritou, torceu, sem pudores. Ufanismo sim, por
que não?
Não
sei por que temos, às vezes, medo de sermos ufanistas. Os outros países são.
E
torci. Pra cada modalidade, pra cada jogo, com todo meu orgulho deste país
verde e amarelo que, descobri, continuo amando muito.
Chorei,
várias vezes, com o Hino, o mais bonito do mundo, quando, finalmente, resolveram apresentá-lo sem cortes.
Já
estava indignada com aquela versão escolhida, não sei por qual imbecil, e que
fazia com que ninguém conseguisse acompanhar cantando.
Agora
que as Olimpíadas terminam com um saldo positivo, respiro aliviada por termos
conseguido, a duras penas, mostrar ao mundo que o espírito brasileiro é único. Que
o Rio de Janeiro é a cidade mais linda do mundo e que mesmo com todas as
dificuldades políticas e econômicas e a total falta de apoio aos atletas, esse
povo tem garra, perseverança e, sobretudo, ama como eu este país.
sábado, 28 de maio de 2016
VISÃO INFANTIL
Maria
está na escola Waldorf e convive com crianças de todos os níveis sociais.
Uma
das amiguinhas, de família muito pobre, que será aumentada com o nascimento de
um irmãozinho, recebeu a visita de alguns coleguinhas, inclusive Maria e Pedro,
que com suas mães foram levar roupinhas e ajuda.
Os
adultos ficaram chocados com o que viram: num cômodo que servia de sala,
cozinha e quarto, viviam todos. Condições sub-humanas.
No
chão estavam alguns pedaços de isopor que faziam as vezes de brinquedos e com o
qual Maria e as outras crianças se encantaram e brincaram.
Não
havia banheiro. Apenas um buraco no chão.
Quando
pensamos numa família pobre imaginamos uma casinha de pau a pique ou mesmo de tijolo
sem acabamento, simples. Mas não era isso que se via ali. Tábuas
colocadas de forma precária com o objetivo de constituir o que seria uma parede.
Voltaram
arrasados.
Carol
queria conversar com Maria e sentir o que se passara em sua cabecinha.
Quando
chegaram em casa perguntou?
-
O que você achou da casa da sua amiguinha, Maria?
E
Maria, alegremente:
-
Adorei, mamãe!
segunda-feira, 2 de maio de 2016
Que tempo bom!
Sábado passado Irene, Janet, Jurema e eu tivemos
um encontro muito gostoso num café para matarmos a saudade. Sonia Marney e
Eloisa não puderam ir, uma pena.
Estudamos juntas no colegial do Mackenzie há
“alguns” anos. Perdemos o contato, nos reencontramos e temos procurado manter
esse vínculo.
Janet foi reencontrada agora.
Também temos contato com Bia, Nilza e Regina
Lessa que moram fora de São Paulo.
A
Irene, Jurema, Carmem e Bia, estiveram no lançamento do meu livro em dezembro.
A Jurema me contou que esperava que, no meu
livro, eu falasse sobre a nossa fase de adolescência.
Resolvi, então, contar aqui sobre o grupinho
que formamos no segundo colegial, quando juntamente com a Irene, Janet e mais alguns,
passamos do período da tarde para o da manhã.
Ao grupinho composto por Jurema, Ledice,
Regina e Sônia Marney, demos a sigla de JULERESO (pronuncie-se JULERRESSÔ)
Nossos namorados à época eram Nelson,
Paulinho, Didi e André (NEPADIAN)
Parecia um nome francês. Só nós sabíamos o
que significava.
Naquela época não havia impulsos telefônicos
e costumávamos passar trote. Uma vez, passando um trote por telefone, a Sônia
perguntou se o interlocutor já havia lido Julerressô
Nepadian, um autor consagrado. E, imaginem, demos muita risada.
A Sônia, que nós chamávamos de Marney, era
muito engraçada. Certa vez, ligou para um dos estudantes de engenharia que
paquerávamos, como se fosse da secretaria do Mackenzie, dizendo que não haveria
aula no próximo dia.
Depois nos arrependemos e ela ligou
novamente. Disse que era a esposa do Beluzzo (que era o diretor do colegial do
Mackenzie) e que houve um equívoco. Só que ela pronunciou eqüívoco.
Nós caímos na risada.
O cara perguntou quem estava rindo e ela
respondeu:
São os Beluzzinhos...
Tempo muito bom aquele que deixou muita
saudade. Tanta que fizemos questão de matar com esse encontro de sábado.
Se Deus quiser, haverá muitos outros.


segunda-feira, 28 de março de 2016
A DESCOBERTA DE JÚLIA
Júlia, dez anos, ainda acreditava em Papai Noel. Ou queria acreditar, sabe-se lá.
Passado o Natal, meses depois, descobriu a cartinha que tinha enviado ao bom velhinho. Estava na bolsa da mãe.
Desmontou. Chorou muito. Então ele não existia. Ficou triste.
O raciocínio fez com que ela constatasse que Coelhinho da Páscoa não existia também. Então o coelhinho era eu.
Eu que roía as cenouras que colocávamos no ninho. Um ninho que ela preparava sempre aqui na garagem da minha casa.
Foram tantos anos a fazer o ninho e, o melhor, a descobri-lo no dia seguinte, domingo de Páscoa, cheio de guloseimas e com cenouras roídas por toda parte, terra espalhada indicando o caminho por onde ele teria passado.
E ela vibrava.
Ano passado os pequenos estavam aqui então foram três ninhos e a Carol, rindo muito,aprendeu a roer a cenoura como eu fazia e até adotou a parafernália para fazer lá em Barra Grande.
Mas Júlia veio este ano fazer o ninho. Não queria perder aquele encanto e me deixou uma cartinha que coloco abaixo sem correções:
Passado o Natal, meses depois, descobriu a cartinha que tinha enviado ao bom velhinho. Estava na bolsa da mãe.
Desmontou. Chorou muito. Então ele não existia. Ficou triste.
O raciocínio fez com que ela constatasse que Coelhinho da Páscoa não existia também. Então o coelhinho era eu.
Eu que roía as cenouras que colocávamos no ninho. Um ninho que ela preparava sempre aqui na garagem da minha casa.
Foram tantos anos a fazer o ninho e, o melhor, a descobri-lo no dia seguinte, domingo de Páscoa, cheio de guloseimas e com cenouras roídas por toda parte, terra espalhada indicando o caminho por onde ele teria passado.
E ela vibrava.
Ano passado os pequenos estavam aqui então foram três ninhos e a Carol, rindo muito,aprendeu a roer a cenoura como eu fazia e até adotou a parafernália para fazer lá em Barra Grande.
Mas Júlia veio este ano fazer o ninho. Não queria perder aquele encanto e me deixou uma cartinha que coloco abaixo sem correções:
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| Não consegui mostrar um coração grande e recortado que ela fez |
quinta-feira, 24 de março de 2016
Mensagem de Páscoa
A Páscoa no Segundo
ou Novo Testamento é
a passagem da morte para a vida Para nós cristãos, a Páscoa tem este
significado, a Ressurreição de Jesus, a ressurreição para a vida plena, para
a vida eterna, para uma nova vida de amor com Deus.
E, no entanto, o que estamos assistindo. Nem
amor a Deus nem amor ao próximo.
O mundo está virado de cabeça para baixo. Cheio
de ódio, de morte, de assassinatos, de bombas.
Milhares de refugiados, arriscando suas vidas e
de suas famílias para tentar fugir da morte, da destruição para, às vezes,
encontrar isso mais adiante, quando os barcos viram de tão lotados ou a saúde
fraca não permite chegar a um destino.
É muito triste ver essas cenas na TV. E também
ver algumas fronteiras se fechando. Imaginem o desespero dessas famílias que
deixam suas casas, destruídas, em busca de um canto de paz para poderem
recomeçar e criar seus filhos.
E nós ficamos pensando no nosso almoço de
domingo, nos ovos de Páscoa, e as crianças no coelhinho do Páscoa.
Aproveitemos o momento tão significativo, para
pedir a Deus proteção para toda a humanidade, consciência para esses loucos do
Estado Islâmico, sabedoria para os governantes, união para as raças, respeito
às diferenças e tolerância para as opiniões contrárias.
Boa Páscoa a todos
sexta-feira, 18 de março de 2016
Pedroca, botando as manguinhas de fora
Pedroca está com 2 anos e é muito fofo. (corujice minha? talvez).
Ele entende tudo e fala tudo, não tão bem como Maria falava nessa idade, mas se faz entender.
Adora a irmã e se sente seguro perto dela. Ela, por sua vez, como irmã mais velha o protege.
Maria está fazendo um regime de lactose, para detectar se isso é que lhe dá uma dor na barriga. Ela, muito conformada, faz o regime direitinho.
Ele percebe tudo.
Outro dia, queria porque queria um tal cobertor. Brigaram pelo cobertor. E ele saiu-se com essa.
- Num pode, num pode porque tem "LEITE"...
terça-feira, 3 de novembro de 2015
Quinze dias num paraíso
Que coisa boa sair do dia a dia da cidade grande e curtir um lugar paradisíaco onde o dia custa a passar, o tempo nos permite desacelerar, fazer uma porção de coisas, e ainda curtir a família e, principalmente, ver a evolução das crianças.
Seis meses fazem uma enorme diferença.E não os víamos desde abril.
Pedroca, que fará 2 anos daqui a três dias, está falando e entendendo tudo, faz frases e se faz entender, além de ser engraçado demais e nos chamar de "vater" e lê. Uma delícia!
Maricota está uma mocinha. Muito esperta e gostando muito da escola. E, pra variar, segue uma passagem dela, que achei ótima.
Estávamos na praia e na hora de ir embora os dois cansados, querendo colo, só que colo da mãe, claro.
E chora daqui, chora dali, Carol os convenceu a irem a pé de mão dada com ela. Mas, ficou meio séria, juntando as coisas: baldinho, pazinha, roupas, toalhas, etc. enquanto o Mauro trazia pra casa as cadeiras, o guarda-sol e a outra sacola.
Quando iam andando em direção ao restaurante, Maria virou-se pra mãe, que ainda estava séria e, com uma carinha conquistadora, disse:
- Cadê aquela cara linda???
Por essa e outras é que estamos curtindo muito esta vinda para cá.
Está valendo cada minuto. Muito muito bom!
segunda-feira, 12 de outubro de 2015
Recado aos amigos
Tenho estado ausente do blog. É que o livro tem me tomado todo o tempo. Não sei como fazem os escritores que editam livros, fazem crônicas semanais para os jornais, dão entrevistas para as emissoras, vão a inúmeros programas de TV. Não consigo ser assim, plural. Tenho que ir por partes.
No momento, toda minha atenção está direcionada ao livro. E isso até me tira o sono, às vezes. Talvez porque seja a primeira vez e a responsabilidade é grande. Algumas pessoas têm me cobrado a falta de posts por aqui. Mas fica explicado o motivo. Aguardem. Em dezembro terei realizado esse projeto e ficarei mais descompromissada e, portanto, mais disponível para o blog.
Bem, conto com vocês no lançamento, meus queridos leitores. Farei a devida divulgação, mas já marquem em suas agendas:
15 de dezembro.
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